O Sul do Brasil entrou em estado de atenção após o Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitir alerta vermelho para áreas do Rio Grande do Sul devido à formação de um ciclone extratropical com intensificação explosiva, conhecido popularmente como ciclone bomba. O fenômeno deve provocar rajadas intensas de vento, temporais com granizo, mar agitado e uma brusca queda nas temperaturas, aumentando o risco de transtornos em diversas regiões do estado.
As explicações foram detalhadas pela meteorologista Thaí Cortez, do INMET, em entrevista ao SBT News. Segundo ela, embora o fenômeno seja relativamente rápido, sua intensidade exige atenção da população, principalmente nas áreas costeiras e em locais sujeitos a ventos fortes.
O que é um ciclone bomba?
Apesar do nome chamar atenção, o ciclone bomba não tem relação com explosões ou fenômenos artificiais.
Na meteorologia, o termo é utilizado quando um ciclone extratropical sofre um processo chamado de ciclogênese explosiva, caracterizado por uma queda muito rápida da pressão atmosférica.
Segundo a meteorologista Thaí Cortez, o diferencial desse sistema está justamente na velocidade com que ele se intensifica.
“O ciclone bomba é diferente do ciclone tradicional. Ele costuma intensificar rapidamente. O ciclone tradicional vai diminuindo a pressão ao longo de dias. Já o ciclone bomba perde cerca de 24 hPa em 24 horas”, explicou durante entrevista ao SBT News.
Esse critério técnico também é adotado pela literatura meteorológica internacional e por órgãos como a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que utilizam a queda acelerada da pressão atmosférica como característica principal da chamada ciclogênese explosiva.
Por que a queda da pressão aumenta a força dos ventos?
A pressão atmosférica funciona como um dos principais motores da circulação do ar.
Quando ocorre uma redução muito rápida da pressão no centro do sistema, aumenta o contraste em relação às áreas vizinhas. Como consequência, os ventos tendem a acelerar para equilibrar essa diferença.
Quanto mais intensa é essa queda de pressão, maior costuma ser a velocidade das rajadas.
Além dos ventos, o processo favorece a formação de nuvens de tempestade, chuvas intensas, descargas elétricas e, em alguns casos, granizo.
Rio Grande do Sul concentra os maiores riscos
Segundo o INMET, o maior impacto deverá ocorrer no litoral e em parte da faixa leste do Rio Grande do Sul.
O ciclone se desenvolve sobre o oceano, mas sua proximidade com o continente influencia diretamente as condições meteorológicas em terra.
Entre os principais riscos previstos estão:
- rajadas intensas de vento;
- temporais com chuva forte em curto intervalo;
- ocorrência de granizo;
- descargas elétricas;
- possibilidade de danos em estruturas e interrupções no fornecimento de energia.
De acordo com Thaí Cortez, a fase mais intensa ocorre entre a tarde e a madrugada, período em que a população deve acompanhar continuamente os avisos oficiais.
Santa Catarina e Paraná também podem sentir os efeitos
Embora o centro do ciclone permaneça próximo ao litoral gaúcho, uma frente fria associada ao sistema avança pelo interior da Região Sul.
Esse deslocamento amplia as condições para ventos fortes e temporais também em Santa Catarina e no Paraná.
Conforme o sistema avança em direção ao oceano, parte da instabilidade também poderá alcançar áreas do Sudeste.
Meteorologistas ressaltam que os efeitos variam conforme a distância em relação ao centro do ciclone e à frente fria associada.
Mar fica extremamente perigoso
Outro ponto de preocupação envolve as condições marítimas.
Como o ciclone se fortalece sobre o Atlântico Sul, a agitação do mar tende a aumentar significativamente.
A Marinha do Brasil costuma emitir avisos específicos para navegantes durante episódios desse tipo, alertando sobre ondas elevadas e ventos intensos que podem comprometer embarcações pesqueiras, esportivas e comerciais.
Especialistas recomendam que pescadores e demais profissionais do setor acompanhem diariamente os avisos meteorológicos antes de sair para o mar.
Depois da tempestade chega o frio intenso
Uma característica comum dos ciclones extratropicais é favorecer a entrada de massas de ar polar logo após sua passagem.
Segundo a meteorologista do INMET, esse será exatamente o cenário previsto para o Sul do Brasil.
“A gente já vai ter a entrada de uma alta pressão que deve proporcionar o declínio da temperatura e até possibilidade de geada no sábado e no domingo”, afirmou.
Com o afastamento do ciclone para o oceano, o ar frio passa a dominar a região, reduzindo rapidamente as temperaturas.
Geadas podem atingir diversas áreas
Segundo previsões do INMET, a combinação entre céu mais aberto, ar seco e temperaturas baixas aumenta o potencial para formação de geadas em diferentes municípios gaúchos durante o fim de semana.
Esse tipo de condição costuma afetar principalmente áreas de maior altitude e regiões da Campanha Gaúcha, Serra e Planalto.
Para produtores rurais, o monitoramento torna-se essencial, especialmente em culturas sensíveis às baixas temperaturas.
Ciclones são comuns no Sul do Brasil
Apesar da repercussão provocada pelo termo “ciclone bomba”, meteorologistas lembram que ciclones extratropicais fazem parte da climatologia do Sul do Brasil.
Esses sistemas se formam principalmente durante o outono e o inverno devido ao encontro entre massas de ar frio e quente sobre o Atlântico Sul.
O que torna alguns episódios excepcionais é justamente a rapidez com que ocorre a queda da pressão atmosférica, aumentando a intensidade dos ventos e dos temporais.
Como a população deve se proteger
Diante do alerta vermelho emitido pelo INMET, especialistas orientam que moradores acompanhem continuamente os avisos oficiais da Defesa Civil e dos serviços meteorológicos.
Durante rajadas intensas, recomenda-se evitar áreas abertas, árvores, estruturas metálicas e locais sujeitos a alagamentos. Também é importante recolher objetos que possam ser lançados pelo vento, proteger veículos contra eventual queda de granizo e adiar atividades marítimas até que o sistema se afaste completamente.
Após a passagem da tempestade, a atenção deve se voltar para o frio intenso, com cuidados especiais para crianças, idosos, pessoas em situação de vulnerabilidade e animais.
Entrevista explica a evolução do fenômeno
Em entrevista concedida ao SBT News, a meteorologista Thaí Cortez, do INMET, detalhou como ocorre a formação do ciclone bomba, explicou por que a queda de pressão acelera os ventos e apresentou o cronograma esperado para a evolução do sistema sobre o Sul do Brasil.
Embora o fenômeno costume durar pouco tempo, especialistas destacam que seus efeitos podem ser severos durante o período de maior intensidade. Por isso, acompanhar os boletins atualizados do INMET, da Defesa Civil e da Marinha é considerado fundamental para reduzir riscos e permitir que a população adote medidas preventivas antes da chegada dos temporais.
