O município de Inocência (MS) está no centro de um dos maiores investimentos industriais já anunciados para o setor florestal brasileiro. Com aporte estimado em US$ 4,6 bilhões (cerca de R$ 23,3 bilhões), a multinacional Arauco constrói o Projeto Sucuriu, empreendimento que promete abrigar a maior fábrica de celulose de linha única do planeta quando entrar em operação, no fim de 2027.
A saber, o projeto vai muito além de uma unidade industrial. A proposta reúne produção em larga escala, geração de energia renovável, infraestrutura logística e tecnologia de última geração, consolidando Mato Grosso do Sul como um dos principais polos globais da indústria de celulose.
Mato Grosso do Sul consolida o chamado Vale da Celulose
A escolha de Inocência não aconteceu por acaso. Localizada na região leste de Mato Grosso do Sul, a cidade integra o chamado Vale da Celulose, área que reúne condições consideradas ideais para a produção florestal.
De acordo com o Construction Time, fatores como disponibilidade de terras, clima favorável ao cultivo do eucalipto e melhorias na infraestrutura logística pesaram na decisão da empresa chilena.
“O setor de celulose depende de uma logística extremamente integrada. Projetos desse tamanho só acontecem quando todos esses fatores se encontram no mesmo lugar”, explica a análise apresentada pelo canal.
Além das características naturais, políticas estaduais voltadas à atração de investimentos ajudaram a transformar Mato Grosso do Sul em um dos principais destinos da indústria florestal no país.
Projeto ocupará área equivalente a quase 5 mil campos de futebol
Os números do Projeto Sucuriu impressionam pela dimensão.
A futura fábrica ocupará aproximadamente 3.500 hectares, área equivalente a cerca de 4.900 campos de futebol. Para abastecer continuamente a produção, a empresa utilizará uma base florestal de aproximadamente 400 mil hectares de eucalipto, extensão superior à área de muitos municípios brasileiros.
Quando iniciar a operação comercial, prevista para o final de 2027, a planta terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, superando em aproximadamente 37% a capacidade da nova fábrica da Suzano em Ribas do Rio Pardo, também construída em linha única.
Segundo o Construction Time, isso representa uma produção próxima de 400 toneladas por hora, funcionando de maneira contínua.

Tecnologia de ponta permitirá operação totalmente integrada
O empreendimento será construído no modelo conhecido como Greenfield, quando toda a estrutura industrial nasce do zero, sem utilizar instalações já existentes.
Isso permite que todas as etapas da produção sejam planejadas de forma integrada, desde a chegada da madeira até o enfardamento da celulose destinada à exportação.
A análise destaca ainda que a Arauco contará com tecnologias fornecidas pela Valmet, incluindo sistemas modernos de gaseificação para produção de biocombustíveis, caldeiras de biomassa e equipamentos para recuperação química do processo industrial.
Outro diferencial será a adoção dos conceitos da Indústria 4.0, com operação baseada em automação, monitoramento digital, conectividade entre equipamentos e simuladores para treinamento dos profissionais.
Fábrica também produzirá energia para o sistema elétrico
Além da produção de celulose, o complexo terá capacidade para gerar mais de 400 megawatts de energia renovável utilizando biomassa.
Segundo o levantamento apresentado pelo canal, aproximadamente 200 MW serão consumidos pela própria unidade industrial.
O excedente será direcionado ao Sistema Interligado Nacional (SIN), ampliando a participação da fábrica na matriz energética brasileira.
Na avaliação do Construction Time, a planta funcionará não apenas como um grande centro industrial, mas também como uma importante geradora de energia limpa.
Ferrovia ligará a fábrica diretamente ao Porto de Santos
Outro destaque do projeto é a estrutura logística desenvolvida para atender às exportações.
Em vídeo publicado em seu canal oficial no YouTube, o Construction Time explica que a engenharia do Projeto Sucuriu não termina dentro da fábrica. Segundo os responsáveis pela análise, “a fábrica não termina no portão da indústria; ela termina no navio”, destacando que toda a operação foi planejada pensando na chegada da celulose aos mercados internacionais.
Para isso, será construída uma shortline ferroviária de aproximadamente 54 quilômetros, responsável por conectar a unidade industrial à malha operada pela Rumo.
A partir dessa integração, a produção seguirá até o Porto de Santos, principal corredor de exportação da celulose brasileira.
Investimento deve gerar milhares de empregos e movimentar a economia regional
Durante o pico das obras, a expectativa é de aproximadamente 14 mil empregos temporários.
Após a entrada em operação, o Projeto Sucuriu deverá manter cerca de 6 mil postos de trabalho permanentes, considerando atividades industriais, operações florestais e logística.
Segundo o Construction Time, o impacto econômico tende a transformar completamente a realidade de Inocência, elevando arrecadação, renda e atração de novos negócios.
Ao mesmo tempo, a análise observa que empreendimentos dessa dimensão aumentam a demanda por habitação, saúde, saneamento, transporte e segurança pública, exigindo planejamento para que o crescimento econômico seja acompanhado pela expansão da infraestrutura urbana.
Projeto conta com financiamento internacional bilionário
A dimensão global do empreendimento também aparece na estrutura financeira.
O Projeto Sucuriu recebeu um pacote de aproximadamente US$ 2,2 bilhões em financiamentos internacionais, com participação da International Finance Corporation (IFC), do IDB Invest, garantias da agência finlandesa Finnvera e apoio de instituições financeiras privadas.
Com o avanço das obras, a expectativa é que Mato Grosso do Sul fortaleça ainda mais sua posição entre os maiores produtores mundiais de celulose, consolidando o estado como um dos principais centros da bioeconomia internacional e ampliando a participação brasileira nesse mercado estratégico.
