Você não vai acreditar no que acontece com quem deixa R$1.000, R$2.000 ou R$3.000 na poupança da Caixa e Banco do Brasil com a SELIC a 15% ao ano: veja os valores reais e se vale a pena

Se existe um hábito que parece passar de geração em geração no Brasil é o de guardar dinheiro na poupança. Desde pequenos, aprendemos que “guardar um dinheirinho” é sinônimo de segurança. E, por muito tempo, isso até fez sentido: a poupança era simples, sem taxas, sem complicações.

Mas, no cenário atual, com a taxa SELIC em 15% ao ano, será que faz sentido manter R$1.000, R$2.000 ou R$3.000 parados na poupança da Caixa Econômica Federal ou do Banco do Brasil? Quanto esse dinheiro realmente rende? A resposta pode te surpreender — e até te fazer repensar onde está aplicando suas economias.

Entendendo a SELIC e o rendimento da poupança da CAIXA e Banco do Brasil

Antes de colocar os números na ponta do lápis, precisamos entender duas coisas:

  1. O que é a SELIC: É a taxa básica de juros da economia. Quando ela sobe, geralmente os investimentos de renda fixa — como CDBs e Tesouro Direto — passam a render mais.

  2. Como a poupança é corrigida:

    • Quando a SELIC está acima de 8,5%, a poupança rende 0,5% ao mês + TR (Taxa Referencial).

    • Quando a SELIC está igual ou abaixo de 8,5%, o cálculo muda e passa a ser 70% da SELIC + TR.

Com a SELIC em 15% ao ano, a regra é a primeira: 0,5% ao mês mais TR. Só que a TR, nos últimos anos, tem ficado praticamente zerada, então a gente pode considerar só os 0,5% para simplificar.

Quanto rendem R$1.000, R$2.000 e R$3.000 na poupança?

Agora vem a parte que todo mundo quer saber: os valores na prática.

  • R$1.000 na poupança rende cerca de R$5 por mês, ou R$60 por ano.

  • R$2.000 rendem em torno de R$10 por mês, ou R$120 por ano.

  • R$3.000 rendem aproximadamente R$15 por mês, ou R$180 por ano.

Isso porque os 0,5% são aplicados todo mês, e os juros são compostos, ou seja, você ganha sobre o valor que já ganhou antes. Mas, mesmo assim, o crescimento é bem devagar.

Comparando com outros investimentos

Com a SELIC em 15%, existem investimentos de renda fixa que acompanham a taxa, como os CDBs 100% do CDI ou o Tesouro Selic, que renderiam algo em torno de 1,1% ao mês — mais do que o dobro da poupança.

Ou seja, se os mesmos R$3.000 fossem investidos em um CDB simples, em vez de R$15 por mês, você poderia ganhar cerca de R$33, praticamente o triplo.

Por que a poupança ainda é tão popular?

Mesmo rendendo pouco, a poupança continua firme e forte na vida dos brasileiros. E tem motivos para isso:

  • É simples: não precisa entender de taxas, corretoras ou aplicativos complicados.

  • É isenta de IR: o rendimento não paga imposto de renda, ao contrário de muitos outros investimentos.

  • Tem liquidez imediata: você pode sacar a qualquer momento sem perder rendimento.

  • É garantida pelo FGC: até R$250 mil por CPF e instituição, seu dinheiro está protegido.

Para quem quer só guardar sem complicação, acaba sendo a escolha mais óbvia — mesmo que não seja a mais rentável.

O “vilão” da história: a inflação

Um detalhe que muita gente esquece é a inflação.

Se o seu dinheiro rende 0,5% ao mês, mas os preços sobem 0,6%, você está perdendo poder de compra. Na prática, isso significa que, apesar de ter mais dinheiro no saldo, ele compra menos coisas no supermercado.

Com a inflação alta, a poupança vira quase um cofre que não acompanha o aumento dos preços. Você não perde dinheiro nominalmente, mas perde valor real.

E se a SELIC cair?

Se a SELIC voltar a cair para menos de 8,5%, a regra da poupança muda: o rendimento passa a ser 70% da SELIC. Isso faria os ganhos ficarem ainda menores.

Por exemplo, com a SELIC a 7%, a poupança renderia 4,9% ao ano, o que dá pouco mais de 0,4% ao mês. Menos que hoje.

Ou seja, a poupança não acompanha os altos e baixos da economia tão bem quanto outros investimentos.

Vale a pena deixar o dinheiro parado na poupança?

Depende do objetivo. Se você quer apenas uma reserva de emergência, para imprevistos, e não tem experiência com investimentos, a poupança até pode servir.

Mas se a ideia é fazer o dinheiro crescer, ela é uma das piores opções disponíveis. Com a SELIC a 15%, existem alternativas seguras e simples, como o Tesouro Selic, que rendem mais e também têm liquidez diária.

O peso da disciplina financeira

Um ponto interessante: mais importante do que onde você aplica, é manter o hábito de guardar dinheiro.

Muita gente não poupa nada e acaba entrando no cartão de crédito ou cheque especial, que cobram juros absurdos — muito acima de 15% ao ano.

Então, se a poupança é o que te faz guardar dinheiro sem gastar, já é um primeiro passo. Depois, dá para migrar para aplicações mais rentáveis.

Simulando a longo prazo

Vamos imaginar que você deixa R$3.000 na poupança por 5 anos, sem fazer novos depósitos.

  • No fim do período, com 0,5% ao mês, você teria cerca de R$3.930.

  • Se fosse em um investimento que rende 1,1% ao mês (como um CDB), teria cerca de R$5.135.

A diferença é grande, e mostra que o tempo é um aliado poderoso para quem investe melhor.

Aqui está o gráfico mostrando a evolução mês a mês dos valores na poupança e no CDB durante um ano. Dá para ver claramente como o CDB, rendendo 1,1% ao mês, supera a poupança (0,5% ao mês) de forma consistente.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.