STF dá canetada, libera repasse de dados do PIX, e assusta brasileiros

O STF (Supremo Tribunal Federal) deu aval ao Fisco para acessar dados do Pix e outras transações eletrônicas, visando fiscalizar o recolhimento do ICMS. Essa decisão levanta preocupações sobre a privacidade dos cidadãos.

Após votação virtual, os bancos terão que informar aos Fiscos estaduais todas as transações digitais dos clientes. O Confaz alega que a medida busca combater a sonegação fiscal.

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STF – Imagem: SRF/Reprodução.

Ministros contrários à decisão argumentaram que ela pode violar o sigilo bancário garantido pela Constituição, permitindo uma “invasão desproporcional” à privacidade e possíveis abusos fiscais.

“Ao decidir pela constitucionalidade da medida, o STF buscou priorizar o interesse público na eficácia da fiscalização tributária, em especial no combate à evasão fiscal, aspectos que afetam diretamente a arrecadação e, consequentemente, o equilíbrio das contas públicas”, explica Leonardo Roesler, tributarista do RMS Advogados.

Ele acrescenta que a decisão levanta dúvidas sobre sua adequação, num momento em que “o risco de abusos pela administração pública não pode ser ignorado“.

Felippe G. Bernardes, do Grupo Brugnara, teme que a decisão do STF seja vista como “excessivamente invasiva“, opondo contribuintes e entidades ao compartilhamento indiscriminado de dados.

Especialistas preveem que a decisão do STF será contestada judicialmente. Bernardes menciona a possibilidade de questionamentos sobre a falta de autorização judicial individual.

“Trata-se de uma exigência para quebrar sigilo bancário em alguns contextos, o que traz incertezas sobre a legalidade plena da decisão”, afirma.

Inicialmente, essas operações parecem não interessar ao Fisco estadual, por não se relacionarem diretamente ao consumo. Na prática, porém, as dúvidas persistem e abrem espaço para questionamentos.

Ele ressalta que os contribuintes que se sentirem lesados poderão questionar o uso dessas informações sob a ótica da razoabilidade e proteção ao sigilo.

O que é o Pix?

O Pix é um sistema de pagamento instantâneo desenvolvido pelo Banco Central do Brasil, que permite a transferência de fundos entre contas bancárias em questão de segundos, a qualquer hora do dia ou da noite, inclusive em finais de semana e feriados.

A saber, essa ferramenta foi lançada em novembro de 2020 e desde então tem se consolidado como uma alternativa cada vez mais atraente para pessoas físicas e jurídicas realizarem diversos tipos de transações, como transferências, pagamentos de contas e compras.

Para utilizar o sistema, basta que o usuário cadastre sua “chave Pix”, que pode ser o número de telefone, endereço de e-mail, CPF/CNPJ ou até mesmo uma chave aleatória. Essa chave serve como um “endereço” para recebimento de pagamentos Pix.

Ao realizar uma transação, o usuário precisa apenas informar a chave Pix do destinatário, o valor a ser transferido e confirmar a operação. O dinheiro é então transferido de forma instantânea, levando apenas alguns segundos para ser creditado na conta do beneficiário.

O PIX cobra algum valor?

Para pessoas físicas e MEIs, o Pix é gratuito na maioria dos casos. No entanto, algumas situações podem gerar cobrança de tarifas, como o recebimento de mais de 30 Pix mensais por meio de chave Pix, QR Code estático ou inserção manual de dados.

Já para pessoas jurídicas, o serviço do Pix é pago, tanto nas transferências de dinheiro (a empresa paga ao realizar o Pix) quanto nos casos de recebimento de pagamentos (a empresa paga para receber o Pix). As tarifas são definidas livremente pelos bancos e instituições financeiras.

É importante ressaltar que, mesmo com a possibilidade de cobrança de tarifas em alguns casos, o Pix ainda se apresenta como uma opção mais econômica em comparação a outros meios de pagamento, como TED e DOC.

Carolina Ramos Farias

Carolina Ramos Farias

Carolina Ramos Farias é uma profissional apaixonada pela educação e comunicação digital. Graduada em Licenciatura em Ciências Biológicas pelo Departamento de Educação do Campus X da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), ela alia sua formação acadêmica à habilidade com a escrita, atuando como redatora web há mais de cinco anos.Com expertise na criação de conteúdos sobre concursos públicos, benefícios sociais e direitos trabalhistas, Carolina se destaca por sua capacidade de transformar informações complexas em textos claros e acessíveis. Seu compromisso com a disseminação do conhecimento a impulsiona a produzir materiais informativos que ajudam milhares de pessoas a se manterem bem informadas sobre temas essenciais para a vida profissional e social.Ao interpretar legislações trabalhistas, analisar editais de concursos ou detalhar benefícios sociais, Carolina Ramos Farias reafirma sua missão de tornar a informação mais compreensível e relevante para o público.