Eclipse Solar Total na Espanha hoje (12/08): Sérgio Sacani explica detalhes do fenômeno e como acompanhar ao vivo

Especialista viaja para a Europa para registrar o momento em que o dia vira noite; evento terá transmissão especial e contará com a presença de Leandro Karnal na Islândia.

Evento desta quarta-feira passa por Islândia, Espanha e outras áreas do Hemisfério Norte; em Valladolid, a totalidade deve durar cerca de 1 minuto e 27 segundos, enquanto a NASA acompanha o fenômeno com pesquisas sobre a atmosfera do Sol.

O céu de partes da Europa ganha um espetáculo raro nesta quarta-feira (12), quando um eclipse solar total atravessa uma faixa que passa por regiões da Islândia, Espanha, Groenlândia, Rússia e uma pequena área de Portugal. Na Espanha, o fenômeno ocorre perto do pôr do sol, criando uma combinação especialmente marcante: o disco solar desaparece enquanto o horizonte ainda está iluminado.

O divulgador científico Sérgio Sacani acompanha o evento na Europa e explicou os detalhes da observação em conteúdo divulgado pelo programa SpaceCast. A expedição brasileira faz parte de uma mobilização internacional de astrônomos, pesquisadores e entusiastas que viajaram para locais estratégicos em busca de alguns dos poucos minutos em que a Lua cobre completamente o Sol.

O que acontece durante um eclipse solar total

O eclipse solar acontece quando Lua, Terra e Sol ficam alinhados, fazendo com que a Lua passe entre o nosso planeta e a estrela. Quando a posição e a distância dos três corpos permitem que o disco lunar cubra completamente o Sol para um observador localizado na faixa adequada, ocorre a chamada totalidade.

É justamente nesse momento que o fenômeno deixa de ser apenas um eclipse parcial. O céu escurece rapidamente e a coroa solar, a camada mais externa da atmosfera do Sol, torna-se visível ao redor da Lua.

A NASA destaca que os eclipses totais também possuem enorme importância científica. Como a Lua bloqueia a intensa luminosidade da superfície solar, pesquisadores conseguem estudar regiões da coroa que normalmente ficam escondidas pelo brilho do próprio Sol.

Sacani costuma chamar atenção para uma coincidência que torna os eclipses solares particularmente impressionantes. Embora o Sol seja muito maior que a Lua, ele também está muito mais distante da Terra. O resultado é que os dois apresentam tamanhos aparentes semelhantes no céu, permitindo que a Lua consiga cobrir o disco solar.

Espanha vira um dos principais pontos de observação

A Espanha está entre os lugares mais privilegiados para acompanhar o eclipse desta quarta-feira. A faixa de totalidade atravessa diferentes regiões do país e inclui cidades como A Coruña, Bilbao, Zaragoza, Valencia e Valladolid, embora a duração exata da totalidade varie de acordo com a localização.

Em Valladolid, por exemplo, a previsão indica o início do eclipse às 19h34 no horário local, com o máximo às 20h30. A totalidade deve durar aproximadamente 1 minuto e 27 segundos.

A localização também faz diferença porque a altura do Sol no céu diminui à medida que o fenômeno se aproxima do fim do dia. Por isso, quem estiver em determinados pontos da Espanha poderá observar o eclipse próximo ao horizonte, criando um cenário em que o céu escurece enquanto a paisagem ainda mantém características do entardecer.

A própria NASA chama atenção para esse aspecto do evento. Em partes ocidentais da trajetória, o Sol estará se pondo enquanto ainda ocorre o eclipse, criando a possibilidade de um “eclipse no pôr do sol”.

Por que a faixa de totalidade é tão estreita?

Existe uma diferença importante entre observar um eclipse solar e estar dentro da faixa de totalidade. Milhões de pessoas poderão perceber o Sol parcialmente encoberto, mas somente quem estiver sob a sombra central da Lua verá o disco solar completamente bloqueado.

Isso acontece porque a sombra projetada pela Lua sobre a superfície terrestre forma uma região relativamente estreita. Fora dela, o observador permanece na penumbra e vê apenas um eclipse parcial.

É também por isso que cidades relativamente próximas podem apresentar experiências completamente diferentes. Uma localidade pode ter 90% ou 95% do Sol encoberto, enquanto outra, poucos quilômetros distante, pode estar dentro da faixa em que ocorre a totalidade.

Para quem acompanha o trabalho de Sacani, essa diferença explica a chamada “caça ao eclipse”: pesquisadores e fotógrafos escolhem cuidadosamente o ponto de observação para aumentar as chances de experimentar a fase mais rara do fenômeno.

O que muda no ambiente quando o dia escurece

A passagem da sombra lunar provoca uma mudança rápida na luminosidade e pode alterar temporariamente as condições ambientais. A queda da radiação solar pode provocar redução da temperatura e mudanças locais na circulação do ar.

Os animais também podem reagir ao escurecimento repentino. Pássaros, por exemplo, podem interpretar a redução da luz como a chegada da noite e modificar temporariamente seu comportamento.

Sacani chamou atenção justamente para esse aspecto durante sua explicação. “Os pássaros ficam loucos porque, na verdade, escurece”, comentou o divulgador, observando que o ciclo biológico desses animais é fortemente influenciado pela luminosidade.

O fenômeno, portanto, não é apenas uma experiência visual para quem está olhando para o céu. Durante alguns minutos, uma área inteira da superfície terrestre passa por uma mudança ambiental causada pelo deslocamento da sombra da Lua.

A coroa solar é uma das grandes atrações

Um dos momentos mais aguardados durante a totalidade é o aparecimento da coroa solar. Trata-se da atmosfera externa do Sol, extremamente quente e extensa, normalmente difícil de observar diretamente devido à luminosidade muito maior do disco solar.

Durante a totalidade, entretanto, a Lua bloqueia a superfície brilhante da estrela e permite que a estrutura mais tênue da coroa apareça ao redor dela.

A NASA explica que esse é um dos motivos pelos quais os eclipses continuam sendo importantes para a ciência. As observações ajudam pesquisadores a compreender como o calor e a energia são transferidos da atmosfera solar para o espaço e como esses processos estão relacionados ao vento solar.

Sérgio Sacani e a expedição para acompanhar o fenômeno

Em entrevista ao SpaceCast, Sacani detalhou os preparativos para a viagem e explicou por que a escolha do local é tão importante. A previsão meteorológica também pesa na decisão, já que uma região coberta por nuvens pode impedir completamente a observação, mesmo estando dentro da faixa de totalidade.

O especialista também comentou sobre uma segunda frente de observação envolvendo Leandro Karnal, que acompanha o fenômeno a partir da Islândia. A estratégia é diferente porque a faixa de totalidade também atravessa aquela região, permitindo que diferentes equipes registrem o mesmo eclipse de pontos distintos.

Em vídeo e transmissão especial, Sacani deve mostrar os preparativos, explicar o fenômeno e comentar em tempo real aquilo que estiver acontecendo no céu. A observação também permite comparar as características do eclipse vistas em diferentes localidades.

Quem está no Brasil poderá assistir?

O eclipse total não será visível do Brasil como totalidade. A faixa em que a Lua encobre completamente o Sol passa pelo Atlântico Norte e por regiões específicas do Hemisfério Norte, enquanto outras áreas poderão acompanhar apenas uma fase parcial.

Para quem não está na trajetória, transmissões ao vivo são a alternativa mais segura para acompanhar o fenômeno. A NASA também preparou cobertura especial, com imagens e atividades científicas relacionadas ao eclipse.

Há ainda um ponto importante para quem estiver tentando observar qualquer fase parcial: não se deve olhar diretamente para o Sol sem proteção apropriada. Óculos de sol comuns não são suficientes. A orientação da NASA é utilizar filtros e óculos próprios para observação solar e nunca olhar diretamente para o Sol durante as fases em que parte do disco permanece exposta.

A única exceção ocorre durante a fase de totalidade, quando o disco solar está completamente encoberto pela Lua. Assim que qualquer parte do Sol voltar a aparecer, a proteção deve ser recolocada imediatamente.

O próximo grande eclipse já está no calendário

Quem perder o eclipse de 12 de agosto não precisará esperar décadas para encontrar outro grande espetáculo na Espanha. Um novo eclipse solar total ocorrerá em 2 de agosto de 2027, passando novamente por partes do país e também por outras regiões do norte da África, incluindo o Egito.

A diferença é que o eclipse de 2027 terá características distintas de trajetória e duração, o que já movimenta o turismo astronômico na região.

A sequência também mostra por que o evento desta quarta-feira ganhou tanta atenção. Eclipses solares acontecem regularmente em algum ponto da Terra, mas a oportunidade de observar a totalidade em uma determinada região é muito menos frequente.

Um espetáculo de poucos minutos que movimenta a ciência

O eclipse de 12 de agosto reúne turismo, divulgação científica e pesquisa em um único fenômeno. Para o público, existe o espetáculo de ver o dia escurecer; para os pesquisadores, há a oportunidade de estudar uma parte do Sol que normalmente fica escondida pelo intenso brilho da estrela.

Na Espanha, a totalidade terá duração de pouco mais de um minuto em algumas localidades, enquanto em outras será diferente. É pouco tempo, mas suficiente para transformar completamente a aparência do céu.

Para Sacani, a experiência também representa aquilo que torna os eclipses tão especiais: uma combinação precisa entre os movimentos da Terra e da Lua que permite observar, por alguns instantes, a coroa solar diretamente da superfície do planeta.

E, quando a Lua finalmente sair da frente do Sol, o dia volta rapidamente ao normal — mas as imagens daquele céu escurecendo em pleno fim de tarde permanecem como uma das experiências mais incomuns que a astronomia pode oferecer.

Fontes: NASA, Timeanddate e informações divulgadas por Sérgio Sacani e Rogério Vilela no SpaceCast

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional graduado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB) no ano de 2020.Com mais de 15 anos de experiência como redator web, especializou-se na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse público, incluindo grandes investimentos macroeconômicos, economia, negócios no esporte e o impacto de megaprojetos no PIB nacional. Sua dedicação à precisão e relevância tornou seu trabalho uma referência nesses segmentos, ajudando milhares de leitores a se manterem bem informados.