Um simples passeio por um supermercado nos Estados Unidos acabou se transformando em um dos vídeos mais comentados sobre custo de vida nas redes sociais. O criador de conteúdo Renato Celestrino, responsável pelo canal “América Depois dos 30”, decidiu colocar à prova o poder de compra de um trabalhador que recebe o salário mínimo na Flórida. O resultado surpreendeu muitos brasileiros: com aproximadamente US$ 120, valor que, segundo ele, representa um dia de trabalho remunerado pelo piso local, foi possível encher um carrinho com cerca de 30 produtos, incluindo picanha, ovos, frutas, leite, arroz, feijão e outros itens do dia a dia.
A proposta do experimento não era comparar apenas preços, mas mostrar quanto o trabalho rende em cada país.
Durante o vídeo, Renato afirma que um dia de salário mínimo no Brasil corresponde a aproximadamente R$ 54, valor que, segundo ele, compra uma quantidade muito menor de alimentos quando levado ao supermercado. Atualmente, o piso nacional é de R$1.621 por mês.
“A diferença não está só na moeda. Está no quanto o seu dia de trabalho realmente compra”, comenta o criador de conteúdo ao longo do vídeo.
Picanha vira símbolo da comparação
Um dos momentos que mais chamou atenção foi quando Renato encontrou picanha em um supermercado da rede Walmart.
Segundo ele, uma peça de aproximadamente um quilo custava cerca de US$ 32.
Ao mostrar o produto, o influenciador faz uma comparação direta com o rendimento diário do trabalhador.
“Olha a beleza dessa carne aqui no Walmart. Se você trabalhar um dia de salário mínimo aqui na Flórida, você compra praticamente quatro peças de picanha dessa.”
A comparação ganhou força justamente porque a picanha costuma ser usada como símbolo do poder de compra no debate econômico brasileiro.
Carnes e proteínas ocupam boa parte do carrinho
Além da picanha, o carrinho recebeu diversos produtos ricos em proteína.
Entre eles estavam carne moída magra, peito de frango, filé mignon suíno, frango assado pronto para consumo e um pacote com 36 ovos cozidos.
Segundo Renato, aproximadamente dois quilos de peito de frango custavam cerca de US$ 15, enquanto o filé suíno saía por US$ 6,49.
Ao comparar com os preços que costumava encontrar no Brasil, ele afirma que a diferença no poder de compra é significativa.
“No Brasil, eu lembro que um quilo de patinho saía por cerca de R$ 50. Aqui, com um dia de trabalho, você compra vários quilos.”

Itens básicos também chamaram atenção
O experimento não ficou restrito às carnes.
Leite, arroz, feijão, queijo, azeite, frutas e legumes também entraram no carrinho.
Segundo Renato, um galão de quase quatro litros de leite custava US$ 3,78, enquanto aproximadamente 2,5 quilos de arroz saíam por US$ 3,37.
O feijão também apresentou preço considerado acessível na comparação feita pelo criador de conteúdo.
Produtos como queijo muçarela, azeite de oliva e café igualmente apareceram entre as compras realizadas dentro do orçamento previsto para um único dia de trabalho.
Frutas e hortifrúti surpreendem
Outro trecho do vídeo mostra preços encontrados no setor de frutas.
Bananas eram vendidas por aproximadamente US$ 0,50 por libra, enquanto caixas grandes de morango custavam cerca de US$ 4,46.
Maçãs também aparecem com valores considerados competitivos.
Segundo Renato, a facilidade de incluir frutas variadas na alimentação diária representa outra diferença percebida entre os dois países.
O salário também permitiu pequenos “luxos”
Depois de colocar os alimentos básicos no carrinho, Renato decidiu acrescentar alguns produtos normalmente considerados supérfluos.
Pacotes grandes de salgadinhos, chocolates, energéticos e outros itens industrializados ainda cabiam dentro do orçamento.
Durante a gravação, ele comenta que muitos desses produtos ficam ainda mais baratos quando comprados em embalagens econômicas.
Ao final das compras, o valor total chegou a aproximadamente US$ 118,80, permanecendo abaixo do limite inicialmente definido.
Segundo ele, a quantidade adquirida seria suficiente para abastecer uma pessoa durante cerca de dez dias.
Comparação com o Brasil gera debate
Na parte final do vídeo, Renato apresenta uma imagem mostrando o que, segundo seus cálculos, seria possível comprar no Brasil com o equivalente a um dia de salário mínimo.
Enquanto o carrinho americano ficou praticamente completo, a comparação brasileira exibe uma quantidade bastante reduzida de produtos, concentrada em itens básicos.
A diferença despertou discussões entre internautas sobre inflação, custo de vida, produtividade, carga tributária e remuneração do trabalho.
Especialistas costumam lembrar que comparações internacionais exigem cautela, já que despesas importantes, como moradia, saúde, transporte, impostos e seguros, variam significativamente entre os países e também influenciam o orçamento das famílias.
Ainda assim, o experimento chama atenção por ilustrar, de forma visual, como o poder de compra pode mudar conforme a relação entre salários e preços dos alimentos.
O que explica essa diferença?
Economistas apontam diversos fatores que ajudam a explicar diferenças no poder de compra entre países.
Entre eles estão produtividade da economia, nível salarial, eficiência logística, concorrência entre supermercados, carga tributária incidente sobre alimentos e custos de produção agrícola.
Também pesam fatores como câmbio, políticas públicas, custos trabalhistas e o próprio comportamento do mercado consumidor.
Por isso, embora um produto possa parecer barato quando convertido diretamente para reais, o indicador mais relevante costuma ser justamente quanto do salário é necessário para adquiri-lo.
Vídeo mostrou experiência prática – veja abaixo
Em vídeo publicado no canal “América Depois dos 30”, Renato Celestrino percorre os corredores de um supermercado nos Estados Unidos mostrando, produto por produto, quanto custa montar uma compra utilizando apenas o equivalente a um dia de salário mínimo na Flórida.
Durante a gravação, ele apresenta preços de carnes, ovos, leite, arroz, frutas, produtos industrializados e compara o resultado com aquilo que, segundo sua avaliação, seria possível adquirir atualmente no Brasil utilizando o equivalente a um dia de trabalho remunerado pelo salário mínimo.
Salário mínimo no Brasil ainda enfrenta desafios para acompanhar o custo de vida
No Brasil, o salário mínimo nacional está fixado em R$ 1.621 desde 1º de janeiro de 2026, valor que serve de referência para milhões de trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas sociais.
Embora o reajuste anual busque preservar o poder de compra ao considerar a inflação e garantir um ganho real quando possível, especialistas apontam que o aumento nem sempre acompanha a alta dos preços de itens essenciais, como alimentos, moradia, transporte e energia. Esse cenário faz com que comparações internacionais, como a de um carrinho de compras adquirido com apenas um dia de salário mínimo nos Estados Unidos, despertem grande interesse e reacendam o debate sobre o verdadeiro poder de compra da população brasileira.
