Inspirado pelo “Primo Pobre”, Youtuber revela estratégia para usar o FGTS de forma inteligente e explica por que não quita seu apartamento em São Paulo, mesmo tendo recursos suficientes para isso

Em 2021, enquanto boa parte dos influenciadores de finanças defendia que morar de aluguel e investir a diferença era a melhor estratégia para construir patrimônio, Diego tomou uma decisão diferente.

Aos 26 anos, financiou um apartamento de R$ 410 mil, em São Paulo, assumindo uma dívida de 30 anos.

Quatro anos depois, ele afirma que o financiamento foi um dos principais fatores que impulsionaram sua independência financeira e explica por que, do ponto de vista matemático, prefere continuar devendo ao banco em vez de quitar o imóvel.

O criador do canal A Cara da Riqueza conta que sua visão começou a mudar após assistir a conteúdos do influenciador conhecido como Primo Pobre, que ensina estratégias para acelerar a quitação de financiamentos.

No entanto, ao analisar os números do próprio contrato, Diego concluiu que manter a dívida pode ser mais vantajoso financeiramente.

A dívida virou motivação para ganhar mais dinheiro

Segundo Diego, o primeiro impacto do financiamento foi psicológico.

Na época da compra, a parcela inicial era de aproximadamente R$ 2.967, enquanto seu salário girava em torno de R$ 5.600.

Isso significava comprometer mais de 50% da renda, percentual superior ao limite normalmente aceito pelos bancos.

Ele atribui a aprovação do financiamento ao bom relacionamento com a instituição financeira e ao histórico positivo de crédito.

“A pressão de ter agora uma dívida me fez querer ganhar mais, me fez trabalhar mais.”

Segundo ele, deixar a zona de conforto do aluguel serviu como incentivo para buscar promoções, aumentar a renda e iniciar novos projetos.

Em poucos anos, sua remuneração passou de:

  • R$ 5.600;
  • para R$ 8.030;
  • chegando a R$ 14.800 antes da dedicação integral ao YouTube.

Por que ele prefere investir em vez de quitar o apartamento?

O principal argumento de Diego está na diferença entre:

  • a taxa de juros do financiamento;
  • a rentabilidade dos investimentos.

Seu contrato foi firmado com juros efetivos de aproximadamente 6,90% ao ano, utilizando a Tabela SAC.

Enquanto isso, aplicações atreladas à Selic e ao CDI apresentam rendimento superior.

Segundo ele, o dinheiro rende mais investido do que sendo utilizado para amortizar a dívida.

A simulação apresentada pelo investidor

Segundo Diego, o cenário atual funciona da seguinte forma.

Juros pagos no financiamento

Sobre um saldo devedor de aproximadamente R$ 346 mil, ele paga cerca de:

  • R$ 931 por mês em juros.

Rentabilidade dos investimentos

Se o mesmo valor permanecer aplicado no Tesouro Direto ou em investimentos que rendem 100% do CDI, o rendimento mensal chega a aproximadamente:

  • R$ 3.287.

Diferença positiva

Segundo seus cálculos, a estratégia gera um ganho financeiro de cerca de:

  • R$ 1.356 por mês.

“Hoje é uma escolha para mim não amortizar, não quitar, porque eu tenho uma dívida em que os juros dessa dívida são menores do que os juros da rentabilidade do investimento.”

A estratégia com o FGTS

Outro ponto destacado por Diego é o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

Em vez de utilizar o saldo para reduzir o prazo do financiamento, ele prefere usar o benefício para diminuir o valor das parcelas durante um período.

Segundo ele, essa estratégia permite liberar mais dinheiro do orçamento mensal para investir.

Diego chama esse processo de “lavar o FGTS.

Como o FGTS rende aproximadamente 3% ao ano, percentual inferior à inflação e aos investimentos de renda fixa, ele prefere utilizar esse recurso para reduzir o custo mensal do financiamento.

Em um dos períodos, utilizou cerca de:

  • R$ 16 mil do FGTS;

para reduzir a parcela de aproximadamente:

  • R$ 2.900;
  • para cerca de R$ 1.635 durante 12 meses.

O dinheiro economizado passou a ser direcionado para investimentos com rendimento superior.

Financiamento x aluguel em São Paulo

Diego também compara o custo do financiamento com os preços do aluguel na capital paulista.

Segundo ele, os aluguéis registraram aumento de aproximadamente 11% em um ano.

Enquanto isso, as parcelas do seu financiamento pela Tabela SAC diminuem gradualmente ao longo do contrato.

Ele cita como exemplo seu apartamento de:

  • 50 m²;
  • dois quartos.

Segundo Diego, sua parcela gira em torno de:

  • R$ 2.800.

Já apartamentos menores no mesmo condomínio estariam sendo alugados por cerca de:

  • R$ 4.500, sem vaga de garagem.

“Eu estou deixando de jogar no lixo no aluguel R$ 4.500 para pagar uma parcela de R$ 2.800.”

Ele ressalta ainda que parte da parcela corresponde à amortização do imóvel, ou seja, aumenta seu patrimônio.

Patrimônio e independência financeira

Hoje, aos 30 anos, Diego afirma já ter alcançado sua independência financeira.

Segundo ele, sua carteira de investimentos gera uma renda passiva mensal entre:

  • R$ 8.400;
  • e R$ 11.154.

O investidor também revela possuir aproximadamente:

  • R$ 517 mil aplicados apenas no Tesouro Direto.

Esse valor seria suficiente para quitar totalmente o apartamento.

Mesmo assim, ele prefere manter a estratégia enquanto a rentabilidade dos investimentos continuar superior ao custo do financiamento.

Vale a pena fazer o mesmo?

Apesar dos resultados apresentados, Diego destaca que sua estratégia depende das condições do contrato.

Segundo ele, tudo começa pela análise do Custo Efetivo Total (CET) do financiamento.

Sua taxa efetiva gira entre 6,69% e 6,90% ao ano, considerada bastante competitiva.

Por isso, recomenda que cada pessoa avalie cuidadosamente os juros do próprio financiamento antes de decidir entre amortizar a dívida ou investir o dinheiro.

Além dos números, Diego destaca que possuir um imóvel próprio também proporciona benefícios difíceis de mensurar financeiramente.

Segundo ele, a possibilidade de reformar a casa, personalizar o ambiente e viver com mais estabilidade contribui para reduzir a ansiedade e aumentar a produtividade.

“O conforto e aconchego que a gente vai criando melhora a nossa ansiedade e produtividade. Isso conta, mas ninguém coloca na conta.”

O financiamento como ponto de partida

Para Diego, financiar o apartamento foi muito mais do que adquirir um imóvel.

Segundo ele, a responsabilidade de honrar as parcelas serviu como incentivo para aprender sobre investimentos, organizar as finanças e construir patrimônio.

Hoje, mesmo tendo recursos para quitar a dívida, ele acredita que continuar investindo o capital é a estratégia que oferece maior retorno financeiro, desde que a rentabilidade dos investimentos permaneça superior aos juros do financiamento.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional graduado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Possui mais de 15 anos de experiência como redator e criador de conteúdo para portais de notícias.Saulo se especializou na produção de artigos sobre temas de grande interesse social, no âmbito da economia, benefícios sociais e direitos trabalhistas.