Um experimento realizado pelo influenciador Iagor Gonçalves voltou a movimentar as redes sociais ao comparar, na prática, o que um trabalhador consegue comprar recebendo um salário mínimo no Brasil e nos Estados Unidos. O teste foi feito seguindo exatamente o mesmo roteiro nos dois países: alugar uma moradia, fazer a compra do mês, buscar um carro e adquirir um computador para trabalhar. O resultado chamou a atenção pela diferença entre o poder de compra e reacendeu discussões sobre inflação, custo de vida e valorização da moeda.
No vídeo, Iagor utiliza como referência o salário mínimo brasileiro e a remuneração de um trabalhador que recebe o piso salarial no estado da Flórida, nos Estados Unidos. Segundo ele, a comparação busca mostrar quanto sobra no orçamento após despesas básicas, sem recorrer a cenários extremos ou exemplos fora da realidade.
Salário mínimo no Brasil ainda enfrenta dificuldades para acompanhar o custo de vida
O salário mínimo nacional está fixado em R$ 1.621 em 2026 e serve de referência para milhões de trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas sociais. Embora o reajuste anual considere a inflação e, em alguns casos, proporcione ganho real, economistas observam que o avanço dos preços de alimentos, moradia, transporte e serviços continua pressionando o orçamento das famílias. Esse contexto ajuda a explicar por que comparações internacionais sobre poder de compra costumam ganhar grande repercussão entre os brasileiros.
Moradia revela o primeiro contraste entre os dois países
A primeira missão do experimento consistiu em encontrar uma moradia utilizando um orçamento proporcional ao salário mínimo de cada país. Para evitar distorções, Iagor escolheu cidades localizadas na região metropolitana de grandes centros urbanos.
No Brasil, a busca ocorreu em Contagem, na Grande Belo Horizonte. Pelo valor de aproximadamente R$ 800, ele alugou uma kitnet bastante simples, com infiltrações, sinais de mofo, instalação elétrica aparente, banheiro sem box e praticamente nenhum espaço interno.

Durante a gravação, o influenciador mostra o imóvel e comenta que seria necessário comprar praticamente toda a mobília antes mesmo de morar no local.
“O camarada vai ter que botar uma cama aqui, um fogão ali… não tem espaço para geladeira”, afirma enquanto percorre o imóvel.
Já nos Estados Unidos, a comparação foi feita em Lakeland, cidade localizada entre Orlando e Tampa. Utilizando um valor proporcional ao salário mínimo local, Iagor encontrou uma kitnet completamente mobiliada, equipada com eletrodomésticos, armários planejados, ar-condicionado, água quente e vaga de garagem.
Segundo ele, a diferença chamou atenção principalmente porque praticamente toda a estrutura necessária para morar já estava disponível.
Picanha, salmão e quase 30 produtos: supermercado escancara a diferença no poder de compra
A segunda etapa foi aquela que mais repercutiu nas redes sociais.
Após pagar o aluguel, o orçamento restante no Brasil ficou em torno de R$ 499 para alimentação, transporte e demais despesas do mês. Com esse valor, o influenciador precisou priorizar itens considerados indispensáveis.
No supermercado brasileiro, a cesta foi composta por arroz, feijão, macarrão, óleo, ovos e carnes mais baratas, como músculo, acém e linguiça. A picanha ficou de fora da lista.
Segundo Iagor, apenas um quilo da carne consumiria boa parte do orçamento semanal.
Itens básicos de higiene também precisaram ser reduzidos ao mínimo, enquanto produtos de limpeza e até o gás de cozinha acabaram ficando fora da compra para que o orçamento não fosse ultrapassado.
Nos Estados Unidos, a realidade foi completamente diferente.
No Walmart, utilizando menos de 10% da renda mensal, ele colocou no carrinho quase 30 produtos, incluindo picanha, salmão, peito de frango, frutas, café gourmet, leite, massas, chocolates e 60 ovos. Mesmo após encher o carrinho, ainda havia dinheiro suficiente para comprar uma Smart TV 4K de 43 polegadas.
Ao mostrar a compra, o influenciador resumiu a própria reação.
“Não adianta brigar, não tem como comparar isso.”
Comprar um carro também mostrou diferenças expressivas
O terceiro desafio foi verificar quais veículos poderiam ser adquiridos utilizando apenas o dinheiro restante do salário.
No Brasil, sobraram cerca de R$ 326, valor insuficiente até mesmo para financiar veículos populares usados. Em anúncios consultados durante o vídeo, carros com quase duas décadas de uso apresentavam parcelas acima de R$ 450, ultrapassando todo o orçamento disponível.
Enquanto analisava os anúncios, Iagor comentou que muitos desses automóveis já possuem alta quilometragem e exigem manutenção frequente.
“Um carro que já tem quase 30 anos de idade… a chance de você ficar na mão é muito maior do que ter conforto”, diz.
Nos Estados Unidos, por outro lado, o cenário foi bastante diferente.
Com aproximadamente US$ 960 restantes após as despesas anteriores, ele visitou uma concessionária em Miami e encontrou modelos como Audi Q3, Jaguar e Mercedes-Benz C300, cujas parcelas variavam entre US$ 200 e US$ 300 para consumidores com bom histórico de crédito.

Segundo o proprietário da loja entrevistado no vídeo, as taxas anuais de financiamento giravam entre 6% e 7%, percentual significativamente inferior ao praticado em diversas modalidades de crédito no Brasil.
Tecnologia também entrou na comparação
Na última etapa, Iagor procurou um computador que pudesse servir como ferramenta de trabalho para quem deseja empreender pela internet.
Com aproximadamente R$ 300, o equipamento encontrado no Brasil foi um antigo Toshiba Satellite, lançado em 2003, equipado com apenas 500 MB de memória RAM, Windows XP e bateria sem funcionamento. Durante os testes, o notebook apresentou dificuldades até mesmo para reproduzir vídeos na internet.
Nos Estados Unidos, utilizando cerca de US$ 320, foi possível encontrar um MacBook Air M1, modelo lançado em 2020, capaz de executar programas de edição de vídeo, programação e diversas atividades profissionais.
Ao comparar os dois equipamentos, o influenciador destacou a diferença tecnológica.
“Esse aqui é um computador que você compra por 300 dólares nos Estados Unidos… o outro não rodava nem Google Chrome.”
Vídeo detalha cada etapa da comparação
Em vídeo publicado em seu canal e nas redes sociais, Iagor Gonçalves mostra todas as etapas da experiência, desde a busca pelos imóveis até as compras no supermercado, visita às concessionárias e pesquisa pelos computadores. Ao longo da gravação, ele explica os critérios utilizados para manter uma comparação proporcional entre Brasil e Estados Unidos e apresenta imagens dos produtos, imóveis e veículos encontrados em cada país.
Comparação reacende debate sobre inflação e poder de compra
Embora o experimento não tenha caráter científico e reflita uma realidade específica de determinadas regiões dos dois países, o vídeo rapidamente ganhou repercussão justamente por traduzir em imagens um debate frequente entre economistas: o quanto o salário mínimo consegue, de fato, garantir qualidade de vida.
Segundo a análise apresentada por Iagor Gonçalves, o maior obstáculo enfrentado pelo trabalhador brasileiro não está apenas no valor nominal do salário, mas principalmente na perda de poder de compra provocada pelo custo de vida e pela desvalorização da moeda. Para ele, esse cenário limita o acesso não apenas ao consumo, mas também a oportunidades de investimento, qualificação profissional e empreendedorismo, alimentando uma discussão que continua dividindo opiniões nas redes sociais e entre especialistas em economia.
