Pão francês ganha versão com 12 g de proteína e chega às padarias do Brasil para atender público fitness e usuários de medicamentos para emagrecer; novidade pode custar até três vezes mais que o tradicional

O tradicional pão francês, presença quase diária na mesa dos brasileiros, começou a ganhar uma nova versão em padarias de São Paulo. Desenvolvido para atender consumidores que buscam aumentar a ingestão de proteínas e pessoas que utilizam medicamentos para emagrecimento, o produto chega ao mercado com cerca de 12 gramas de proteína por unidade, mais que o dobro do encontrado no pão francês convencional, mas também com um preço que pode ser até três vezes maior.

A mudança acompanha uma tendência que vem ganhando força no mercado de alimentos. Com o crescimento da procura por produtos ricos em proteínas e da popularização dos chamados medicamentos agonistas do GLP-1 — conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras” —, fabricantes e padarias passaram a investir em receitas capazes de unir praticidade, saciedade e apelo nutricional sem abrir mão de um alimento tradicional do café da manhã brasileiro.

Segundo reportagem exibida pelo SBT Brasil, algumas padarias paulistanas já estão realizando testes com uma farinha enriquecida para produzir o chamado “pão francês proteico”. O objetivo é oferecer um produto que mantenha características como casca crocante e miolo macio, mas com uma composição nutricional mais alinhada às demandas atuais do consumidor.

Mercado de alimentos ricos em proteína cresce impulsionado pela busca por saúde

Nos últimos anos, produtos enriquecidos com proteína deixaram de ser restritos às lojas de suplementos e passaram a ocupar espaço nas gôndolas de supermercados, cafeterias e padarias. Barras proteicas, iogurtes, bebidas lácteas, massas e até sobremesas passaram a destacar a quantidade de proteína como um diferencial competitivo.

Especialistas em comportamento do consumidor apontam que esse movimento foi acelerado pela maior preocupação com alimentação equilibrada, pelo aumento da prática de atividades físicas e também pelo avanço dos medicamentos utilizados para tratamento da obesidade, que frequentemente reduzem o apetite e fazem pacientes priorizarem alimentos com maior densidade nutricional.

Segundo os responsáveis pela produção entrevistados pelo SBT Brasil, a receita utiliza uma farinha especial enriquecida, que acrescenta aproximadamente 10% mais proteína em relação à farinha tradicional utilizada na fabricação do pão francês.

“O pão francês está ganhando cerca de 10% a mais de proteína na farinha”, explicou um dos responsáveis pelo desenvolvimento da receita durante a reportagem.

Produzir um pão mais proteico exige mudanças na receita

Embora pareça uma alteração simples, aumentar o teor de proteína modifica o comportamento da massa durante a fermentação e o processo de forneamento. Por isso, os padeiros ainda trabalham para reproduzir a textura que tornou o pão francês um dos alimentos mais consumidos do país.

Segundo os produtores, os testes já acontecem há cerca de um mês. A maior dificuldade está justamente em equilibrar a nova composição nutricional sem comprometer a experiência do consumidor.

“A gente ainda está procurando uma textura mais próxima do pão francês”, afirmou um dos responsáveis pela produção.

Na prática, algumas diferenças já podem ser percebidas visualmente. O novo pão apresenta formato ligeiramente mais alongado e uma crosta considerada um pouco menos crocante quando comparada à receita tradicional.

Consumidores aprovam sabor apesar das diferenças na textura

Para avaliar a aceitação do produto, a reportagem do SBT Brasil convidou consumidores a experimentar a novidade. Uma das participantes afirmou que esperava encontrar diferenças mais perceptíveis entre as duas versões.

“Eu adorei. Eu não notei diferença alguma na textura, no sabor… inclusive achei até o com a farinha especial mais saboroso do que o pão francês tradicional. Trocaria com toda certeza, ainda mais que eu também sou focada em alimentação saudável”, relatou Natalie durante a reportagem.

A boa aceitação inicial pode favorecer a expansão desse tipo de produto para outras cidades, especialmente em estabelecimentos que já oferecem alimentos integrais, sem glúten ou com foco em alimentação funcional.

O pão continua sendo fonte de carboidratos

Embora o aumento da proteína seja o principal atrativo, nutricionistas lembram que o pão francês continua sendo predominantemente uma fonte de carboidratos.

O enriquecimento da farinha não transforma o alimento em um substituto de refeições completas nem elimina a necessidade de equilíbrio entre proteínas, carboidratos, gorduras, fibras, vitaminas e minerais ao longo do dia.

Segundo a Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA), desenvolvida pela Universidade de São Paulo (USP), um pão francês tradicional possui aproximadamente 50 gramas e fornece, em média, cerca de 130 a 140 calorias, além de aproximadamente 4 a 5 gramas de proteína. A nova versão praticamente dobra esse nutriente, mas não reduz de forma significativa seu valor energético.

Especialistas alertam para os riscos do excesso de proteína

A reportagem também ouviu especialistas que reforçam que consumir mais proteína nem sempre significa uma alimentação mais saudável.

Segundo eles, quando há excesso desse nutriente sem planejamento adequado, o organismo pode deixar de receber quantidades suficientes de outros nutrientes essenciais para o funcionamento do corpo.

“A partir daí eu não tenho essa absorção de nutrientes… eu começo a ter um comprometimento na minha função cognitiva”, explicou um dos especialistas entrevistados pelo SBT Brasil.

Além do impacto sobre o equilíbrio nutricional, profissionais da área lembram que pessoas com doenças renais ou outras condições específicas devem sempre buscar orientação médica ou nutricional antes de aumentar significativamente a ingestão de proteínas.

O preço pode limitar a popularização

Se o sabor parece ter agradado aos primeiros consumidores, o mesmo não acontece com o preço.

A farinha enriquecida utilizada na fabricação possui custo significativamente superior ao da farinha convencional. Como consequência, o pão francês proteico pode chegar ao consumidor custando até três vezes mais que a versão tradicional.

Esse fator pode fazer com que o produto permaneça inicialmente concentrado em padarias premium e estabelecimentos especializados em alimentação saudável, atendendo principalmente consumidores dispostos a pagar mais por conveniência e maior teor proteico.

Tendência acompanha mudanças no comportamento alimentar dos brasileiros

Pesquisas de mercado vêm mostrando um aumento constante da procura por alimentos funcionais e produtos com alegações nutricionais específicas. Além do crescimento da prática esportiva, fatores como envelhecimento da população, maior acesso à informação sobre nutrição e mudanças nos hábitos alimentares também impulsionam esse segmento.

Nesse cenário, alimentos tradicionais vêm sendo reformulados para atender novas demandas sem perder sua identidade. O pão francês passa a integrar uma lista que já inclui leite enriquecido, massas com maior teor proteico, bebidas lácteas, snacks e sobremesas voltadas ao público fitness.

Vale a pena trocar o pão tradicional pela versão proteica?

Especialistas explicam que a resposta depende dos objetivos individuais de cada consumidor. Para quem possui maior necessidade de proteína, como praticantes de atividade física, idosos com recomendação nutricional específica ou pessoas em acompanhamento profissional, o produto pode representar uma alternativa prática.

Por outro lado, nutricionistas lembram que a proteína adicional também pode ser obtida por meio de alimentos como ovos, queijos magros, iogurtes naturais e outras fontes tradicionais, muitas vezes com melhor relação entre custo e benefício.

Vídeo mostra como o novo pão foi desenvolvido

Em reportagem exibida pelo SBT Brasil, produtores explicaram como surgiu a ideia de desenvolver um pão francês enriquecido com proteínas, mostraram os desafios para preservar a textura característica do alimento e ouviram consumidores que participaram dos primeiros testes da novidade. O material também reúne análises de especialistas sobre os benefícios e os cuidados necessários antes de incluir produtos proteicos na rotina alimentar.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional graduado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB) no ano de 2020.Com mais de 15 anos de experiência como redator web, especializou-se na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse público, incluindo grandes investimentos macroeconômicos, economia, negócios no esporte e o impacto de megaprojetos no PIB nacional. Sua dedicação à precisão e relevância tornou seu trabalho uma referência nesses segmentos, ajudando milhares de leitores a se manterem bem informados.