A partir de fevereiro de 2026, entra em vigor uma atualização que promete reforçar o combate a fraudes financeiras no país. O Banco Central torna obrigatória a nova versão do Mecanismo Especial de Devolução (MED), sistema do Pix criado para rastrear e recuperar valores transferidos em golpes, fraudes ou situações de coerção.
A funcionalidade está disponível de forma facultativa desde 23 de novembro de 2025, mas passa a ser obrigatória para todas as instituições participantes do Pix a partir de 2 de fevereiro de 2026, incluindo bancos, fintechs e instituições de pagamento.
Como funciona o novo MED do Pix
O MED foi lançado originalmente em 2021 com o objetivo de facilitar a devolução de recursos de vítimas de fraude. No modelo atual, a devolução ocorre a partir da primeira conta recebedora. Porém, na prática, criminosos rapidamente transferem o dinheiro para múltiplas contas, dificultando o bloqueio.
Com a atualização, o Banco Central ampliou o alcance da ferramenta:
O MED agora mapeia o caminho do dinheiro, identificando a rota das transferências após o golpe.
As informações são compartilhadas em tempo real entre as instituições envolvidas.
O sistema permite bloqueios sucessivos, reduzindo o prejuízo para a vítima.
A devolução poderá ocorrer em até 11 dias após a contestação, caso haja saldo nas contas envolvidas.
Segundo o Banco Central, o objetivo é “aumentar a eficiência da recuperação dos valores” e “reduzir o incentivo à prática de crimes financeiros ligados ao uso do Pix”.
Botão de contestação já está ativo para vítimas de golpes
Desde 1º de outubro de 2025, o Pix passou a contar com o chamado botão de contestação, integrado ao MED. A função permite que o próprio usuário sinalize a fraude no aplicativo do banco, sem precisar ligar para atendentes.
Com ele, a vítima pode contestar o Pix imediatamente após perceber o golpe, agilizando o bloqueio dos valores. A ferramenta é válida apenas para:
fraude
golpe
coerção
Ou seja, não pode ser usada para arrependimento ou erros comuns, como digitar a chave errada. Essas situações continuam sendo tratadas diretamente entre o pagador e o recebedor.
Como pedir o dinheiro do Pix de volta: passo a passo
Para pedir a devolução via MED, o usuário tem até 80 dias corridos após a transação. O processo funciona assim:
O cliente registra a contestação no aplicativo da instituição financeira.
O banco analisa o caso e, se identificar indícios de fraude, bloqueia os valores disponíveis na conta do recebedor.
A análise dura até 7 dias.
Se não houver fraude, os valores são desbloqueados para o recebedor.
Se for confirmada a fraude, os valores são devolvidos ao pagador em até 96 horas (total ou parcialmente), desde que haja saldo.
Se houver devolução parcial, o banco do fraudador deve realizar múltiplos bloqueios futuros, sempre que novos créditos chegarem, por até 90 dias após a transação original, até completar a devolução.
Esse modelo impede que criminosos utilizem as contas como “contas de passagem”, uma estratégia comum para dificultar o rastreamento do dinheiro.
Por que a mudança é importante
A atualização do MED é considerada um avanço porque:
reduz o tempo de resposta após o golpe
aumenta o percentual de valores recuperados
dificulta o uso de contas laranjas
padroniza o procedimento entre bancos
diminui o impacto financeiro sobre as vítimas
O Pix segue sendo o meio de pagamento mais usado do país, com mais de 160 milhões de usuários e volume crescente de transações, o que torna a implementação de medidas antifraude ainda mais relevante.
