Uma jornada de aproximadamente 13 horas dirigindo, mais de 20 entregas concluídas, US$ 80 em bônus oferecidos pelo aplicativo e um faturamento superior a US$ 200 em apenas um dia. Esses foram os números compartilhados pela brasileira Bia Gomes, que mora na Flórida e registrou toda a rotina trabalhando pelo Uber Eats. O vídeo, publicado em seu canal no YouTube, despertou interesse entre brasileiros que pensam em trabalhar com aplicativos nos Estados Unidos e mostrou que o resultado financeiro depende de estratégia, disponibilidade e conhecimento das regras locais.
Ao longo da gravação, Bia explica que o dia nem começou da forma planejada. Ela tentava conseguir um bloco de entregas na Amazon Flex, mas, diante da falta de oportunidades na região onde mora, decidiu recorrer ao Uber Eats. A mudança de planos acabou rendendo um faturamento que, convertido pela cotação do dia, ultrapassaria a marca de R$ 1 mil, embora esse valor ainda precise ser descontado dos custos da atividade, como combustível, manutenção do veículo, impostos e outras despesas.
O trabalho começou com um contratempo na Amazon Flex
Segundo Bia, a intenção inicial era trabalhar pela Amazon Flex, plataforma bastante utilizada por motoristas independentes nos Estados Unidos. Entretanto, ela não encontrou blocos disponíveis para sua cidade e avaliou que dirigir até municípios vizinhos reduziria demais o lucro devido ao gasto com gasolina.
“Tô saindo super tarde de casa hoje porque eu tô tentando pegar um bloco da Amazon desde ontem e não aparece nada aqui na minha cidade.”
Diante desse cenário, ela decidiu ativar o Uber Eats e iniciar imediatamente as entregas.
A influenciadora afirma que essa flexibilidade é uma das principais vantagens para quem atua na chamada gig economy, modelo baseado em trabalhos temporários ou sob demanda intermediados por aplicativos.
Ter vários aplicativos aumenta as oportunidades
Durante o vídeo, Bia explica que evita depender de apenas uma plataforma.
Além do Uber Eats, ela mantém cadastro em serviços como Amazon Flex, Instacart, Lyft, Roadie e aguarda aprovação em outros aplicativos.
Segundo ela, essa estratégia reduz o risco de ficar sem renda quando uma plataforma apresenta baixa demanda.
“Graças a Deus eu tenho bastante opção, né? Por isso que é importante ter vários aplicativos, porque se um der ruim você tem a opção de trabalhar com o outro.”
A prática, conhecida entre motoristas como multi-apping, é comum entre trabalhadores da economia de aplicativos justamente por permitir alternar entre plataformas conforme o volume de pedidos.
Recusar corridas também faz parte da estratégia
Outro detalhe que chamou atenção foi a baixa taxa de aceitação apresentada por Bia.
No início do expediente, o aplicativo mostrava apenas 1% de taxa de aceitação, resultado das diversas corridas recusadas.
Segundo ela, aceitar qualquer pedido pode diminuir significativamente a rentabilidade.
A estratégia utilizada consiste em aceitar somente entregas cujo pagamento seja, pelo menos, equivalente a US$ 1 por milha percorrida, evitando viagens longas com remuneração considerada baixa.
Essa prática é bastante discutida entre entregadores nos Estados Unidos, onde o custo com combustível e manutenção influencia diretamente o lucro líquido.
Gorjetas representam parte importante da renda
Uma das maiores diferenças entre o trabalho com aplicativos nos Estados Unidos e em muitos outros países é o peso das gorjetas.
No sistema americano, o pagamento básico da plataforma costuma ser relativamente baixo, enquanto a remuneração final depende, em boa parte, da contribuição voluntária do cliente.
Durante a gravação, Bia mostra exemplos práticos.
Em uma entrega, uma corrida que totalizou cerca de US$ 8,97 tinha aproximadamente US$ 6,97 provenientes apenas da gorjeta.
Em outro atendimento, um único cliente deixou US$ 23,32 de gratificação, fazendo com que aquela entrega ultrapassasse os US$ 30 em remuneração.
Segundo a influenciadora, essas gorjetas fazem enorme diferença no faturamento diário.
Missões do aplicativo impulsionaram o resultado
Além das entregas, Bia aproveitou uma campanha promocional do próprio Uber Eats.
A plataforma oferecia bônus para quem alcançasse determinadas metas de produtividade.
Ao completar dez entregas, ela recebeu um bônus adicional de US$ 40.
Depois de concluir a vigésima entrega, ganhou mais US$ 40, totalizando US$ 80 apenas em incentivos da plataforma.
Segundo ela, essas campanhas podem transformar completamente o rendimento de um dia de trabalho.
Nem o almoço interrompeu a rotina
Para não perder tempo durante o período de maior demanda, Bia optou por fazer uma refeição rápida dentro do carro.
Ela comprou dois tacos por cerca de US$ 4 e voltou imediatamente às entregas.
“Isso é muito comum aqui quando a gente tá trabalhando… às vezes a gente come dentro do carro rapidinho de uma casa para outra.”
A rotina evidencia uma característica comum entre trabalhadores de aplicativos: quanto maior o tempo disponível durante os horários de pico, maiores costumam ser as oportunidades de faturamento.
Regras para entregar bebidas alcoólicas são rígidas
O vídeo também mostra algumas exigências específicas da legislação americana.
Ao realizar uma entrega contendo bebidas alcoólicas, Bia precisou apresentar documento de identificação no estabelecimento e escanear o documento do cliente no momento da entrega.
Outro detalhe citado por ela envolve o transporte da carga.
“Pelo menos aqui na Flórida… a gente tem que carregar a bebida alcoólica só no porta-mala, não pode carregar dentro do carro.”
Ela ainda chamou atenção para o rigor da fiscalização de trânsito.
Segundo a brasileira, desrespeitar uma placa de parada obrigatória (“Stop”) pode resultar em multas mesmo quando aparentemente não há outros veículos na via.
Quanto realmente sobra no bolso?
Embora o faturamento bruto tenha ultrapassado US$ 211, especialistas em finanças pessoais lembram que esse valor não representa lucro líquido.
Nos Estados Unidos, trabalhadores de aplicativos normalmente atuam como prestadores de serviço independentes, sendo responsáveis pelos custos com combustível, manutenção do veículo, seguro, impostos e depreciação do automóvel.
No próprio vídeo, Bia mostra que o consumo de combustível foi significativo durante a jornada, reduzindo parte do valor arrecadado ao longo do dia.
Por isso, quem analisa esse tipo de atividade costuma avaliar não apenas a receita obtida, mas também o custo por quilômetro rodado e o ganho efetivo após todas as despesas.
Economia de aplicativos cresce nos Estados Unidos
O modelo de trabalho por aplicativos ganhou força especialmente após a última década e se consolidou como uma importante fonte de renda para milhões de pessoas. Empresas como Uber, Lyft, DoorDash, Instacart e Amazon Flex operam com trabalhadores independentes, que podem escolher seus horários e alternar entre diferentes plataformas conforme a demanda.
Ao mesmo tempo, especialistas destacam que esse formato exige planejamento financeiro, já que não há benefícios tradicionais de um vínculo empregatício, como férias remuneradas, 13º salário ou estabilidade.
Vídeo mostra a rotina completa de uma entregadora brasileira
Em vídeo publicado em seu canal oficial no YouTube, Bia Gomes acompanha toda a jornada de trabalho, desde a tentativa frustrada de conseguir um bloco na Amazon Flex até a conclusão da última entrega do dia. Ao longo da gravação, ela compartilha estratégias para selecionar corridas mais rentáveis, explica como funcionam os bônus do Uber Eats e mostra situações enfrentadas diariamente por entregadores nos Estados Unidos.
Ao encerrar o expediente, a influenciadora resumiu o sentimento após atingir a meta de faturamento.
“Eu comecei o dia bem chateada… que eu não tinha conseguido um bloco da Amazon e Deus abençoou aí que eu ganhasse o mesmo valor do bloco… com o bônus da Uber.”
Para ela, a experiência reforçou a importância de aproveitar os momentos em que um aplicativo apresenta alta demanda. Como resume no próprio vídeo: “Time que tá ganhando a gente não mexe.”
