Se você é aposentado ou pensionista do INSS, provavelmente já ouviu falar do famoso crédito consignado. Ele é aquele empréstimo com desconto direto no benefício, bem mais fácil de contratar e, muitas vezes, com juros mais baixos.
Até aí, tudo bem. O problema é que nos últimos meses começaram a pipocar histórias de pessoas reclamando que nunca pediram o empréstimo, mas mesmo assim estavam vendo o desconto todo mês no pagamento da aposentadoria.
Foi aí que o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, resolveu botar a boca no trombone. Em uma entrevista à Empresa Brasil de Comunicação (EBC), ele garantiu que o governo está fazendo um verdadeiro pente-fino para descobrir se tem gente ganhando dinheiro em cima dos aposentados de forma indevida.

E não é conversa fiada, não. O ministro deixou bem claro:
“Estamos investigando, olhando com lupa, fazendo um pente-fino nesses consignados. Não queremos saber de fraudes, de descontos indevidos e vamos agir com muito rigor.”
Ou seja, vem mudança por aí — e pode ser grande.
O que está acontecendo com os consignados: as denúncias que acenderam o alerta
Desde que assumiu a pasta da Previdência, em maio, Wolney Queiroz disse que tem recebido uma enxurrada de relatos de aposentados e pensionistas reclamando de contratos que nunca fizeram.
Imagine a situação: você vai conferir o extrato do benefício e descobre um desconto todo mês. Liga para o banco e descobre que é de um empréstimo consignado que você nem sabia que existia.
Parece história de filme de terror financeiro, né? Mas é realidade para muita gente.
E não é pouca coisa. Segundo o ministro, a força-tarefa previdenciária já entregou um relatório sigiloso com suspeitas de irregularidades. O documento está sendo analisado com a Polícia Federal e com instituições como a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e a ABBC (Associação Brasileira de Bancos).
Em bom português: tem gente grande na conversa e, se houver fraude, vai ter desdobramento sério.
A força-tarefa previdenciária: quem está nessa investigação
Se você acha que é só o governo de um lado e os bancos do outro, está enganado. A tal da força-tarefa previdenciária é um grupo de peso, formado por servidores do Ministério da Previdência Social e pela própria Polícia Federal.
E eles não estão de brincadeira. Segundo dados oficiais:
1.315 operações já foram realizadas entre 2003 e 2024.
3.721 prisões aconteceram, sendo 557 de servidores e empregados públicos.
Ou seja, se tem alguém tentando desviar dinheiro ou aplicar golpes, mais cedo ou mais tarde acaba caindo na malha fina.
E, para quem não sabe, a Previdência Social paga mais de R$ 1 trilhão por ano.
Sim, TRILHÃO, com “T” maiúsculo mesmo. Dá para entender por que tanta gente tenta colocar a mão nesse dinheiro, né?
Fraude em consignado: como esses golpes costumam funcionar
Você deve estar se perguntando: “Mas como alguém consegue fazer um empréstimo no meu nome sem eu saber?”
Pois é. O esquema geralmente envolve:
uso indevido de dados pessoais;
falsificação de documentos;
e, em alguns casos, participação de funcionários internos que têm acesso às informações dos beneficiários.
Em situações assim, o aposentado só descobre quando o desconto começa a aparecer no extrato. E até provar que não foi ele quem pediu… bom, o prejuízo já está rolando há meses.
Por isso o governo decidiu colocar lupa nos contratos e apertar os bancos para criar mecanismos de segurança mais rígidos.
Reuniões com bancos e fintechs: o que está sendo discutido
Segundo o ministro, reuniões já estão acontecendo com:
Febraban (que representa os bancos tradicionais);
ABBC (que inclui bancos menores e cooperativas);
e as famosas fintechs, aquelas empresas digitais que oferecem empréstimos via aplicativo.
A ideia é simples:
identificar onde as fraudes estão acontecendo;
reforçar a segurança nos sistemas;
e garantir que nenhum desconto aconteça sem autorização do aposentado.
Wolney Queiroz deixou claro que o governo não vai “passar pano” para ninguém.
O impacto para aposentados e pensionistas: o que pode mudar daqui para frente
Para quem já é aposentado ou pensionista, a boa notícia é que o governo promete mais proteção contra golpes.
Algumas medidas que podem sair dessas investigações incluem:
criação de sistemas de confirmação em duas etapas para liberar empréstimos;
exigência de autenticação digital (como biometria facial) antes de aprovar crédito;
bloqueio imediato de descontos quando houver suspeita de fraude.
Tudo isso deve facilitar a vida de quem realmente precisa do crédito consignado e acabar com a dor de cabeça de quem nunca pediu e mesmo assim está pagando.
E para quem já caiu no golpe? O que fazer agora
Se você é uma das vítimas, o primeiro passo é procurar o INSS.
É possível registrar uma reclamação diretamente no Meu INSS (pelo site ou aplicativo).
Também dá para ligar para o número 135.
Além disso, o Procon e a Defensoria Pública podem ser acionados.
Em muitos casos, os aposentados conseguem a devolução dos valores cobrados indevidamente.
O que muda agora é que, com o governo apertando o cerco, as instituições financeiras vão ter que resolver mais rápido esses problemas.
Por que o pente-fino é tão importante para o Brasil
Muita gente pode pensar: “Ah, mas é só um desconto aqui e outro ali.”
Só que não é bem assim.
Quando falamos de Previdência Social, estamos tratando de milhões de beneficiários e bilhões de reais movimentados todo mês.
Se uma fraude pequena acontece em grande escala, o rombo pode ser gigantesco.
Sem falar no impacto emocional para o aposentado, que muitas vezes depende de cada centavo para comprar remédio ou pagar as contas.

O que esperar das próximas semanas
O ministro Wolney Queiroz já avisou:
As investigações continuam.
As reuniões com bancos e fintechs vão seguir acontecendo.
E o objetivo é criar regras mais rígidas para impedir fraudes.
Pode ser que nas próximas semanas o governo anuncie novos protocolos de segurança e até mudanças na forma como os empréstimos consignados são contratados.
Se isso acontecer, deve ficar mais difícil para golpistas e mais seguro para os aposentados.
