Mais uma vez, o governo federal confirmou que aposentados e pensionistas do INSS que recebem acima de um salário mínimo não terão ganho real em 2026. A correção dos benefícios seguirá apenas a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), sem qualquer aumento acima da inflação.
O INPC acumulado de 2025 fechou em 3,9%, segundo dados oficiais divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira, 9 de janeiro. O percentual ficou bem abaixo do reajuste aplicado ao salário mínimo, que teve aumento de 6,79%, reforçando uma diferença que já se repete há vários anos.
Na prática, a política mantém o poder de compra estagnado — e, em muitos casos, reduzido — para quem recebe acima do piso previdenciário, ao mesmo tempo em que amplia o número de beneficiários concentrados no valor mínimo pago pelo INSS.
Reajuste de 3,9% repete modelo adotado nos últimos anos
A fórmula de correção dos benefícios acima do salário mínimo não é nova. Desde 2019, esses pagamentos são reajustados exclusivamente pelo INPC, sem qualquer mecanismo de ganho real, diferente do que ocorre com o salário mínimo, que pode incorporar crescimento do PIB ou decisões políticas do governo.
Em 2026, o cenário se repete:
INPC de 2025: 3,9%
Reajuste do salário mínimo: 6,79%
Diferença entre os índices: quase 3 pontos percentuais
Esse descompasso faz com que aposentados que ganham mais de um salário mínimo percam poder de compra ano após ano, principalmente diante de despesas que costumam crescer acima da inflação média, como medicamentos, planos de saúde e alimentação.
Aposentados acima do mínimo tendem a “encostar” no piso
Especialistas em Previdência apontam que, mantida essa política, o sistema cria um efeito conhecido como “achatamento dos benefícios”. Na prática, aposentados que hoje recebem entre um e dois salários mínimos acabam, ao longo dos anos, sendo gradualmente empurrados para o piso.
Isso acontece porque:
O salário mínimo cresce acima da inflação
Benefícios maiores sobem apenas pelo INPC
A diferença entre eles diminui progressivamente
Com isso, muitos aposentados passam anos contribuindo sobre salários mais altos, mas acabam recebendo valores muito próximos do mínimo ao longo do tempo.
Mais de 60% dos benefícios já estão no valor mínimo
Dados mais recentes da Previdência mostram que aproximadamente 22 milhões de aposentados e pensionistas recebem exatamente um salário mínimo. Esse número representa cerca de 62% do total de 35 milhões de benefícios pagos pelo Regime Geral da Previdência Social (RGPS), sem contar o BPC/LOAS.
O crescimento desse contingente é visto como um reflexo direto da política de reajustes diferenciados, que preserva o piso, mas reduz a relevância dos valores acima dele.
Novo piso do INSS sobe para R$ 1.621,00 em 2026
Com o reajuste de 6,79% do salário mínimo, o novo piso previdenciário passa a ser de R$ 1.621,00, válido desde 1º de janeiro de 2026.
Esse valor representa o mínimo pago pelo INSS para:
Aposentadorias
Pensões por morte
Auxílio-doença
Auxílio-reclusão
Salário-maternidade
Segundo o governo, cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera um impacto de R$ 298,1 milhões nos cofres públicos, o que totaliza cerca de R$ 30 bilhões ao longo de 2026.
Teto do INSS também sobe, mas sem ganho real
Assim como os benefícios intermediários, o teto do INSS também será reajustado apenas pelo INPC. Com a correção de 3,9%, o valor máximo pago pela Previdência deve passar de R$ 8.157,41 para R$ 8.474,55.
O reajuste mantém o poder de compra nominal, mas não compensa aumentos reais no custo de vida, especialmente para quem depende exclusivamente da aposentadoria.
Pagamentos com valores reajustados começam em 26 de janeiro
Os primeiros pagamentos do INSS já com os valores atualizados começam a ser feitos a partir de 26 de janeiro de 2026, seguindo o calendário tradicional baseado no número final do cartão de benefício, desconsiderando o dígito após o traço.
Datas iniciais:
Quem recebe até um salário mínimo: a partir de 26 de janeiro
Quem recebe acima do mínimo: a partir de 2 de fevereiro
O calendário é escalonado porque o INSS realiza:
Um pagamento por dia para quem recebe até o mínimo
Dois grupos por dia para quem recebe acima desse valor
Consulta pode ser feita pelo Meu INSS
Os segurados podem conferir valores, datas de pagamento e extratos detalhados por meio dos canais oficiais do INSS.
A consulta pode ser feita pelo site ou aplicativo Meu INSS, onde é possível:
Ver o valor atualizado do benefício
Conferir o calendário individual de pagamento
Acessar o histórico de créditos
Emitir comprovantes
O acesso exige CPF e senha do Gov.br.

Tabela de descontos do INSS será atualizada pelo INPC
Para janeiro de 2026, as alíquotas de contribuição ao INSS também passam por atualização, seguindo o reajuste de 3,9% do INPC. As faixas valem para trabalhadores da iniciativa privada com carteira assinada, empregados domésticos e trabalhadores avulsos do RGPS.
CLT, domésticos e trabalhador avulso do RGPS:
Até R$ 1.621,00:
Alíquota de 7,5% — Parcela a deduzir: R$ 0,00De R$ 1.621,01 a R$ 2.902,84:
Alíquota de 9% — Parcela a deduzir: R$ 23,65De R$ 2.902,85 a R$ 4.354,27:
Alíquota de 12% — Parcela a deduzir: R$ 110,74De R$ 4.354,28 a R$ 8.475,55:
Alíquota de 14% — Parcela a deduzir: R$ 197,82
As faixas seguem o modelo progressivo aprovado na Reforma da Previdência de 2019, com ajustes anuais vinculados ao salário mínimo e à inflação.
