Imagine poder aprender a dirigir com um instrutor particular, sem precisar se matricular em uma autoescola. É exatamente isso que o Ministério dos Transportes quer permitir com a nova proposta que promete revolucionar a forma de tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) no Brasil.
A ideia é simples, mas ousada: tirar a obrigatoriedade das autoescolas e permitir que instrutores autônomos credenciados possam oferecer aulas práticas — tudo supervisionado pelos Detrans estaduais. A medida, segundo o governo, abre espaço no mercado de trabalho e dá mais liberdade aos futuros motoristas.
CNH pode ter mais liberdade para o aluno, mais trabalho para o instrutor
O Ministério dos Transportes foi direto: “A medida irá ampliar as oportunidades de emprego para esses profissionais, além de permitir que o candidato tenha uma opção a mais na hora de escolher como aprender”.
Na prática, o aluno que quiser tirar a CNH poderá optar entre:
Em primeiro lugar, fazer o curso completo em uma autoescola tradicional (CFC); ou
Contratar um instrutor autônomo credenciado pelo Detran, que poderá dar aulas práticas de forma independente.
E o melhor: acabou a carga mínima obrigatória de 20 horas de aulas práticas. O candidato é quem decidirá quanto tempo precisa para se sentir pronto para o exame.
Atualmente, o Brasil prepara mudança histórica na CNH: curso on-line, aulas práticas opcionais e habilitação até 80% mais barata – veja.
Como será a preparação dos novos instrutores autônomos
A princípio, para garantir que o novo sistema seja seguro e eficiente, o Ministério dos Transportes definiu um processo de capacitação obrigatório para quem quiser atuar como instrutor autônomo.
Esses profissionais precisarão:
Passar por um curso com foco pedagógico (para saber ensinar de forma didática);
Aprender a fundo a legislação de trânsito brasileira;
Demonstrar habilidades práticas e responsabilidade na condução de veículos.
Ao final, será aplicada uma prova de aproveitamento, e só quem for aprovado receberá o certificado de conclusão.
Depois disso, o profissional deve solicitar autorização do Detran para atuar legalmente. O nome do instrutor será incluído em um registro oficial do Ministério dos Transportes, garantindo segurança e transparência para quem quiser contratar.
E como o aluno vai saber se o instrutor é de confiança?
Essa é uma das perguntas mais comuns — e a resposta já está prevista.
Os cidadãos poderão consultar se um instrutor que anuncia nas redes sociais ou oferece aulas particulares está realmente credenciado e autorizado.
O sistema será público e atualizado pelos Detrans, permitindo verificar a situação de cada profissional, evitando falsos instrutores e golpes.
Fiscalização: não vai ser bagunça
Mesmo com a flexibilização, o governo quer deixar claro que a fiscalização será rigorosa. Os órgãos de trânsito poderão fiscalizar as aulas a qualquer momento.
Durante cada aula prática, o instrutor autônomo deverá portar:
CNH válida;
Credencial de instrutor ou crachá emitido pelo órgão competente;
Licença de Aprendizagem Veicular (LAV);
Certificado de Registro e Licenciamento do Veículo (CRLV).
Esses documentos devem estar sempre disponíveis durante as aulas, tanto para proteger o aluno quanto para comprovar que o instrutor atua legalmente.
Quem já trabalha em autoescola poderá atuar por conta própria
Outra novidade interessante: os atuais instrutores de autoescola não serão prejudicados.
Eles poderão continuar trabalhando normalmente nos CFCs, mas também terão a opção de atuar de forma autônoma, se quiserem aumentar sua renda.
Isso significa que o mercado deve ficar mais competitivo — e quem ganha com isso é o aluno, que poderá negociar valores e horários diretamente com o instrutor.
Mudanças em discussão: o que já vale e o que ainda é proposta
A proposta foi colocada em consulta pública, encerrada em 2 de novembro de 2025, para ouvir a opinião da sociedade.
O Ministério dos Transportes ainda vai analisar as contribuições antes de definir se a medida será adotada oficialmente em todo o país.
Enquanto isso, o modelo atual da CNH segue valendo — e ele já tem suas próprias novidades desde 2022.
O modelo atual da CNH: moderno e cheio de detalhes de segurança
Desde 2022, o documento de habilitação brasileiro mudou de cara.
A nova CNH vem com tradução em três idiomas (português, inglês e espanhol) e inclui elementos antifraude, como hologramas, QR Code e chips de leitura digital.
Mas o processo para obter a habilitação continua burocrático — e é justamente isso que o governo quer mudar.
Como é o processo atual para tirar a CNH
Atualmente, para se habilitar na categoria B (carros de passeio), o candidato precisa seguir uma série de etapas:
Ter 18 anos completos, saber ler e escrever, e apresentar RG e CPF;
Realizar exames médicos e psicológicos;
Cumprir 45 horas de aulas teóricas em uma autoescola;
Fazer prova teórica no Detran;
Cumprir no mínimo 20 horas de aulas práticas (incluindo condução noturna);
Fazer o exame prático de direção;
Finalizar tudo em até 12 meses — se o prazo vencer, é preciso começar de novo.
O resultado é que, além de caro, o processo pode demorar meses e afastar quem não tem recursos para pagar por todas as etapas.
Sistema de pontuação e suspensão da CNH: como funciona
Mesmo que as regras de obtenção mudem, o sistema de pontuação e penalidades da CNH permanece o mesmo em 2025.
A lógica é simples:
3 pontos: infração leve;
4 pontos: infração média;
5 pontos: grave;
7 pontos: gravíssima.
E o limite total depende do tipo de infração cometida:
40 pontos: se não houver nenhuma infração gravíssima;
30 pontos: se houver uma infração gravíssima;
20 pontos: se houver duas ou mais.
Para os motoristas que exercem atividade remunerada (EAR), o limite é sempre 40 pontos, independentemente do tipo de infração.
Há ainda as infrações autossuspensivas, que resultam na suspensão direta da CNH, como:
Dirigir sob influência de álcool;
Participar de “rachas”;
Recusar o teste do bafômetro.
Pagando multas da CNH: confira o que mudou
Hoje, o pagamento de multas pode ser feito de forma digital, rápida e parcelada.
O condutor pode quitar os débitos à vista ou em até 12 vezes no cartão de crédito, através de empresas credenciadas pela Senatran e pelos Detrans estaduais.
Essa facilidade tem ajudado motoristas a regularizar pendências e evitar a suspensão da habilitação.
A CNH digital já é realidade
Outra revolução que já chegou é a CNH digital, disponível no aplicativo Carteira Digital de Trânsito (CDT).
Ela tem a mesma validade jurídica da versão impressa e pode ser usada em qualquer abordagem policial.
O app também permite:
Consultar infrações;
Emitir o documento do veículo;
Baixar o CRLV digital;
Pagar multas.
Tudo isso na palma da mão, sem precisar pisar em um Detran.
O futuro da CNH pode estar mais perto (e mais simples) do que nunca
Se a proposta for aprovada, tirar a CNH no Brasil pode se tornar um processo mais acessível, rápido e barato, com menos burocracia e mais liberdade para escolher como aprender.
De um lado, o governo reduz a rigidez das regras e abre espaço para novos profissionais.
De outro, os alunos passam a ter mais opções e autonomia sobre sua formação como motoristas.
E, se depender do entusiasmo do Ministério dos Transportes, o novo modelo pode transformar completamente a formação de condutores no país, criando uma nova era para o trânsito brasileiro — mais moderna, flexível e inclusiva.
