Se tem um assunto que faz todo mundo parar para ouvir é quando o governo fala de aumento do salário mínimo. Afinal, o impacto não fica só na carteira de quem trabalha com carteira assinada. Ele mexe com a vida de mais de 40 milhões de brasileiros, incluindo aposentados, pensionistas e até quem recebe benefícios sociais.
E a grande novidade é que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2026 já trouxe um número que promete movimentar muita conversa: R$ 1.631. Esse seria o novo valor do salário mínimo, caso o Congresso aprove a proposta enviada pelo governo.
Para você entender direitinho — e sem termos complicados — a gente vai explicar de onde vem esse número, quem ganha com isso, como o valor é calculado, e ainda trazer o que dizem os especialistas sobre o valor ideal do salário mínimo.
Prepare o café, porque o assunto é sério, mas a gente vai conversar de um jeito simples, como se estivéssemos numa roda de amigos.
Por que o salário mínimo vai aumentar em 2026?
A primeira coisa que todo mundo pensa é: “Mas por que vai subir? É só porque o governo quer?”
Na verdade, não é tão simples assim. Desde 2023, existe uma nova política de valorização do salário mínimo. Ela garante que o valor seja corrigido pela inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) mais um aumento real baseado no crescimento da economia.
Em bom português:
Se a inflação foi de 4,78%, o salário sobe esse percentual para não perder poder de compra.
Além disso, entra um “bônus” de crescimento econômico — para 2026, a previsão é 2,5% acima da inflação.
Por isso, os R$ 1.631 para 2026 não saíram de um palpite. É conta feita com base nos números oficiais do governo e nas projeções para a economia brasileira.
Quanto o salário mínimo vai subir em relação a 2025?
Hoje, em 2025, o salário mínimo está em R$ 1.518. Se a proposta de R$ 1.631 for confirmada, isso significa um aumento de R$ 113.
Parece pouco? Pois saiba que, para quem ganha um salário mínimo, esse valor faz diferença no fim do mês.
E tem mais: o aumento mexe com tudo o que é benefício social atrelado ao salário mínimo, como:
Ou seja, não é só o trabalhador com carteira assinada que comemora.
Quantos brasileiros serão impactados?
Para você ter ideia do tamanho disso:
Cerca de 28 milhões de aposentados recebem exatamente um salário mínimo.
Outros 12 milhões ganham mais que o mínimo, mas têm o valor reajustado com base no INPC.
Além disso, milhões de beneficiários de programas sociais veem seus pagamentos subirem junto.
No fim das contas, estamos falando de quase 40 milhões de brasileiros diretamente impactados pelo reajuste.
E as aposentadorias que são maiores que o salário mínimo?
Essa é outra dúvida comum. Muita gente pensa que só quem recebe o salário mínimo ganha aumento, mas não é bem assim.
Para quem recebe acima do salário mínimo, o reajuste segue a inflação do ano anterior (INPC).
A diferença é que não entra o aumento real de 2,5%.
Por exemplo: se a inflação em 2025 fechar em 4,5%, esse será o reajuste para aposentadorias acima de R$ 1.518.
E tem mais: o teto do INSS, que hoje está em R$ 8.157,41, também sobe conforme o INPC.
O que é o tal do INPC e por que ele é tão importante?
Se você já ouviu falar em inflação, sabe que ela é a vilã que faz tudo ficar mais caro. O INPC mede exatamente isso, mas com um detalhe:
Ele foca nas famílias que ganham até cinco salários mínimos — ou seja, justamente quem mais sente quando o preço do arroz, do feijão ou da energia sobe.
Por isso, o INPC é o índice usado para corrigir salários, aposentadorias e benefícios sociais.
Qual seria o valor ideal do salário mínimo, segundo o DIEESE?
Agora vem a parte polêmica: o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) calcula, todos os meses, quanto deveria ser o salário mínimo para atender todas as necessidades básicas de uma família com quatro pessoas.
Esse valor inclui moradia, alimentação, saúde, educação, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência.
E sabe quanto o DIEESE diz que deveria ser o salário mínimo?
Em 2025, o valor estimado passa dos R$ 6.900. Isso mesmo, quase sete mil reais.
Ou seja, o salário mínimo oficial ainda está bem longe do que seria considerado “ideal” para uma vida confortável.
Por que o governo não pode simplesmente aumentar para o valor ideal?
Se você está pensando: “Ah, então é só aumentar para R$ 6.900 e pronto!”, calma lá.
O problema é que um aumento tão grande traria um impacto enorme nas contas públicas.
Lembra que milhões de aposentadorias e benefícios sociais são baseados no salário mínimo? Pois é. Se ele subisse para R$ 6.900, o gasto do governo explodiria.
Além disso, muitas empresas, especialmente as pequenas, teriam dificuldade para pagar salários tão altos.
Por isso, o aumento precisa ser gradual e equilibrado, para não gerar inflação e desemprego.
Histórico recente do salário mínimo: de 2020 a 2026
Para entender melhor, olha só como o salário mínimo vem evoluindo nos últimos anos (valores nominais):
| Ano | Valor do salário mínimo |
|---|---|
| 2020 | R$ 1.045 |
| 2021 | R$ 1.100 |
| 2022 | R$ 1.212 |
| 2023 | R$ 1.320 |
| 2024 | R$ 1.412 |
| 2025 | R$ 1.518 |
| 2026* | R$ 1.631 (proposta) |
*Valor de 2026 ainda depende de aprovação.
Perceba que, apesar de subir todo ano, o salário mínimo não acompanha o custo de vida real apontado pelo DIEESE.
Impacto do aumento no bolso dos brasileiros
O aumento para R$ 1.631 pode parecer pequeno, mas ele traz alguns efeitos positivos:
Mais dinheiro circulando na economia – quem ganha salário mínimo tende a gastar tudo no comércio local.
Redução da desigualdade – mesmo que pequena, a alta ajuda famílias de baixa renda.
Ajuste dos benefícios sociais – programas como o BPC e o Bolsa Família acompanham o reajuste.
Por outro lado, também há impactos no orçamento público e nas contas da Previdência.
O que esperar para os próximos anos?
Se a política de valorização continuar, o salário mínimo deve seguir crescendo acima da inflação, mas sem saltos enormes.
A meta do governo é manter um equilíbrio: melhorar a renda da população sem descontrolar a economia.
Economistas acreditam que, até 2030, o salário mínimo pode chegar perto de R$ 2.000, caso a economia cresça como esperado.
Resumo dos principais pontos
O salário mínimo de 2026 deve ser de R$ 1.631, caso aprovado pelo Congresso.
O aumento considera inflação (INPC) e crescimento econômico.
40 milhões de brasileiros serão impactados, entre trabalhadores, aposentados e beneficiários sociais.
O DIEESE aponta que o valor ideal para atender todas as necessidades seria R$ 6.900, bem acima do oficial.
Aposentadorias acima do salário mínimo terão reajuste apenas pela inflação, sem ganho real.
A medida traz efeitos positivos, mas precisa ser equilibrada para não gerar problemas nas contas públicas.
