Por que os bancos ‘odeiam’ clientes que têm R$ 25 mil na conta? Gêmeos Investem explicam

Ter uma reserva financeira pode fazer mais diferença do que apenas garantir tranquilidade em momentos de emergência. Segundo análise divulgada pelo canal Gêmeos Investem, clientes que acumulam cerca de R$ 25 mil e evitam recorrer a empréstimos acabam se tornando menos lucrativos para os bancos, que concentram boa parte de seus ganhos na concessão de crédito e na venda de produtos financeiros.

A avaliação ganhou repercussão ao explicar, de forma didática, como funciona o chamado spread bancário, mecanismo responsável por grande parte dos lucros das instituições financeiras. Na prática, os bancos captam recursos de investidores pagando determinada remuneração e emprestam esse mesmo dinheiro a juros muito mais elevados, ficando com a diferença.

Como o spread bancário impulsiona os lucros das instituições

Segundo os criadores do canal, esse modelo explica por que o sistema financeiro brasileiro registra resultados bilionários ano após ano. Apenas entre as dez empresas mais lucrativas do país, seis são bancos, com ganhos que ultrapassam R$ 130 bilhões.

“O banco basicamente pega o dinheiro que os clientes deixam lá na conta rendendo e empresta para outras pessoas a juros maiores. É nessa diferença que ele ganha dinheiro”, explicam os especialistas durante a apresentação.

Eles citam um exemplo comum: enquanto um cliente pode receber aproximadamente 1,15% ao mês em um CDB que rende 100% do CDI, o mesmo banco pode cobrar taxas próximas de 20% ao mês no rotativo do cartão de crédito.

Essa diferença entre o custo de captação e o valor cobrado no empréstimo é justamente o spread bancário, considerado uma das principais fontes de receita das instituições financeiras.

O perfil de cliente considerado mais rentável

Na avaliação apresentada pelo canal, os bancos classificam seus clientes de acordo com o potencial de geração de receita. Curiosamente, o cliente mais lucrativo não seria necessariamente aquele que possui maior patrimônio.

Segundo os especialistas, o perfil mais interessante para as instituições costuma ser o de pessoas com boa renda mensal, mas que não conseguem formar uma reserva financeira.

“O gerente já sabe quem tem esse perfil. Quando passa da metade do mês e ele vê que a conta já está magrinha, sabe que provavelmente essa pessoa vai precisar recorrer ao crédito”, comentam.

Esse consumidor tende a utilizar cheque especial, parcelar a fatura do cartão de crédito, contratar empréstimos pessoais ou aceitar linhas de crédito pré-aprovadas, produtos que normalmente possuem juros elevados.

Já quem mantém uma reserva financeira acaba recorrendo muito menos ao crédito.

“O banco prefere que você deva R$ 5 mil para ele do que tenha R$ 25 mil na conta, porque quem deve paga juros todos os meses”, afirmam os criadores do conteúdo.

A diferença prática entre quem tem ou não uma reserva

Para ilustrar essa dinâmica, o canal utiliza o exemplo fictício de dois amigos que recebem exatamente o mesmo salário: Marquinhos e Renato, ambos com renda mensal de R$ 7 mil.

Quando o carro dos dois apresenta um problema mecânico de R$ 3 mil, as consequências financeiras seguem caminhos completamente diferentes.

Renato não possui reserva de emergência e utiliza um empréstimo disponível no aplicativo do banco. As parcelas parecem pequenas, mas, ao final do contrato, ele desembolsa aproximadamente R$ 4.776, pagando quase R$ 1.800 apenas em juros.

Marquinhos, por outro lado, utiliza parte dos R$ 25 mil que havia guardado ao longo do tempo. Como faz o pagamento à vista, ainda consegue negociar desconto com a oficina, reduzindo o custo para cerca de R$ 2.700.

Segundo os especialistas, situações semelhantes ao longo dos anos podem representar uma economia significativa para quem consegue evitar financiamentos e juros elevados.

Veja o vídeo na íntegra:

Quando o banco muda a estratégia

Na análise apresentada, os especialistas afirmam que, quando o cliente não gera receita por meio do crédito, a abordagem costuma mudar.

Em vez de oferecer empréstimos, passam a surgir convites para aplicações consideradas mais sofisticadas, como o Certificado de Operações Estruturadas (COI).

O produto costuma ser apresentado como uma alternativa que permite investir em mercados internacionais com proteção do capital aplicado. No entanto, os criadores do canal fazem ressalvas sobre o investimento.

“E se depois de cinco anos você simplesmente receber de volta o dinheiro que aplicou? Nesse período a inflação já reduziu bastante o poder de compra desse valor”, observam durante o vídeo.

Segundo eles, outro ponto de atenção está na remuneração recebida por quem comercializa esses investimentos.

“O assessor pode ganhar sua comissão logo na largada, independentemente de você ter lucro ou não”, explicam.

Além do COI, também são mencionados investimentos em alguns CRIs e CRAs de empresas consideradas mais arriscadas, recomendando que o investidor avalie cuidadosamente a qualidade dos emissores e os riscos envolvidos antes de aplicar recursos.

Caso apresentado mostra perda potencial superior a R$ 114 mil

Em vídeo publicado no canal oficial, os especialistas também relatam o caso de um investidor que buscou uma segunda opinião após perceber que sua carteira apresentava desempenho abaixo do esperado.

Segundo a análise compartilhada, o patrimônio estava concentrado em produtos estruturados comercializados por uma corretora. Ao comparar os resultados com aplicações atreladas à taxa Selic, o levantamento apontou uma diferença superior a R$ 114 mil em rentabilidade potencial.

“A assessoria parece gratuita porque o cliente não paga diretamente pelo serviço, mas quem vende o produto recebe comissão conforme aquilo que foi distribuído”, afirmam os criadores do conteúdo.

Eles destacam que o caso serve como exemplo da importância de compreender como funciona a remuneração de gerentes e assessores antes de aceitar recomendações de investimento.

Construir uma reserva continua sendo a principal recomendação

Ao longo da análise, o canal reforça que formar uma reserva de emergência continua sendo uma das decisões financeiras mais importantes para reduzir a dependência do crédito.

Os especialistas utilizam o valor de R$ 25 mil apenas como referência para ilustrar um montante capaz de resolver diversos imprevistos cotidianos, como consertos de veículos, troca de eletrodomésticos ou despesas inesperadas de saúde, sem necessidade de recorrer a empréstimos.

Eles também destacam que o benefício vai além da economia com juros.

“Ter dinheiro guardado traz paz. Você consegue lidar com um problema sem entrar em desespero”, resumem.

Antes de contratar qualquer investimento indicado pelo banco ou pela corretora, a orientação apresentada no vídeo é analisar custos, entender a forma de remuneração do profissional responsável pela recomendação e comparar alternativas mais simples, como CDBs de liquidez diária e Tesouro Selic.

Esta reportagem foi produzida com base em informações divulgadas pelo canal Gêmeos Investem. As análises representam a opinião dos autores do conteúdo e não constituem recomendação individual de investimento.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional graduado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Possui mais de 15 anos de experiência como redator e criador de conteúdo para portais de notícias.Saulo se especializou na produção de artigos sobre temas de grande interesse social, no âmbito da economia, benefícios sociais e direitos trabalhistas.