Jeddah Tower: O renascimento do arranha-céu de 1 km na Arábia Saudita desafia limites da engenharia; veja detalhes da obra

Após sete anos de paralisação, as obras da Jeddah Tower foram retomadas com ritmo acelerado: um novo andar surge a cada três dias,. O projeto, que deve atingir a marca inédita de 1.000 metros de altura até 2028, utiliza tecnologia de fibra de carbono em elevadores e fundações que penetram 110 metros no solo

Após permanecer praticamente abandonada por sete anos, a Jeddah Tower, na Arábia Saudita, voltou a avançar em ritmo acelerado e já é novamente considerada um dos projetos de engenharia mais ambiciosos do planeta. A construção, que havia sido interrompida em 2018 por questões financeiras e operacionais, foi retomada oficialmente em 2025 e agora segue com a meta de ultrapassar 1.000 metros de altura até 2028, tornando-se a primeira estrutura construída pelo homem a romper a marca de um quilômetro vertical.

Segundo análise apresentada pelo canal especializado em engenharia MegaBuilds, o canteiro de obras passou por uma profunda reorganização antes da retomada. Hoje, um novo pavimento é concluído, em média, a cada três ou quatro dias, ritmo que recolocou a torre no centro das discussões mundiais sobre construção civil de grande porte.

Um projeto que parecia abandonado voltou a ganhar velocidade

Durante anos, a Jeddah Tower tornou-se símbolo de um dos maiores projetos inacabados da engenharia moderna.

As obras começaram em 2013, mas foram interrompidas em 2018 quando cerca de 60 pavimentos já haviam sido concluídos. A paralisação ocorreu em meio a mudanças econômicas, disputas envolvendo grandes empreiteiras sauditas e ao processo de reestruturação do projeto urbano que cerca o empreendimento.

Com a retomada oficial em 2025, engenheiros precisaram realizar uma extensa inspeção estrutural para verificar se concreto, aço e fundações permaneceram íntegros após anos expostos ao calor extremo, à umidade e à maresia do Mar Vermelho.

Torre de Jeddah, na Arábia Saudita, tem projeto para alcançar 1 km de altura e se tornar o edifício mais alto do mundo – (Divulgação: Jeddah Economic Company)

Segundo a análise técnica apresentada pelo MegaBuilds, somente após essa auditoria foi autorizada a continuidade da construção.

O objetivo é ultrapassar 1 quilômetro de altura

Quando concluída, a Jeddah Tower deverá atingir pouco mais de 1.000 metros, superando o Burj Khalifa, em Dubai, que atualmente lidera o ranking mundial com 828 metros.

Mais do que estabelecer um novo recorde, o edifício representa uma vitrine da estratégia saudita de diversificação econômica conhecida como Vision 2030, iniciativa que busca reduzir a dependência do petróleo por meio de investimentos em turismo, tecnologia, infraestrutura e desenvolvimento urbano.

A torre será o principal marco arquitetônico da Jeddah Economic City, um megaprojeto planejado para ocupar aproximadamente 5,2 milhões de metros quadrados às margens do Mar Vermelho.

Construir acima de 500 metros exige mudar completamente a engenharia

Um dos maiores desafios aparece quando a construção ultrapassa aproximadamente 500 metros de altura.

Até esse nível, o concreto pode ser bombeado por sistemas de alta pressão. Acima disso, a operação torna-se extremamente lenta, cara e tecnicamente complexa.

Segundo os responsáveis pelo projeto, parte da solução foi substituir o concreto por estruturas metálicas nas seções superiores.

Essa estratégia já havia sido empregada no Burj Khalifa e permite reduzir peso, acelerar a execução e diminuir as limitações impostas pelo bombeamento de concreto em grandes altitudes.

Os números impressionam até especialistas

Os dados do projeto ajudam a dimensionar a escala da obra:

A estrutura deverá ultrapassar 1.000 metros de altura.

O peso estimado chega a aproximadamente 900 mil toneladas.

Mais de 250 mil metros cúbicos de concreto já foram utilizados.

A estrutura emprega cerca de 80 mil toneladas de aço, quantidade equivalente ao peso aproximado de dez Torres Eiffel.

Ao todo, o edifício contará com cerca de 170 pavimentos, entre áreas técnicas e andares utilizáveis.

Torre de Jeddah na Arábia Saudita – (Divulgação: Jeddah Economic Company)

O maior desafio está escondido no subsolo

Embora a altura seja o aspecto mais chamativo, muitos engenheiros consideram que a parte mais complexa da obra está abaixo da superfície.

Ao contrário de outros arranha-céus construídos sobre formações rochosas extremamente resistentes, a região de Jeddah apresenta camadas de areia e calcário.

Para suportar quase um milhão de toneladas, foram instaladas aproximadamente 270 estacas profundas, que chegam a cerca de 110 metros abaixo do solo.

Segundo os engenheiros responsáveis, sensores instalados nas fundações acompanham continuamente deslocamentos milimétricos da estrutura e ajudam a monitorar possíveis efeitos provocados pela proximidade com o mar.

O vento passa a ser um dos principais inimigos

Quanto mais alto um edifício, maior a influência do vento sobre sua estrutura.

Modelagens computacionais indicam que o topo da torre poderá oscilar cerca de dois metros durante tempestades intensas.

Essa movimentação não representa falha estrutural.

Pelo contrário: ela faz parte do projeto.

Os arquitetos adotaram uma geometria inspirada em três pétalas, capaz de reduzir a formação de vórtices de vento e distribuir melhor as cargas aerodinâmicas ao longo da construção.

Elevadores utilizam tecnologia inédita

Transportar pessoas por quase um quilômetro de altura também exigiu inovação.

Os tradicionais cabos de aço tornam-se excessivamente pesados para edifícios dessa dimensão.

Por isso, a fabricante finlandesa KONE desenvolveu para a torre o sistema UltraRope, composto por cabos de fibra de carbono muito mais leves que os convencionais.

Os elevadores poderão atingir velocidades próximas de 36 km/h, enquanto grandes áreas de transferência — conhecidas como sky lobbies — permitirão que os passageiros mudem de elevador para acessar diferentes zonas da torre.

O edifício será praticamente uma cidade vertical

A proposta vai muito além de um arranha-céu corporativo.

Quando estiver concluída, a Jeddah Tower deverá reunir hotel de luxo, centenas de apartamentos residenciais, escritórios, restaurantes, áreas comerciais e um observatório localizado a aproximadamente 630 metros de altura, que poderá se tornar o mirante mais elevado do planeta.

Base da Torre de Jeddah – (Divulgação: Jeddah Economic Company)

Esse conceito segue uma tendência observada em grandes centros urbanos, onde edifícios passam a concentrar moradia, trabalho, lazer e serviços em um único complexo.

O investimento faz parte da transformação econômica saudita

A construção integra a estratégia da Saudi Vision 2030, programa lançado para ampliar a participação de setores não ligados ao petróleo na economia nacional.

Além da Jeddah Tower, o governo saudita investe em projetos como NEOM, The Line, novos aeroportos internacionais, zonas industriais, infraestrutura logística e grandes empreendimentos turísticos voltados para atrair investidores estrangeiros e aumentar a participação do país na economia global.

Segundo autoridades sauditas, esses investimentos fazem parte da meta de transformar o país em um polo internacional de negócios, inovação e turismo nas próximas décadas.

Vídeo mostra os desafios da construção

Em vídeo publicado em seu canal oficial, o MegaBuilds detalha como a retomada das obras exigiu novas inspeções estruturais, explica os desafios de construir acima de 500 metros, mostra as soluções adotadas para reduzir os efeitos do vento e apresenta as tecnologias empregadas nas fundações, elevadores e estrutura metálica da Jeddah Tower.

Se o cronograma atual for mantido, a obra poderá atingir a marca histórica de 1 quilômetro de altura até 2028, consolidando a Jeddah Tower como um dos maiores feitos da engenharia civil moderna e um dos principais símbolos da transformação econômica promovida pela Arábia Saudita.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional graduado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB) no ano de 2020.Com mais de 15 anos de experiência como redator web, especializou-se na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse público, incluindo grandes investimentos macroeconômicos, economia, negócios no esporte e o impacto de megaprojetos no PIB nacional. Sua dedicação à precisão e relevância tornou seu trabalho uma referência nesses segmentos, ajudando milhares de leitores a se manterem bem informados.