TRAGÉDIA para quem compra até R$250 na CHINA

SHEIN. Foto: Reprodução

A cobrança de impostos nas compras feitas na China tem sido motivo de questionamentos e debates no Brasil. Com o crescimento do comércio online e o aumento das importações, é importante entender como funciona a taxação desses produtos e as possíveis mudanças que estão por vir.

Desde agosto, já está em vigor uma isenção total de impostos para compras internacionais online abaixo de US$ 50. Acima desse valor, é aplicada uma taxa de importação de 60%. Anteriormente, essa isenção era exclusiva para remessas entre pessoas físicas, mas foi ampliada para compras de empresas para consumidores.

Sob as novas regras, apenas o ICMS, um imposto estadual de 17%, é cobrado sobre produtos como roupas, calçados e itens similares. Empresas como Shein, AliExpress, Mercado Livre, Ebazar e Shopee foram oficialmente autorizadas pela Receita Federal a importar produtos com isenção de impostos, mas sujeitas ao pagamento do ICMS, no âmbito do programa Remessa Conforme.

Essas empresas representam aproximadamente 67% das remessas enviadas ao Brasil entre janeiro e julho de 2023, correspondendo a cerca de 83 milhões dos 123 milhões de remessas durante esse período.

Quem compra até R$250 não era taxado, mas Alckmin confirma FIM da isenção

Até o momento, as compras realizadas na China abaixo do valor de US$ 50 estão isentas de impostos no Brasil. No entanto, o fim dessa isenção está previsto para o final deste ano, segundo anúncio feito por Geraldo Alckmin, vice-presidente do país, durante a reunião inaugural do Fórum MDIC de Comércio e Serviço (FMCS). A data exata para a implementação dessa taxação ainda não foi definida, assim como o percentual do imposto a ser cobrado.

Representantes do varejo brasileiro de empresas estrangeiras têm se posicionado a favor da manutenção da isenção ou da aplicação de uma alíquota reduzida. Por outro lado, o Ministério da Fazenda ainda não se pronunciou sobre a possível revisão da isenção. O projeto de Orçamento de 2024 sugere a reintrodução de um Imposto de Importação de 20%, com o objetivo de arrecadar R$ 2,86 bilhões provenientes desse tributo.

O setor varejista local tem defendido o término da isenção para garantir uma maior equidade tributária entre empresas locais e estrangeiras. Jorge Gonçalves Filho, presidente do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), alertou para os possíveis impactos negativos que a manutenção da isenção poderia trazer, como a perda de mais de 500 mil empregos e reduções salariais.

O IDV apresentou ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, uma análise detalhada da carga tributária no setor varejista, destacando uma tributação total de 109,9% em dez segmentos do varejo, que abrangem desde a produção até a venda. Essa análise busca evidenciar a necessidade de uma revisão nas políticas de isenção e taxação para garantir a competitividade e a sustentabilidade do setor.

O Programa Remessa Conforme

O Programa Remessa Conforme é uma iniciativa da Receita Federal do Brasil que busca regularizar e simplificar o processo de importação de mercadorias por meio de remessas internacionais. Esse programa foi estabelecido com o objetivo de oferecer um sistema mais ágil e descomplicado para importadores, além de fornecer maior segurança jurídica para as transações comerciais internacionais.

Uma das principais vantagens desse programa é a possibilidade de importar produtos de forma simplificada, incluindo compras feitas na China, com a isenção do imposto de importação para valores de até US$ 50. No entanto, acima desse limite, é aplicada a taxa de importação de 60%.

Anteriormente, a isenção para compras abaixo de US$ 50 era exclusiva para remessas entre pessoas físicas, mas o programa expandiu essa possibilidade, agora permitindo que empresas realizem essas transações diretamente com consumidores.

Possíveis Mudanças e Impactos

Com a provável taxação das compras da China acima do valor de US$ 50, é esperado que haja uma mudança no cenário do comércio eletrônico no Brasil. Empresas e consumidores deverão se adaptar a essa nova realidade, considerando os impactos financeiros e logísticos que a taxação pode trazer.

É importante ressaltar que a taxação das compras da China pode afetar tanto a economia brasileira quanto a chinesa. O Brasil é um importante mercado para as empresas chinesas, e a implementação de impostos pode gerar uma redução nas importações e afetar o comércio bilateral. Além disso, empresas brasileiras que vendem produtos importados da China também serão afetadas pelos possíveis aumentos nos custos.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.