Mais de 4,12 milhões de trabalhadores brasileiros precisaram se afastar temporariamente de suas funções em 2025por motivos de saúde. O dado foi divulgado pelo Ministério da Previdência Social e representa o maior volume de afastamentos desde 2021.
O número supera em 15% os registros de 2024 e reflete o avanço tanto de doenças físicas quanto de transtornos mentais, que resultaram na concessão de benefícios por incapacidade temporária pelo INSS.
Especialistas apontam que o crescimento expressivo dos afastamentos está ligado a mudanças no perfil do trabalho, ao envelhecimento da população ocupada e ao impacto prolongado de fatores como sobrecarga física, estresse e adoecimento psicológico.
Principais doenças que afastaram trabalhadores em 2025
Os dados do INSS mostram que os afastamentos continuam concentrados em problemas osteomusculares e doenças relacionadas à saúde mental. Em 2025, esse padrão se manteve e ganhou ainda mais força.
As doenças osteomusculares, como dores crônicas na coluna, hérnias de disco e lesões por esforço repetitivo, lideraram o ranking de concessões de benefícios. Esse tipo de problema costuma estar associado a atividades que exigem esforço físico intenso, postura inadequada ou movimentos repetitivos.
Ao mesmo tempo, os transtornos mentais ampliaram sua participação nos afastamentos. Casos de ansiedade, depressão e síndrome de burnout apareceram com mais frequência, indicando um novo perfil de adoecimento ligado ao ambiente de trabalho, à pressão por produtividade e à instabilidade econômica.
Especialistas destacam que o crescimento desses quadros revela desafios estruturais na prevenção de doenças ocupacionais e no cuidado com a saúde emocional dos trabalhadores.
Diferenças nos afastamentos entre homens e mulheres
A análise por gênero revela diferenças importantes no perfil dos afastamentos concedidos em 2025.
Entre as mulheres, os principais motivos de afastamento foram:
dores na coluna
transtornos ansiosos
lesões nos discos intervertebrais
Esses quadros refletem tanto a sobrecarga física quanto o impacto emocional associado à dupla jornada de trabalho, que combina atividades profissionais e responsabilidades domésticas.
Já entre os homens, os afastamentos ocorreram principalmente por:
fraturas na perna ou tornozelo
dores nas costas
hérnias de disco
Esses dados indicam maior incidência de acidentes e lesões traumáticas, especialmente em setores como construção civil, indústria e transporte.
No total, o INSS concedeu mais de 2,10 milhões de benefícios a mulheres e pouco mais de 2,02 milhões a homens em 2025, mostrando uma distribuição relativamente equilibrada, mas com causas distintas.
Como funciona o auxílio por incapacidade temporária
O auxílio por incapacidade temporária, antigo auxílio-doença, é um benefício concedido ao trabalhador segurado do INSS que comprova estar temporariamente incapaz de exercer sua atividade profissional.
Para ter direito ao benefício, é necessário:
comprovar afastamento superior a 15 dias consecutivos
passar por perícia médica, que pode ser presencial ou documental
manter a qualidade de segurado e cumprir a carência exigida, salvo exceções legais
A perícia avalia se a incapacidade é temporária ou permanente. Em casos mais graves, o afastamento pode evoluir para aposentadoria por incapacidade permanente.
Como solicitar o benefício ao INSS
O pedido do auxílio por incapacidade temporária pode ser feito pelos canais oficiais:
Meu INSS (site ou aplicativo)
telefone 135, de segunda a sábado
Durante a solicitação, o trabalhador deve apresentar atestados, laudos e exames médicos que comprovem a incapacidade para o trabalho. A análise pode resultar na concessão do benefício, na negativa ou na solicitação de novos documentos.
Impacto no sistema previdenciário e no mercado de trabalho
O aumento expressivo dos afastamentos em 2025 reacendeu o debate sobre saúde ocupacional, condições de trabalhoe prevenção de doenças.
Especialistas afirmam que investir em:
ergonomia no ambiente de trabalho
acompanhamento médico regular
políticas de saúde mental
identificação precoce de sinais de adoecimento
pode reduzir tanto os impactos na saúde dos trabalhadores quanto os custos para o sistema previdenciário.
Além disso, empresas que adotam práticas preventivas tendem a registrar menos afastamentos, menor rotatividade e maior produtividade no longo prazo.
Cenário acende alerta para 2026
Com o recorde de afastamentos em 2025, o cenário para os próximos anos exige atenção do poder público, das empresas e dos próprios trabalhadores. O desafio passa por equilibrar produtividade, bem-estar e sustentabilidade do sistema previdenciário.
O avanço das doenças físicas e mentais mostra que o afastamento não é um fenômeno isolado, mas um reflexo direto das condições de trabalho e do estilo de vida da população ocupada no Brasil.
