A fila por benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) atingiu um novo recorde histórico em dezembro, ultrapassando a marca de 3 milhões de requerimentos em espera.
De acordo com o Boletim Estatístico da Previdência Social, divulgado nesta sexta-feira (30), 3.038.956 pessoasaguardavam análise de pedidos como aposentadorias, pensões e auxílios. É o maior número registrado desde o início da série histórica, em 2004.
Crescimento de 49% em relação ao ano anterior
O volume atual representa um aumento de 49% na comparação com dezembro de 2024, quando havia cerca de 2 milhões de requerimentos pendentes.
O avanço acelerado da fila começou a ser observado a partir de dezembro de 2024, quando o total ultrapassou pela primeira vez a marca de 2 milhões. Ao longo de 2025, novos recordes foram registrados quase todos os meses, especialmente a partir de março.
Maioria dos pedidos aguarda análise ou perícia médica
Segundo os dados oficiais, do total de mais de 3 milhões de requerimentos:
2,6 milhões aguardam análise administrativa ou realização de perícia médica inicial
357 mil pedidos estão parados porque os segurados ainda não cumpriram exigências feitas pelo INSS, como apresentação de documentos adicionais
Estão incluídos tanto os processos com menos de 45 dias de espera quanto aqueles que já ultrapassaram esse prazo.
Tempo médio de concessão também aumentou
Além do crescimento da fila, o tempo médio para concessão de benefícios também apresentou alta.
Em novembro, o prazo médio era de 46 dias. Em dezembro, passou para 50 dias, afastando-se da meta estabelecida pelo governo federal.
O prazo máximo de 45 dias havia sido definido em acordo firmado com o Tribunal de Contas da União (TCU), como referência para análise de aposentadorias, pensões e auxílios.
Ministro reconhece problema e promete reação
Durante reunião do Conselho Nacional de Previdência Social, realizada nesta quinta-feira (29), o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, reconheceu publicamente o aumento da fila.
Segundo ele, a situação é prioridade da pasta:
“Continuaremos vendo a fila de maneira prioritária e vamos enfrentar essa fila de maneira efetiva, para que ela seja reduzida rapidamente. São pessoas vulneráveis, que precisam do apoio do Estado e merecem receber uma resposta o mais rápido possível.”
Programas de redução da fila enfrentaram limitações
Nos últimos anos, o governo federal lançou diferentes iniciativas para tentar reduzir a fila de espera do INSS. Uma das principais foi o Programa de Gerenciamento de Benefícios, que previa pagamento extra a servidores e peritos para análise de processos fora do horário regular.
No entanto, o programa foi suspenso temporariamente em outubro, por falta de recursos no orçamento do INSS, o que contribuiu para o aumento do estoque de pedidos pendentes.
Contratação de novos peritos médicos
Entre as medidas anunciadas para enfrentar o problema está o reforço da Perícia Médica Federal.
Em fevereiro deste ano, após quase 15 anos sem contratações, 500 novos peritos médicos federais foram aprovados em concurso público.
A distribuição prioriza regiões com maiores filas:
235 municípios serão atendidos
88 peritos no Norte
268 peritos no Nordeste
O impacto esperado é:
Crescimento de 46,56% na capacidade de atendimento no Norte
Aumento de 36,31% no Nordeste
Expansão de 28% no Centro-Oeste
Ganhos menores no Sudeste (5,2%) e Sul (2,7%), regiões que já concentram mais peritos
Programa de Gestão de Desempenho prevê bônus por produtividade
Outra estratégia adotada é o Programa de Gestão de Desempenho, que autoriza o pagamento de bônus por produtividade, funcionando como uma espécie de hora extra.
Os valores pagos são:
R$ 68 por tarefa adicional para servidores administrativos
R$ 75 por atividade extra para médicos peritos
O objetivo é ampliar a capacidade de análise sem depender exclusivamente de novas contratações.
Mutirões continuam sendo utilizados
Além das ações individuais, o INSS mantém a realização de mutirões conjuntos entre servidores administrativos e a Perícia Médica Federal.
Esses mutirões ocorrem inclusive aos fins de semana e buscam acelerar a análise de processos represados, principalmente em regiões com maior demanda.
Apesar disso, os dados mais recentes mostram que as medidas ainda não foram suficientes para conter o crescimento da fila.
