Quase R$ 920 mil por habitante, mineração bilionária e um santuário de 250 anos: como a pequena Catas Altas se tornou a cidade mais rica do Brasil em PIB per capita e surpreende até economistas

Com apenas 5.706 habitantes, Catas Altas, na região Central de Minas Gerais, ocupa uma posição que chama atenção de economistas e curiosos. O município registra um PIB per capita de aproximadamente R$ 920 mil por ano, índice que supera o de diversos países desenvolvidos quando a comparação é feita por habitante. O desempenho econômico é impulsionado principalmente pela mineração de ferro, mas a cidade também preserva um patrimônio histórico, cultural e natural que atrai cada vez mais visitantes.

A combinação entre grandes operações mineradoras, um número reduzido de moradores e uma forte herança colonial transformou Catas Altas em um caso raro no Brasil. A história do município foi tema de uma reportagem especial publicada no canal Boa Sorte Viajante, apresentado por Matheus Boa Sorte, que percorreu os principais pontos turísticos e explicou por que a cidade aparece entre as mais ricas do país quando o indicador analisado é o Produto Interno Bruto (PIB) por habitante.

O que explica um PIB per capita tão elevado?

Segundo a análise apresentada por Matheus Boa Sorte, a resposta está principalmente no subsolo de Catas Altas.

O município está inserido em uma das regiões mineradoras mais importantes do país. Grandes empresas do setor, entre elas a Vale, mantêm operações de extração de minério de ferro que movimentam bilhões de reais todos os anos.

Como a cidade possui uma população bastante pequena, toda essa riqueza produzida acaba sendo dividida por pouco mais de cinco mil moradores, fazendo com que o indicador econômico alcance números muito acima da média nacional.

Durante o vídeo, o apresentador faz questão de esclarecer um ponto que costuma gerar confusão.

“Isso não quer dizer que cada habitante tenha R$ 920 mil na conta. O PIB mede a riqueza produzida, não a renda individual das pessoas.”

Segundo ele, cerca de 90% da economia local ainda depende diretamente da mineração.

O PIB (Produto Interno Bruto) é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos em um país, estado ou cidade durante um período de tempo, como um ano ou um trimestre. Ele serve para medir o tamanho e o ritmo de crescimento da economia. No Brasil, o cálculo oficial é feito pelo IBGE.

Uma cidade rica que preserva a história de Minas Gerais

Apesar da força econômica atual, Catas Altas nasceu durante o ciclo do ouro e mantém um dos conjuntos históricos mais preservados de Minas Gerais.

Localizada aos pés da Serra do Caraça, a cidade reúne casarões coloniais, igrejas centenárias e ruas de pedra que lembram o período em que a exploração aurífera movimentava a região.

Essa herança histórica transformou o município também em um destino turístico procurado por quem busca arquitetura colonial, gastronomia típica e contato com a natureza.

O Santuário do Caraça reúne história, religião e natureza

Entre os principais atrativos está o Santuário do Caraça, localizado a aproximadamente 45 minutos do centro histórico.

Fundado em 1774 pelo Irmão Lourenço, o espaço começou como local de peregrinação religiosa e, posteriormente, tornou-se um dos colégios mais prestigiados do Brasil Imperial.

Segundo Matheus Boa Sorte, o complexo preserva uma igreja em estilo neogótico, vitrais franceses e importantes obras do Mestre Ataíde.

A construção também chama atenção pelo uso de materiais extraídos da própria região, como quartzito, mármore e madeiras locais.

Dom Pedro II passou três dias hospedado no local

O Santuário guarda ainda uma curiosidade pouco conhecida.

Em 1881, o imperador Dom Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina passaram três dias hospedados no Caraça.

Durante a visita, professores do antigo colégio recepcionaram o casal imperial em diferentes idiomas.

“Ele foi saudado por sete idiomas diferentes por sete professores diferentes… e respondeu às saudações”, relata Matheus durante a reportagem.

O museu preserva até hoje os quartos utilizados pelo casal imperial, além de documentos e objetos históricos.

Biblioteca abriga obras raríssimas

Outro destaque do complexo é sua biblioteca.

Mesmo após um incêndio ocorrido em 1968, parte significativa do acervo foi preservada.

Entre as obras estão um exemplar da História Natural, de Plínio, o Velho, publicado em 1489, além da primeira edição de Os Sertões, de Euclides da Cunha.

Segundo a reportagem, também existem livros que receberam anotações feitas pelo próprio Dom Pedro II durante suas leituras.

O Bicame de Pedra relembra o ciclo do ouro

Muito antes da mineração de ferro dominar a economia local, Catas Altas prosperava graças ao ouro.

Uma das maiores lembranças desse período é o Bicame de Pedra, aqueduto construído por volta de 1792 por trabalhadores escravizados.

A estrutura conduzia água da Serra do Caraça até antigas áreas de mineração no distrito de Brumado.

Segundo um guia entrevistado durante a reportagem, a construção utilizou técnicas semelhantes às empregadas em antigos aquedutos romanos.

“Usavam muito o carro de boi para trazer as pedras… depois utilizavam couro de animal preso entre cavalos para movimentar os blocos.”

Gastronomia mistura tradição e criatividade

A culinária também ganhou destaque durante a visita.

No restaurante Primórdios da Terra, a chef Leda aposta em releituras da tradicional cozinha mineira utilizando ingredientes produzidos na própria região.

Entre os pratos apresentados estão o risoto de taioba com banana-da-terra e a costelinha marinada na cerveja artesanal acompanhada por molho de jabuticaba.

Após experimentar as receitas, Matheus resumiu a experiência.

“Comida com afeto é sempre mais gostosa.”

O vinho de jabuticaba virou símbolo da cidade

A jabuticaba ocupa um lugar especial na história de Catas Altas.

Segundo a reportagem, foi o Monsenhor Manuel Mendes quem incentivou os moradores, ainda no século XIX, a produzirem vinhos utilizando a fruta como alternativa econômica após o declínio da mineração do ouro.

Hoje, aproximadamente 60 famílias mantêm essa tradição.

A produção anual chega perto de 10 mil garrafas, além de geleias, compotas e molhos artesanais vendidos para turistas e restaurantes.

O futuro preocupa moradores e especialistas

Embora a mineração continue sendo o principal motor econômico, existe uma preocupação crescente sobre o futuro da cidade.

O minério de ferro é um recurso finito, e especialistas apontam que a dependência quase exclusiva desse setor representa um desafio para as próximas décadas.

É justamente por isso que o turismo histórico, religioso, gastronômico e ecológico vem sendo tratado como uma das principais alternativas para diversificar a economia local.

As cachoeiras, trilhas, vinhos artesanais e o conjunto arquitetônico preservado têm atraído visitantes de várias regiões do país, fortalecendo novos negócios ligados à hospitalidade.

Vídeo mostra por que Catas Altas une riqueza, história e natureza

Em reportagem publicada no canal Boa Sorte Viajante, Matheus Boa Sorte percorre os principais atrativos de Catas Altas e explica por que uma cidade com pouco mais de cinco mil habitantes aparece entre as maiores economias do país quando o indicador analisado é o PIB per capita. Ao longo da visita, ele apresenta detalhes do Santuário do Caraça, do Bicame de Pedra, das vinícolas artesanais de jabuticaba e da gastronomia local, mostrando que a riqueza do município vai muito além da mineração.

Para o apresentador, Catas Altas representa um raro equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação histórica. Enquanto a mineração continua impulsionando os indicadores financeiros, a cidade aposta na valorização do patrimônio cultural e do turismo como caminho para construir um futuro menos dependente da exploração mineral.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional graduado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB) no ano de 2020.Com mais de 15 anos de experiência como redator web, especializou-se na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse público, incluindo grandes investimentos macroeconômicos, economia, negócios no esporte e o impacto de megaprojetos no PIB nacional. Sua dedicação à precisão e relevância tornou seu trabalho uma referência nesses segmentos, ajudando milhares de leitores a se manterem bem informados.