Quanto dinheiro uma família precisa ganhar para viver com dignidade no Brasil em 2026? A resposta passa longe de uma simples comparação entre salários. Em vídeo publicado no canal Jovens de Negócios, o empreendedor e criador de conteúdo Breno Perrucho analisou dados sobre custo de vida, poder de compra e renda para mostrar que o conceito de pobreza muda completamente dependendo do país em que a pessoa vive.
Segundo a análise apresentada por Perrucho, uma renda considerada elevada no Brasil pode representar uma condição de baixa renda em países como os Estados Unidos ou a Suíça. Para explicar essa diferença, ele utiliza indicadores internacionais como o Índice Big Mac e a Paridade de Poder de Compra (PPP), que ajudam a comparar o valor real do dinheiro em diferentes economias.
A mesma renda pode colocar você entre os mais ricos ou os mais pobres
Um dos exemplos apresentados no vídeo envolve uma pessoa que recebe R$ 20 mil por mês no Brasil.
Segundo Breno Perrucho, esse rendimento coloca o trabalhador muito próximo do 1% mais rico da população brasileira. No entanto, caso essa mesma pessoa se mudasse para uma grande cidade dos Estados Unidos e apenas convertesse a renda para dólares, sua situação mudaria completamente.
“Você estaria entre os grupos classificados como low income em diversas regiões americanas”, explica o criador de conteúdo ao comparar a distribuição de renda entre os dois países.
A conclusão é que converter moedas utilizando apenas a cotação do câmbio não é suficiente para medir qualidade de vida.
O Índice Big Mac ajuda a entender essa diferença
Para ilustrar como o dinheiro possui valores diferentes dependendo do país, Perrucho recorre ao Índice Big Mac, criado em 1986 pela revista The Economist.
O indicador utiliza o preço do sanduíche vendido pela rede McDonald’s para comparar o poder de compra das moedas ao redor do mundo.
Enquanto um Big Mac custa cerca de R$ 23,90 em São Paulo, nos Estados Unidos o mesmo produto pode chegar a US$ 6,41, valor equivalente a aproximadamente R$ 33 na conversão direta.
Segundo Perrucho, essa diferença não ocorre apenas com hambúrgueres.
“Isso vale para vários produtos e serviços. Netflix, Spotify e até contratar uma faxineira custam muito mais caro nos Estados Unidos”, comenta durante a análise.
Por que eletrônicos são baratos, mas serviços custam muito mais?
Ao longo do vídeo, Breno Perrucho explica que existe uma diferença importante entre bens comercializáveis e serviços.
Produtos como celulares, computadores, roupas e tênis podem ser fabricados em um país e vendidos em outro. Por isso, acabam sendo influenciados pela logística internacional, pela concorrência e pela carga tributária.
Segundo ele, os Estados Unidos possuem impostos menores sobre importações e uma infraestrutura logística mais eficiente, permitindo que muitos eletrônicos sejam vendidos por preços inferiores aos encontrados no Brasil.
Já serviços como aluguel, consultas médicas, restaurantes, faxinas e cortes de cabelo precisam ser produzidos no próprio local onde são consumidos.
É justamente aí que aparece uma das maiores diferenças.
“O custo de serviços nos Estados Unidos é entre cinco e doze vezes maior do que no Brasil”, afirma Perrucho.
Como exemplo, ele cita uma empregada doméstica que pode receber cerca de R$ 1.800 no Brasil, enquanto profissionais da mesma área chegam a ganhar aproximadamente US$ 4 mil por mês em território americano.
Afinal, quanto é preciso ganhar para viver com dignidade?
Para responder à pergunta que dá origem ao vídeo, Perrucho reúne estudos produzidos pelo Dieese e pelo MIT.
Segundo os dados apresentados, uma família de quatro pessoas precisaria receber cerca de R$ 7.106 por mês para cobrir despesas consideradas essenciais no Brasil, incluindo alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e lazer.
Embora esse valor esteja acima da renda da maior parte da população brasileira, ele representa uma estimativa de quanto seria necessário para manter um padrão de vida considerado digno.
Quando a comparação é feita com outros países, os números aumentam significativamente.
Na Califórnia, por exemplo, a renda estimada supera R$ 43 mil mensais. Na Noruega, passa de R$ 36 mil, enquanto na Suíça chega perto de R$ 58 mil por mês.
Segundo Perrucho, alguém que recebesse R$ 58 mil mensais teria condições financeiras suficientes para não ser considerado pobre praticamente em qualquer país do mundo.
Mesmo assim, na Suíça essa renda ainda ficaria abaixo da parcela mais rica da população.
A Paridade de Poder de Compra muda completamente a comparação
Outro ponto destacado pelo criador de conteúdo é que utilizar apenas o dólar como referência pode levar a interpretações equivocadas.
Por isso, economistas recorrem à Paridade de Poder de Compra (PPP), indicador que compara quanto uma moeda realmente consegue comprar dentro do próprio país.
Ao contrário do câmbio tradicional, a PPP considera milhares de produtos e serviços consumidos pela população.
Segundo Perrucho, é justamente esse indicador que explica por que a China aparece como a maior economia mundial quando o cálculo considera o poder de compra interno, superando inclusive os Estados Unidos.
A explicação está no fato de que boa parte dos serviços e da produção chinesa possui custos significativamente menores do que em grandes centros americanos.
Ganhar mais nem sempre significa viver melhor
Durante a análise, Breno Perrucho também comenta que alguns países extremamente pobres apresentam um poder de compra aparentemente elevado para quem recebe em reais.
Na Somália, por exemplo, a renda de um trabalhador brasileiro poderia valer muitas vezes mais do que a média local.
Já no Sudão do Sul, segundo os dados apresentados, uma renda equivalente a R$ 2.400 colocaria uma pessoa acima da maior parte da população.
No entanto, Perrucho alerta que essa comparação possui limitações.
“Não daria para comer num restaurante bom… porque ele não existe. Não teria hospital, nem estrada pavimentada”, explica.
Segundo ele, indicadores econômicos medem o poder de compra, mas não conseguem refletir fatores como segurança pública, infraestrutura, acesso à saúde e qualidade dos serviços disponíveis.
Noruega aparece como exemplo de equilíbrio
Ao comparar diferentes países, Perrucho aponta a Noruega como um dos melhores exemplos de equilíbrio entre renda e qualidade de vida.
Mesmo com custo elevado, o país oferece serviços públicos amplos, educação gratuita e um sistema de saúde de alta qualidade.
No vídeo, ele cita o exemplo de uma faxineira que recebe aproximadamente US$ 2.300 líquidos por mês.
Segundo o criador de conteúdo, esse rendimento permite pagar moradia, transporte, alimentação e ainda manter parte da renda disponível para poupança ou viagens.
Na avaliação dele, o diferencial não está apenas no salário, mas no conjunto de serviços oferecidos pelo Estado.
Vídeo detalha os cálculos utilizados
Em vídeo publicado no canal oficial Jovens de Negócios, Breno Perrucho apresenta gráficos, dados internacionais e exemplos práticos para explicar como funcionam a Paridade de Poder de Compra, o Índice Big Mac e os diferentes conceitos de pobreza utilizados em comparações internacionais.
Ao final da análise, o criador de conteúdo também aborda estratégias para quem deseja proteger o patrimônio diante das oscilações cambiais, citando investimentos ligados ao dólar como uma das alternativas para diversificação financeira.
Os valores apresentados consideram estudos e indicadores disponíveis no período da gravação e podem sofrer alterações conforme mudanças econômicas, inflação, variações cambiais e atualização das pesquisas utilizadas.
