Faturamento de até R$ 24 mil, técnicas de persuasão, carrinhos de R$ 50 mil e vendas nos semáforos: como vendedores de rua transformaram o comércio informal em negócios que movimentam milhares de reais por mês

Em vídeo viral, influenciador Marcelinho Barros revela os bastidores financeiros de quem vive do comércio informal em Curitiba; lucros podem chegar a R$ 15 mil mensais com técnicas de persuasão e investimento em equipamentos.

Quem passa diariamente por semáforos, parques e avenidas movimentadas costuma enxergar vendedores oferecendo brigadeiros, pães artesanais, churros, água ou caldo de cana. O que muita gente não imagina é que, por trás dessa rotina, existem empreendedores que aplicam técnicas de vendas, investem em equipamentos profissionais e chegam a movimentar até R$ 24 mil em faturamento mensal, segundo relatos apresentados em um vídeo do influenciador Marcelinho Barros, que percorreu Curitiba para conhecer os bastidores do comércio de rua.

Ao conversar com diferentes vendedores, o criador de conteúdo encontrou histórias de pessoas que deixaram empregos formais para empreender nas ruas e hoje administram verdadeiros pequenos negócios. Embora os números variem conforme localização, sazonalidade, clima e fluxo de clientes, os entrevistados afirmam que a profissionalização da atividade mudou completamente a forma de enxergar esse mercado.

De emprego com carteira assinada para faturamento de até R$ 24 mil

Um dos personagens centrais da reportagem é Patrick, vendedor de brigadeiros que afirma ter trocado o emprego formal pela venda nos semáforos após enfrentar dificuldades financeiras e pessoais.

Segundo ele, o diferencial não está apenas na qualidade do produto, mas principalmente na abordagem utilizada durante poucos segundos de contato com os motoristas.

“O segredo não tá em oferecer o doce… Existem técnicas para você convencer ela, conversar com o subconsciente das pessoas para que ela tome a decisão de comprar mesmo sem pensar muito.”

Patrick afirma que seu faturamento mensal já chegou a aproximadamente R$ 24 mil, com margem líquida próxima de 70%, dependendo do período.

Segundo ele, parte importante dos resultados veio após investir em treinamento, desenvolvimento pessoal e técnicas de persuasão voltadas ao atendimento rápido nos semáforos.

O dinheiro da rua financia novos negócios

Durante a entrevista, Patrick explica que não pretende permanecer apenas nas vendas presenciais.

Segundo ele, boa parte do lucro obtido atualmente é reinvestida na produção de conteúdo para redes sociais e na construção de uma marca própria.

“O dinheiro que eu faço na rua eu já tô investindo no digital para alavancar porque isso aqui não é o fim. Isso aqui é uma oportunidade que eu tenho de melhorar.”

Além da produção de vídeos, ele relata investimentos em equipamentos profissionais de gravação e contratação de profissionais para registrar sua rotina.

Carrinho de churros exige investimento semelhante ao de um pequeno negócio

Outro comerciante entrevistado atua há sete anos vendendo churros em um dos principais parques de Curitiba.

Segundo ele, a estrutura necessária para operar atualmente está longe de ser improvisada.

O vendedor afirma que um carrinho moderno pode exigir investimento próximo de R$ 50 mil, considerando veículo, equipamentos, vitrines e estrutura de armazenamento dos produtos.

Apesar do investimento elevado, ele afirma que, nos melhores períodos do ano, especialmente entre dezembro e janeiro, é possível obter renda suficiente para compensar o aporte inicial.

“Dá para viver tranquilo.”

Venda de pães funciona como uma pequena indústria

Outro exemplo apresentado por Marcelinho Barros mostra que alguns negócios já operam praticamente como microempresas.

Daniel Lucas começou vendendo pães artesanais enquanto ainda trabalhava sob regime CLT.

Hoje, segundo ele, existe uma operação organizada envolvendo produção, fermentação, forneamento, embalagem e distribuição para diversos vendedores espalhados pela cidade.

Os pães são produzidos durante a madrugada para chegarem frescos aos pontos de venda logo nas primeiras horas do dia.

Daniel afirma que alguns integrantes da equipe conseguem comercializar mais de 50 unidades diariamente, dependendo do movimento.

Ambição substituiu a ideia de “bico”

Segundo Daniel, permanecer no emprego tradicional deixou de fazer sentido quando percebeu o potencial de crescimento do próprio negócio.

“Eu sou um cara ambicioso. Eu acho que a ambição faz a gente tomar essa decisão, essa coragem de sair desse seguro que a gente tem.”

O relato ilustra uma mudança observada entre parte dos empreendedores informais.

Em vez de enxergar a atividade apenas como complemento de renda, muitos passaram a tratá-la como empresa, investindo em gestão, atendimento e marketing.

Até o caldo de cana precisou se modernizar

A reportagem também acompanhou um vendedor de caldo de cana que atua há mais de três décadas.

Segundo ele, a atividade mudou bastante ao longo dos anos.

As máquinas utilizadas atualmente podem custar entre R$ 4,5 mil e R$ 30 mil, dependendo da capacidade de produção e dos recursos disponíveis.

O comerciante lembra que enfrentou momentos difíceis durante a pandemia, período em que precisou interromper as atividades por longo tempo devido à redução do movimento nas ruas.

O preconceito ainda faz parte da rotina

Apesar dos resultados financeiros apresentados, muitos vendedores afirmam enfrentar julgamentos diariamente.

Patrick conta que diversas pessoas acreditavam que ele estava passando necessidade apenas por vender doces no semáforo.

Segundo ele, essa percepção mudou quando passou a investir também na própria imagem.

“As pessoas têm aquele preconceito… Não têm o conhecimento de que vendas é uma grande oportunidade do cara fazer dinheiro.”

Hoje, ele procura trabalhar sempre bem vestido e manter uma apresentação profissional para transmitir mais confiança aos clientes.

Pix e redes sociais mudaram o comércio de rua

Outra transformação observada nos últimos anos envolve a digitalização das vendas.

O pagamento via Pix eliminou parte da dependência de dinheiro em espécie, facilitando compras rápidas nos semáforos.

Ao mesmo tempo, Instagram, TikTok e YouTube passaram a funcionar como ferramentas de divulgação.

Segundo Patrick, muitos clientes chegam até ele após assistir aos vídeos publicados nas redes sociais, ampliando significativamente o alcance do negócio.

O que dizem os dados sobre o comércio informal?

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a informalidade continua representando parcela significativa do mercado de trabalho brasileiro. Milhões de trabalhadores atuam por conta própria, incluindo vendedores ambulantes, prestadores de serviços e pequenos comerciantes.

Especialistas em empreendedorismo destacam que parte desses profissionais vem adotando práticas antes comuns apenas em empresas estruturadas, como controle financeiro, marketing digital, padronização de atendimento e uso de meios eletrônicos de pagamento.

Ao mesmo tempo, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) ressalta que muitos empreendedores começam na informalidade, mas podem se beneficiar da formalização, especialmente por meio do Microempreendedor Individual (MEI), quando a atividade é permitida. A formalização pode facilitar o acesso a crédito, emissão de notas fiscais e cobertura previdenciária.

Empreender na rua também envolve desafios

Embora os relatos apresentados mostrem faturamentos elevados em alguns casos, especialistas lembram que o desempenho varia conforme localização, sazonalidade, concorrência, clima, custos com mercadorias e regularização da atividade junto ao poder público.

Além disso, diversos municípios possuem regras específicas para ocupação de espaços públicos, exigindo licenças ou autorizações para determinados pontos de venda.

Por isso, antes de iniciar um negócio desse tipo, recomenda-se verificar a legislação municipal e elaborar um planejamento financeiro que considere tanto os períodos de maior movimento quanto os meses de menor demanda.

Vídeo apresenta histórias de quem transformou as ruas em fonte de renda

Em vídeo publicado em seu canal oficial, Marcelinho Barros percorre diferentes pontos de Curitiba para conversar com vendedores ambulantes e conhecer os bastidores de seus negócios. Durante a reportagem, os entrevistados detalham investimentos, estratégias de vendas, desafios da atividade e mostram como utilizam técnicas de atendimento, equipamentos modernos e redes sociais para ampliar o faturamento.

Os relatos revelam que o comércio de rua pode ultrapassar a ideia de renda complementar e se transformar em um empreendimento estruturado. Ao mesmo tempo, reforçam que os resultados apresentados dependem de fatores como experiência, capacidade de gestão, localização, regularização da atividade e dedicação diária, sem representar um padrão garantido para todos os vendedores.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional graduado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB) no ano de 2020.Com mais de 15 anos de experiência como redator web, especializou-se na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse público, incluindo grandes investimentos macroeconômicos, economia, negócios no esporte e o impacto de megaprojetos no PIB nacional. Sua dedicação à precisão e relevância tornou seu trabalho uma referência nesses segmentos, ajudando milhares de leitores a se manterem bem informados.