Você provavelmente já ouviu falar, ou até recebeu, o famoso Auxílio Emergencial, aquele benefício que surgiu em 2020 para dar uma força a milhões de brasileiros durante a pandemia da Covid-19. Ele foi essencial para que muitas famílias conseguissem comprar comida, pagar o gás e até manter as contas básicas em dia em um dos momentos mais difíceis da história recente.
Mas agora, em 2025, o clima é outro. O Governo Federal iniciou uma nova etapa de cobrança para devolução de valores pagos de forma indevida. E olha só: não é pouca gente que está sendo chamada a prestar contas. São exatamente 176.380 brasileiros que receberam uma notificação oficial pedindo a devolução do dinheiro.
E aqui vai um detalhe que tem deixado muita gente nervosa: as mensagens estão chegando por SMS, e-mail e até pelo aplicativo Notifica, diretamente no celular. Imagina abrir o celular e ver que o governo quer que você devolva um dinheiro que já gastou há anos?
Calma. Antes de sair arrancando os cabelos, vamos explicar tim-tim por tim-tim.
Quem realmente precisa devolver o Auxílio Emergencial?
O governo não saiu atirando para todos os lados. Existem critérios específicos para definir quem precisa devolver. Basicamente, foram notificadas as pessoas que, lá em 2020 e 2021, quando receberam o benefício, não se enquadravam nas regras de renda.
De forma clara e simples, a devolução é cobrada de quem:
Tinha renda individual acima de dois salários mínimos;
Estava com carteira assinada ativa no período do recebimento;
Fazia parte de uma família com renda superior ao limite permitido pela lei do programa.
E como o governo sabe disso? Através de cruzamentos de dados fiscais, previdenciários e trabalhistas com ajuda de inteligência artificial e algoritmos. Ou seja: não é chute, é cruzamento de informações.
Como saber se você está na lista da devolução?
Essa é a parte que está deixando os brasileiros mais aflitos. Afinal, como confirmar se o seu CPF entrou nessa lista?
A resposta é: somente no sistema oficial VEJAE (Verificador de Elegibilidade e Justificativa de Auxílio Emergencial). Nada de confiar em links duvidosos que chegam por WhatsApp, viu?
O passo a passo é simples:
Acesse o site oficial do VEJAE;
Faça login usando seu CPF e senha da conta Gov.br;
Veja se existe uma notificação no seu nome;
Confira o valor que o governo está cobrando;
Escolha entre pagar à vista ou parcelar.
Se você achar que a cobrança está errada, o sistema permite até contestar a notificação. Para isso, é preciso anexar documentos que comprovem que, na época, você tinha direito de receber.
O que fazer se você recebeu a notificação do Auxílio Emergencial?
Agora vamos ao que interessa: se você já recebeu a mensagem e caiu para trás de susto, existem três caminhos possíveis:
1. Pagar à vista
Você pode emitir uma guia de pagamento chamada GRU (Guia de Recolhimento da União) diretamente no VEJAE. Ela pode ser paga em qualquer banco ou lotérica.
2. Pedir parcelamento
Caso o valor seja alto e impossível de pagar de uma vez, existe a opção de parcelar em até 60 vezes. Mas atenção: a parcela mínima é de R$ 50.
3. Contestar a cobrança
Se você acha que recebeu o Auxílio dentro das regras, pode apresentar uma defesa administrativa no próprio sistema VEJAE. O prazo é de 30 dias corridos a partir do recebimento da notificação.
Isso inclui o Bolsa Família ou Auxílio Brasil?
Muita gente está confundindo os programas. Mas é bom esclarecer: essa cobrança não tem nada a ver com o Auxílio Brasil (de 2022) ou com o Bolsa Família atual.
A devolução é exclusiva para valores pagos no Auxílio Emergencial (2020 e 2021). Ou seja, nada de Bolsa Família ou Auxílio Brasil entrar nessa jogada.
E se eu não devolver?
Aqui está o ponto que mais assusta. Se o cidadão não pagar nem contestar dentro do prazo, o CPF será inscrito na Dívida Ativa da União.
E o que isso significa, na prática? Significa dor de cabeça.
Você pode ser incluído no CADIN (Cadastro de Inadimplentes do Governo);
Ter nome negativado em serviços de proteção ao crédito, como Serasa;
Sofrer bloqueio judicial de contas bancárias;
Ter dificuldade para conseguir financiamento habitacional ou crédito público.
A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) é quem assume a cobrança a partir desse ponto, podendo até abrir processos judiciais.
Por que o governo está cobrando só agora?
Essa é uma pergunta que muita gente tem feito. Afinal, já se passaram anos desde a pandemia.
O motivo é que o Auxílio Emergencial foi gigantesco. Foram mais de 67 milhões de beneficiários, com pagamentos de até R$ 600 por mês. E, claro, em meio à pressa para colocar o programa no ar, falhas aconteceram.
O Tribunal de Contas da União (TCU), a Controladoria-Geral da União (CGU) e outros órgãos de fiscalização detectaram milhares de casos de pagamentos indevidos.
Desde então, o governo tem feito uma verdadeira “auditoria digital” e, agora, começa a cobrar oficialmente quem recebeu sem ter direito.
Mas e quem já devolveu antes?
Essa também é uma dúvida comum. Muitos brasileiros já devolveram o Auxílio Emergencial em anos anteriores, quando o governo abriu a primeira etapa de cobranças. Se esse é o seu caso, fique tranquilo: quem já quitou não será notificado novamente.
O que especialistas dizem sobre o impacto da medida
Especialistas em direito e em políticas sociais explicam que a devolução é um instrumento de justiça social, mas que pode gerar polêmica.
De um lado, o governo busca recuperar valores pagos de forma indevida, o que alivia os cofres públicos. Do outro, existe o risco de atingir pessoas que estavam em situação de vulnerabilidade real, mas que, por algum detalhe burocrático, acabaram entrando na lista.
Por isso, a recomendação é simples: não ignore a notificação. Entre no VEJAE, veja os detalhes e, se achar injusto, conteste.
Como evitar cair em golpes durante esse processo?
Outro ponto importantíssimo: sempre que há movimentação do governo envolvendo dinheiro, surgem os espertinhos tentando se aproveitar.
Cuidado com links recebidos pelo WhatsApp, mensagens suspeitas ou ligações pedindo pagamento. O único caminho oficial é acessar o VEJAE com login Gov.br.
Se alguém pedir para transferir valores para contas pessoais ou enviar PIX, desconfie na hora.
Passo a passo rápido para não se perder
Recebeu SMS ou e-mail? Não entre em pânico.
Vá direto ao site oficial do VEJAE.
Faça login com CPF e Gov.br.
Veja se existe cobrança em seu nome.
Decida: pagar à vista, parcelar ou contestar.
Lembre-se: o prazo para contestar é de 30 dias corridos.
Auxílio Emergencial: os valores que fizeram a diferença
Quando o Auxílio Emergencial teve a sua criação, em abril de 2020, o Brasil vivia um cenário completamente inesperado: comércio fechado, milhões de trabalhadores informais sem renda, famílias inteiras sem saber como pagariam aluguel, luz, água e até o pão de cada dia.
O governo, pressionado pela situação, lançou o programa às pressas e prometeu dar um alívio imediato. Os valores pagos variaram ao longo dos meses:
Primeira fase (abril a agosto de 2020): parcelas de R$ 600 por mês;
Mães chefes de família: receberam R$ 1.200 mensais;
Segunda fase (setembro a dezembro de 2020): parcelas reduzidas para R$ 300 e R$ 600 para mães chefes de família;
Retomada em 2021: valores de R$ 150 a R$ 375, dependendo da composição familiar.
No total, o governo desembolsou mais de R$ 350 bilhões em pagamentos. É como se cada brasileiro tivesse colocado a mão no bolso e, juntos, bancassem um dos maiores programas de transferência de renda da história do país.
Quantos brasileiros receberam o benefício?
O impacto foi gigantesco. Segundo dados oficiais, mais de 67 milhões de brasileiros receberam ao menos uma parcela do Auxílio Emergencial. Isso significa que praticamente um em cada três habitantes do país foi diretamente beneficiado.
Entre os contemplados estavam:
Trabalhadores informais;
Microempreendedores individuais (MEIs);
Desempregados;
Beneficiários do Bolsa Família, que passaram a receber o valor maior entre os dois programas.
O alcance foi tão grande que até em cidades pequenas e comunidades afastadas o Auxílio chegou como um verdadeiro salva-vidas.
Por que o Auxílio Emergencial foi tão importante?
Para entender a importância, basta lembrar do contexto. Em 2020, as ruas estavam vazias, muitas empresas fecharam as portas e o desemprego disparou. Quem trabalhava por conta própria, como vendedores ambulantes, motoristas de aplicativo, diaristas, pedreiros e tantos outros, simplesmente viu a renda desaparecer do dia para a noite.
O Auxílio Emergencial funcionou como um colchão financeiro. Não era um valor capaz de garantir conforto, mas foi suficiente para que milhões de famílias não passassem fome e conseguissem manter o mínimo necessário.
Pesquisas feitas na época mostraram que boa parte do dinheiro foi usada para:
Compra de alimentos;
Pagamento de contas básicas (água, luz, gás);
Medicamentos;
Aluguel.
E mais: especialistas apontam que o Auxílio não só evitou o colapso de muitas famílias como também impediu que a economia brasileira tivesse uma queda ainda mais brusca. Afinal, o dinheiro circulava no comércio local, ajudando pequenos mercados, farmácias, padarias e até feiras de bairro a manterem algum movimento.
A grandiosidade do programa em números
Para ter uma ideia da proporção:
O Auxílio Emergencial representou, sozinho, quase 4% do PIB brasileiro em 2020;
Foram feitos mais de 293 milhões de pagamentos;
O programa chegou a movimentar R$ 50 bilhões em um único mês;
Famílias inteiras conseguiram sobreviver única e exclusivamente com esse dinheiro.
