Se você tem R$5.000, R$10.000 ou até mais guardados na poupança ou em qualquer outro investimento, já deve ter ouvido falar dela: a famosíssima Selic.
Mas, afinal, o que é esse nome que parece até marca de remédio para dor de cabeça?
A Selic é simplesmente a taxa básica de juros da economia brasileira. É como se fosse o “chefe” dos juros: tudo o que acontece com ela acaba afetando o resto do país.
Se ela sobe, os bancos aumentam os juros dos empréstimos, o crédito fica mais caro, e a economia dá uma esfriada. Por outro lado, quem tem dinheiro aplicado em renda fixa — como poupança, CDB, Tesouro Direto — acaba sorrindo, porque os rendimentos sobem junto.
E o Comitê de Política Monetária, o Copom, decidiu manter essa taxa em 15% ao ano. Isso é muito? Sim, é muito mesmo! Para você ter uma ideia, há quase 20 anos não víamos a taxa nesse nível.

Por que o Copom decidiu manter a Selic tão alta?
Para entender isso, precisamos dar uma espiadinha no que está acontecendo no Brasil e no mundo.
Segundo o comunicado do Banco Central, existem três grandes motivos:
Cenário internacional complicado: Tem inflação nos Estados Unidos, tensões geopolíticas e incertezas na economia global.
Inflação brasileira ainda alta: O Banco Central tenta manter a inflação na meta. Se os preços sobem demais, aumentar a Selic ajuda a segurar o consumo, e isso faz os preços pararem de subir tão rápido.
Risco fiscal: O governo brasileiro gasta mais do que arrecada, e isso preocupa os investidores. Juros altos acabam atraindo mais dinheiro para o país, equilibrando as contas.
Ou seja: manter a Selic alta é uma forma de segurar a inflação e manter o controle da economia.
E como isso afeta diretamente o seu bolso?
Agora vamos ao que realmente interessa: o que acontece com o seu dinheiro parado na poupança — ou em qualquer outro investimento — quando a Selic está em 15% ao ano?
Porque, no fim das contas, todo esse papo de inflação, economia mundial e risco fiscal só faz sentido se a gente entender como isso mexe no nosso dia a dia.
Com a Selic alta:
A poupança rende mais? Sim, mas ainda perde feio para outros investimentos.
O Tesouro Selic e os CDBs ficam bem mais atrativos.
O cartão de crédito e o cheque especial ficam ainda mais perigosos, porque os juros dessas dívidas vão para as alturas.
Poupança: quanto rende com a Selic a 15% ao ano?
Vamos direto ao ponto. Se você tem R$5.000 ou R$10.000 na poupança, o rendimento anual segue uma regra básica:
Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês + TR (Taxa Referencial).
A TR está quase zerada há anos, então podemos ignorá-la para simplificar.
Fazendo as contas:
R$5.000 rendem cerca de R$25 por mês.
R$10.000 rendem cerca de R$50 por mês.
No ano inteiro, isso dá aproximadamente:
R$5.000 → R$300 de rendimento
R$10.000 → R$600 de rendimento
Parece bom? Pois é… mas não é tão bom assim. Porque existem outras opções que rendem muito mais com praticamente o mesmo risco.
Tesouro Selic: o queridinho da renda fixa
Se você aplicar no Tesouro Selic, que acompanha a taxa básica de juros, o rendimento é bem mais interessante.
Com a Selic a 15%:
R$5.000 podem render perto de R$600 no ano.
R$10.000 podem render mais de R$1.200 no ano.
Ou seja, o dobro do que a poupança paga.
E o risco?
Praticamente zero, porque o Tesouro Selic é garantido pelo governo. A chance de você perder dinheiro nele é menor do que a chance de nevar no Nordeste em pleno janeiro.
CDB, LCI e LCA: como ficam com a Selic alta?
Além do Tesouro Selic, temos os CDBs, LCIs e LCAs.
O CDB paga um percentual do CDI, que anda coladinho na Selic.
Já LCI e LCA têm a vantagem de serem isentos de Imposto de Renda.
Com juros altos, esses investimentos chegam a pagar mais de 100% do CDI, o que pode garantir rendimentos até superiores ao Tesouro Selic, dependendo da instituição.
Se a Selic continuar nesse patamar, os CDBs de bancos médios podem render até 1,2% ao mês, o que dá um resultado bem mais animador para quem tem dinheiro parado.
E o cartão de crédito? Prepare o bolso…
Se, por um lado, a Selic alta faz os investimentos renderem mais, por outro, o crédito fica bem mais caro.
Isso significa:
Juros do cartão de crédito mais altos
Empréstimos pessoais mais caros
Financiamentos pesados para o seu orçamento
Ou seja, com Selic a 15%, ficar devendo é uma péssima ideia. O juro do rotativo do cartão, por exemplo, já passa dos 400% ao ano.
Como ficam os financiamentos e empréstimos?
Se você está pensando em financiar uma casa, um carro ou qualquer outro bem, essa não é a melhor hora.
Com a Selic nesse nível, os juros dos financiamentos disparam, e a parcela pode ficar muito maior do que o esperado.
Quem já tem contrato de financiamento com taxa fixa não sofre alteração, mas quem pretende pegar empréstimo agora vai sentir no bolso.
Inflação, Selic e poder de compra: a relação perigosa
Um detalhe importante: a Selic alta ajuda a controlar a inflação, mas isso não significa que os preços vão cair imediatamente.
Na prática:
A inflação fica mais controlada,
O dinheiro rende mais,
Mas o consumo pode cair porque as pessoas ficam com medo de gastar.
Por isso, o efeito no dia a dia é uma mistura de ganhos nos investimentos e cuidado redobrado com as dívidas.
Qual a melhor estratégia com Selic a 15%?
Se você tem dinheiro sobrando, a palavra de ordem é investir com inteligência.
Algumas dicas:
Tesouro Selic: bom para reserva de emergência.
CDBs e LCIs/LCAs: ótimos para rendimentos acima da poupança.
Tesouro IPCA: protege da inflação e ainda paga juros.
Não deixar tudo na poupança: ela rende pouco e não acompanha a Selic como os outros investimentos.
O que pode acontecer nos próximos meses?
Tudo vai depender de três fatores principais:
Inflação no Brasil
Economia mundial
Contas públicas do governo
Se a inflação começar a cair, o Copom pode reduzir a Selic no futuro. Mas, por enquanto, não há previsão de corte.
Ou seja, os juros devem continuar altos por mais tempo, e isso afeta tudo: desde o preço do pãozinho até a parcela do seu carro.
