Quase 3 mil suínos, robôs que alimentam os animais, energia solar e investimento de R$ 3,6 milhões: como uma granja de alta tecnologia no interior do RS transformou a suinocultura em um negócio automatizado

Complexo de granjas com capacidade para quase 3 mil suínos utiliza robótica, energia solar e sistema sustentável de tratamento de dejetos; propriedade no interior gaúcho está avaliada em R$ 3,6 milhões.

A busca por maior produtividade no agronegócio brasileiro tem acelerado investimentos em automação, inteligência operacional e sustentabilidade. Em Getúlio Vargas, no Norte do Rio Grande do Sul, um complexo de suinocultura equipado com robôs de alimentação, geração própria de energia solar e sistema automatizado de tratamento de dejetos chamou a atenção de investidores após ser colocado à venda por R$ 3,6 milhões. A propriedade, preparada para alojar 2.920 suínos, foi apresentada em uma reportagem do canal Tavares Imóveis, que mostrou como a tecnologia vem reduzindo custos operacionais e aumentando a eficiência da produção.

Segundo o proprietário Wagner Zamba, praticamente toda a rotina foi planejada para funcionar com o mínimo de intervenção humana. O resultado é uma granja que pode ser administrada por apenas uma pessoa em boa parte das atividades diárias, sem comprometer o desempenho dos animais.

“Uma pessoa sozinha cuida sem dificuldade nenhuma, porque a granja já está preparada”, afirma o produtor durante a apresentação.

Automação reduziu a necessidade de mão de obra

O principal diferencial da propriedade é o sistema robotizado responsável pela alimentação dos animais.

Enquanto granjas convencionais exigem distribuição manual ou equipamentos operados constantemente por funcionários, o robô instalado na propriedade realiza todo o processo de forma programada.

Segundo Wagner Zamba, basta definir os horários de alimentação para que o equipamento execute automaticamente cada etapa do serviço.

“Ele faz todo o procedimento sozinho… tu programa os horários que tu quer e ele vai fazer. Ele sai daqui, vai lá, trata, volta e fica carregando as baterias.”

Além da redução do esforço físico, a alimentação padronizada contribui para maior uniformidade no ganho de peso dos animais.

Segundo o proprietário, em determinadas fases de crescimento, alguns suínos conseguem ganhar mais de um quilo por dia.

Estrutura foi planejada para aumentar a eficiência

A automação não se limita apenas ao fornecimento da ração.

O complexo reúne diferentes tecnologias voltadas ao controle ambiental e ao bem-estar dos animais.

Os galpões possuem piso vazado para facilitar o manejo dos dejetos, cortinas automatizadas que auxiliam no controle da temperatura e da ventilação e sistemas de nebulização utilizados para desinfecção e redução do estresse térmico.

Esse conjunto de equipamentos permite manter condições mais estáveis dentro das instalações, reduzindo riscos sanitários e aumentando a produtividade do sistema.

Energia solar reduz custos da operação

Outro investimento importante foi realizado na geração de energia.

A propriedade conta com sistema fotovoltaico composto por placas solares e inversores capazes de abastecer toda a estrutura.

Segundo os responsáveis pela apresentação do imóvel, a produção energética atende plenamente à demanda da granja e ainda pode gerar excedentes em determinados períodos.

Em atividades agropecuárias intensivas, onde ventilação, alimentação automatizada e bombeamento de água funcionam continuamente, a redução da conta de energia representa uma importante economia operacional ao longo dos anos.

Tratamento de dejetos também foi automatizado

Um dos maiores desafios ambientais da suinocultura é o manejo correto dos resíduos produzidos pelos animais.

Na propriedade apresentada, os dejetos passam por um sistema automatizado de tratamento antes de serem utilizados na agricultura.

Segundo Wagner Zamba, um equipamento realiza a oxigenação contínua do material e acelera sua decomposição.

“Em 30 dias tu curte o esterco para levar para a lavoura… sem gás, sem nada, pronto para a planta usufruir.”

Esse processo permite transformar o resíduo em fertilizante orgânico utilizado nas lavouras, reduzindo desperdícios e agregando valor ao sistema produtivo.

Produção ocorre em parceria com a Aurora Coop

Outro fator importante para o funcionamento do empreendimento é o modelo de integração.

A granja trabalha em parceria com a Aurora Coop, uma das maiores cooperativas agroindustriais do Brasil.

Nesse sistema, o produtor disponibiliza as instalações e realiza o manejo dos animais, enquanto a cooperativa fornece suporte técnico, animais, alimentação e define diversos padrões produtivos, conforme o contrato firmado entre as partes.

Segundo o proprietário, a remuneração gira em torno de R$ 68 a R$ 71 por animal, variando conforme critérios estabelecidos pela integração.

Ele também destaca que determinados seguros relacionados à atividade são administrados coletivamente pela cooperativa, reduzindo parte dos custos individuais do produtor.

Rotatividade maior melhora o fluxo financeiro

Outro aspecto destacado na apresentação envolve o tempo de permanência dos animais na propriedade.

Segundo Wagner Zamba, fatores relacionados ao mercado interno permitem que determinados lotes sejam comercializados entre 90 e 95 dias, reduzindo o ciclo tradicional observado em algumas operações destinadas à exportação.

Na prática, isso possibilita realizar entre três e quatro lotes por ano, aumentando a frequência de entrada de receitas.

“A suinocultura hoje proporciona um valor bem expressivo… cada 100 dias tá entrando dinheiro no caixa.”

Imóvel está avaliado em R$ 3,6 milhões

O empreendimento colocado à venda reúne quatro galpões distribuídos em aproximadamente quatro hectares de área.

Além das instalações para os animais, fazem parte da estrutura o sistema fotovoltaico, poço artesiano, equipamentos automatizados, escritório, licenças ambientais e infraestrutura necessária para continuidade da produção.

Segundo o corretor responsável pela apresentação, o valor pedido considera o elevado custo de construção de uma estrutura semelhante atualmente.

Suinocultura ocupa posição estratégica no agronegócio brasileiro

De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e com dados do setor produtivo, a suinocultura representa uma das principais cadeias da pecuária nacional, abastecendo tanto o mercado interno quanto as exportações brasileiras.

O Brasil figura entre os maiores produtores e exportadores mundiais de carne suína, impulsionado principalmente pelos estados da Região Sul, onde cooperativas agroindustriais desempenham papel importante na organização da cadeia produtiva.

Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná concentram grande parte dessa produção graças à tradição na atividade, disponibilidade de grãos para fabricação de ração e forte presença do sistema cooperativista.

Tecnologia muda o perfil das propriedades rurais

Nos últimos anos, equipamentos de automação, sensores, monitoramento remoto e geração própria de energia passaram a fazer parte da rotina de propriedades voltadas à produção intensiva.

Especialistas apontam que essas tecnologias ajudam a reduzir custos operacionais, melhorar indicadores zootécnicos e diminuir a dependência de mão de obra, um dos principais desafios enfrentados atualmente pelo agronegócio brasileiro.

Apesar disso, investimentos desse porte exigem planejamento financeiro, análise da viabilidade econômica, licenciamento ambiental e acompanhamento técnico permanente para garantir o retorno esperado.

Vídeo apresenta detalhes da granja e do funcionamento da propriedade

Em vídeo publicado pelo canal Tavares Imóveis (assista abaixo), o proprietário Wagner Zamba apresenta toda a estrutura do empreendimento, explica o funcionamento dos equipamentos automatizados e mostra como a integração com a Aurora Coop organiza a rotina produtiva. Durante a visita, ele detalha o sistema de alimentação robotizada, o tratamento dos dejetos, a geração de energia solar e a logística utilizada para manter quase três mil animais em produção.

A apresentação oferece uma visão prática de como a tecnologia está transformando a suinocultura brasileira, mostrando que, além da escala de produção, fatores como automação, eficiência energética e gestão ambiental passaram a desempenhar papel decisivo na competitividade das propriedades rurais.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional graduado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB) no ano de 2020.Com mais de 15 anos de experiência como redator web, especializou-se na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse público, incluindo grandes investimentos macroeconômicos, economia, negócios no esporte e o impacto de megaprojetos no PIB nacional. Sua dedicação à precisão e relevância tornou seu trabalho uma referência nesses segmentos, ajudando milhares de leitores a se manterem bem informados.