A chuva deve ganhar intensidade nesta quinta-feira (13) em partes do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, mantendo o Sul do Brasil sob atenção para temporais, raios, granizo, rajadas de vento e alagamentos. A previsão apresentada pelo meteorologista Leandro Puchalski indica volumes na faixa de 30 a 50 milímetros em pontos isolados, com possibilidade de acumulados maiores em algumas áreas.
A tendência também aparece nas previsões oficiais. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que a atuação de um cavado voltou a favorecer a formação de instabilidades sobre a Região Sul, com previsão de tempestades. Em Santa Catarina, a Defesa Civil estadual também mantém acompanhamento das condições de chuva e temporais para os próximos dias.
Quinta-feira será marcada pela expansão da chuva
Segundo a análise de Puchalski, a instabilidade começa a atuar com maior destaque no Rio Grande do Sul e tende a avançar durante o dia em direção a Santa Catarina e ao Paraná.
“Só no decorrer da quinta-feira a gente pode ter volumes de chuva na faixa de 30 a 50 mm, alguns pontos até mais do que isso”, explicou o meteorologista. A distribuição, porém, não será uniforme: enquanto algumas cidades podem registrar apenas chuva fraca ou moderada, outras poderão concentrar uma quantidade significativa de água em poucas horas.
Esse tipo de distribuição irregular é comum em sistemas de instabilidade. Uma cidade pode receber pouca chuva enquanto municípios próximos registram temporais e acumulados elevados, especialmente quando há núcleos de tempestade se formando e se deslocando rapidamente.
A previsão do Inmet para a semana de 10 a 17 de agosto já apontava o retorno das instabilidades ao Sul a partir da atuação de um cavado, com possibilidade de tempestades.
Litoral entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina entra no radar
Uma das áreas destacadas por Puchalski é a faixa entre o Litoral Norte gaúcho e o Litoral Sul catarinense. O motivo é a combinação entre chuva persistente e novos volumes previstos, condição que pode aumentar os transtornos em locais onde a drenagem já esteja comprometida.
“Atenção a essa parte: já vem chovendo, os volumes já estão mais altos”, afirmou o meteorologista.
Santa Catarina, inclusive, já registrou episódios recentes de chuva persistente acompanhada de raios, rajadas de vento, granizo e alagamentos pontuais. A Defesa Civil estadual emitiu observações meteorológicas relacionadas a esses fenômenos nos últimos dias.
Isso não significa que toda a faixa litorânea enfrentará problemas, mas áreas com histórico de alagamentos, encostas e rios próximos precisam de atenção redobrada durante episódios consecutivos de chuva.
Santa Catarina pode continuar com chuva na sexta-feira
A instabilidade não deve desaparecer imediatamente depois da passagem da quinta-feira.
Para a sexta-feira (14), a previsão apresentada por Puchalski mantém Santa Catarina entre os estados mais influenciados pela nebulosidade. A circulação dos ventos em diferentes níveis da atmosfera favorece a entrada de umidade e mantém a possibilidade de chuva em diferentes períodos do dia.
“A condição do vento na atmosfera joga muita nebulosidade para dentro do estado”, explicou.
A Defesa Civil de Santa Catarina também aponta continuidade das condições de instabilidade em sua previsão atualizada em 12 de agosto. O órgão estadual mantém o monitoramento das condições meteorológicas e hidrológicas, especialmente diante da possibilidade de chuva forte e temporais.
Paraná ganha importância na sexta-feira
Enquanto a chuva tende a perder força em algumas áreas do Rio Grande do Sul, o Paraná pode ganhar protagonismo no cenário de temporais no fim da semana.
Na avaliação de Puchalski, o risco de tempestades aumenta principalmente na sexta-feira, com atenção especial para áreas do centro e norte paranaense. A formação de tempestades pode trazer, além da chuva intensa, descargas elétricas, rajadas de vento e queda de granizo.
A ocorrência desses fenômenos não significa que eles atingirão todas as cidades da área mencionada. O risco costuma ser localizado, dependendo da evolução das áreas de instabilidade ao longo do dia.
O Simepar, órgão responsável pelo monitoramento meteorológico do Paraná, também acompanha episódios de tempestade e chuva forte no estado. Em atualização recente, o instituto registrou atividade de tempestade com chuva forte e alta incidência de raios no Noroeste paranaense.
Onde existe maior risco de temporais
A análise do meteorologista aponta uma mudança no posicionamento das áreas de maior risco entre quinta e sexta-feira.
Na quinta-feira, a atenção fica principalmente sobre o noroeste do Rio Grande do Sul, oeste e norte de Santa Catarina e centro-sul do Paraná. Já na sexta-feira, o Paraná passa a concentrar uma parcela maior do risco de tempestades.
Em episódios desse tipo, o perigo não está apenas na quantidade total de chuva. Uma tempestade pode provocar transtornos mesmo quando o acumulado diário não parece excepcional, caso uma grande quantidade de água caia em um intervalo curto.
Além disso, raios e rajadas de vento podem provocar quedas de árvores, interrupções no fornecimento de energia e danos em estruturas, enquanto o granizo pode atingir veículos, telhados e plantações.
Solo encharcado aumenta preocupação com deslizamentos
Um dos pontos mais importantes para quem vive em áreas de encosta é observar o acúmulo de chuva ao longo de vários dias, e não apenas a previsão para uma determinada tarde.
Quando o solo recebe água continuamente, sua capacidade de absorção diminui. Em terrenos inclinados, o excesso de água pode elevar a pressão dentro do solo e reduzir sua estabilidade, aumentando a possibilidade de movimentos de massa.
Santa Catarina tem mantido atenção especial para esse tipo de risco. O estado possui inclusive um decreto de alerta climático publicado em maio de 2026, estabelecendo monitoramento contínuo diante da previsão de eventos extremos associados ao El Niño, incluindo precipitações intensas, enchentes, enxurradas e deslizamentos.
Isso ajuda a explicar por que uma chuva que isoladamente não seria suficiente para causar grandes problemas pode se tornar preocupante quando ocorre sobre uma região que já recebeu volumes elevados anteriormente.
Rios e arroios também merecem atenção
A chuva intensa pode provocar uma resposta rápida em arroios, córregos e rios menores, principalmente quando os volumes se concentram em poucas horas.
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul mantém uma estrutura específica para emissão de avisos meteorológicos e hidrológicos e monitora tanto as condições de chuva quanto a evolução dos níveis dos rios.
Para quem mora próximo a cursos d’água, a recomendação é evitar permanecer em áreas sujeitas a alagamento durante tempestades e não tentar atravessar trechos cobertos pela água. A profundidade real e a força da corrente podem ser difíceis de avaliar visualmente.
O que explica essa sequência de instabilidades?
O cenário está relacionado à atuação de sistemas atmosféricos que favorecem a formação e o deslocamento de áreas de instabilidade sobre o Sul.
O Inmet destacou justamente a atuação de um cavado como um dos mecanismos responsáveis pelo retorno das instabilidades na região nesta semana. Esses sistemas podem contribuir para o levantamento do ar e para a formação de nuvens de grande desenvolvimento vertical, capazes de produzir chuva forte e tempestades.
A passagem de sistemas frontais e a disponibilidade de umidade também são fatores importantes para determinar onde a chuva será mais intensa. Por isso, os mapas meteorológicos precisam ser atualizados constantemente.
Não significa que haverá chuva forte em todo o Sul
Um detalhe importante para interpretar a previsão é que alerta meteorológico não significa que todas as cidades terão o mesmo volume de chuva.
Os mapas mostram áreas de maior probabilidade e não determinam exatamente quanto choverá em cada município. Uma cidade pode registrar 10 mm, enquanto outra, relativamente próxima, recebe 50 mm ou mais em razão da formação de uma célula de tempestade.
Por esse motivo, acompanhar a previsão específica para o município nas horas que antecedem o evento é mais útil do que utilizar apenas uma previsão geral para todo o estado.
Em vídeo, Leandro Puchalski detalhou a evolução da chuva
Em atualização publicada em seu canal, Leandro Puchalski analisou os mapas de previsão e chamou atenção para a evolução da chuva entre quinta e sexta-feira. O meteorologista destacou principalmente a possibilidade de acumulados elevados em áreas específicas e a necessidade de cuidado com temporais.
A análise também mostra como o eixo da instabilidade pode mudar ao longo das horas: inicialmente com maior atuação sobre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina e, posteriormente, com maior atenção voltada para o Paraná.
Como a população deve se proteger durante os temporais
Durante uma tempestade, a orientação é procurar abrigo em uma construção segura e evitar áreas abertas, árvores isoladas e estruturas metálicas. Em caso de raios, também é recomendável permanecer longe de janelas e de equipamentos elétricos conectados à tomada.
Motoristas devem redobrar a atenção em pontos sujeitos a alagamentos. Se a água começar a cobrir uma via, o mais seguro é não tentar atravessar, principalmente quando houver correnteza.
Moradores de encostas devem observar sinais como rachaduras novas em paredes ou no terreno, portas e janelas que passam a emperrar, inclinação de árvores ou postes e movimentação anormal do solo. Diante de sinais de instabilidade, a orientação é deixar o local e procurar a Defesa Civil.
Quinta e sexta exigem atenção no Sul
O cenário indicado pelos modelos meteorológicos coloca Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná diante de mais dois dias de instabilidade. O maior risco não está necessariamente em uma chuva generalizada, mas na possibilidade de núcleos de tempestade produzirem volumes elevados em pouco tempo, além de raios, granizo e vento forte.
Com o solo potencialmente mais úmido em áreas que já receberam chuva, a preocupação também se estende aos alagamentos, elevação de pequenos rios e deslizamentos em encostas.
As previsões, entretanto, podem mudar conforme os sistemas atmosféricos evoluem. Por isso, para decisões relacionadas a deslocamentos e segurança, é importante acompanhar os avisos atualizados do Inmet e das Defesas Civis estaduais, que trabalham com dados meteorológicos e hidrológicos atualizados.
