Imagine abrir o contracheque e perceber que, além do 13º salário, o governo praticamente liberou um “bônus extra” para você gastar como quiser. Parece sonho? Pois essa é a sensação que milhões de brasileiros podem ter caso a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil seja aprovada na Câmara dos Deputados.
A medida está sendo tratada como uma das mais aguardadas pelos trabalhadores assalariados, principalmente pela classe média, que há anos sente o peso da mordida do Leão.
Como funcionaria essa isenção?
Atualmente, apenas quem ganha até R$ 3.036 por mês (dois salários mínimos) está livre do pagamento do Imposto de Renda. Isso deixa boa parte da população ainda dentro da faixa de tributação, o que gera muita reclamação.
Se a proposta avançar, trabalhadores com renda mensal de até R$ 5 mil não pagarão nada de IR. E não é só isso: essa isenção também valerá para o 13º salário, o que, na prática, representa uma grana a mais no fim do ano.
Valores que parecem um 14º salário
Para deixar ainda mais claro, o governo fez as contas:
Até R$ 5.000 por mês → isenção total, com economia anual de até R$ 4.356,89.
Até R$ 5.500 → isenção de 75%, sobra até R$ 3.367,68 no ano.
Até R$ 6.000 → isenção de 50%, economia de R$ 2.350,79.
Até R$ 6.500 → isenção de 25%, economia de R$ 1.333,90.
Até R$ 7.000 → economia de até R$ 605,86.
Acima de R$ 7.350 → segue tudo como está hoje, com alíquotas progressivas.
Ou seja, para quem está na faixa dos R$ 5 mil, o alívio chega a quase um salário extra por ano. Nada mal, não é?
Dois projetos, uma disputa política
Aqui entra a parte curiosa (e até meio divertida) da política brasileira. Existem dois projetos praticamente idênticos tramitando no Congresso:
O do senador Eduardo Braga (MDB-AM), relatado por Renan Calheiros (MDB-AL);
O do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).
Os dois textos falam da mesma coisa: isenção para quem ganha até R$ 5 mil, taxação sobre lucros e dividendos e criação de um Imposto de Renda Mínimo para grandes fortunas.
Na prática, tanto faz qual dos projetos for aprovado — o impacto para o trabalhador é o mesmo. Mas, como a disputa política entre Lira e Renan Calheiros não é de hoje, pode haver atrasos e jogadas de bastidores.
E por que chamam de “14º salário”?
Tecnicamente não existe um novo salário extra sendo pago. O que acontece é que, ao não descontar o Imposto de Renda do seu 13º, o trabalhador acaba recebendo mais dinheiro limpo na conta.
Na prática, a economia anual pode ser comparada a um pagamento adicional, funcionando como um verdadeiro 14º salário indireto.
Exemplo na vida real
Vamos pegar o caso de um trabalhador que ganha R$ 5.000 por mês. Hoje, ele paga IR sobre o salário e também sobre o 13º. Se a proposta passar, esse desconto deixa de existir e, no fim do ano, ele terá guardado R$ 4.356,89 a mais.
Essa grana pode ser usada para pagar dívidas, investir, fazer uma viagem ou até dar aquela reforminha na casa. É como se o trabalhador recebesse um bônus extra sem precisar negociar com o chefe.
Quem realmente vai se beneficiar?
De acordo com estimativas do governo, cerca de 10 milhões de brasileiros poderão ser beneficiados diretamente já em 2026. A faixa de isenção vai privilegiar principalmente:
Trabalhadores formais da iniciativa privada;
Servidores públicos com salários de até R$ 5 mil;
Aposentados e pensionistas que se enquadram na faixa.
Ou seja, grande parte da classe média entra no bolo.
Mas e os mais ricos?
Se você acha que os mais ricos vão sair rindo à toa, pode esquecer. Os dois projetos também incluem medidas para tributar lucros e dividendos, que hoje são isentos no Brasil desde 1995.
Isso significa que quem ganha mais de R$ 600 mil por ano terá que contribuir com o chamado Imposto de Renda Mínimo (IRPFM).
A ideia é equilibrar a balança: aliviar quem ganha menos e cobrar um pouco mais de quem ganha muito.
Uma mudança que pode reduzir desigualdades
Esse ajuste na tabela do IR não é apenas uma questão de bolso. Especialistas apontam que a medida pode ajudar a reduzir desigualdades no país, já que atualmente a classe média acaba pagando uma fatia desproporcional de imposto, enquanto grandes rendas escapam por brechas.
Além disso, a proposta também segue uma tendência internacional: países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) já tributam lucros e dividendos há muito tempo.
O impacto político da votação
Apesar de parecer algo simples, a votação promete movimentar bastante o Congresso. Isso porque tanto Arthur Lira quanto Renan Calheiros querem carimbar a autoria da conquista.
No fim, o trabalhador não precisa se preocupar com essa briga: independentemente de qual projeto avançar, o resultado no bolso será o mesmo.
E quando isso começa a valer?
A previsão é de que a medida comece a ter efeito em 2026, já que o governo precisa organizar as contas e ajustar o orçamento.
Por isso, ainda não adianta esperar essa economia no contracheque de 2025. Mas a perspectiva de começar o ano seguinte com um “bônus invisível” já anima muita gente.
Reações da população
Nas redes sociais, o assunto já vem sendo comparado a um presente inesperado. Muitos trabalhadores falam em finalmente ter um alívio para o orçamento doméstico.
Outros, claro, demonstram desconfiança: afinal, até ver o dinheiro sobrando no final do mês, o brasileiro costuma adotar a filosofia do “só acredito vendo”.
Como o governo vai bancar essa conta?
Esse é um dos pontos mais debatidos. Para compensar a isenção, a equipe econômica aposta justamente na tributação dos lucros e dividendos e na criação do IR mínimo para grandes fortunas.
Ou seja, a ideia é transferir parte da carga tributária da classe média para os que estão no topo da pirâmide.
Resumindo em poucas palavras
Quem ganha até R$ 5 mil: isenção total e economia de até R$ 4,3 mil por ano;
Quem ganha até R$ 7 mil: ainda terá algum alívio;
Quem ganha mais que isso: segue pagando IR normalmente, mas pode ser afetado por novos impostos sobre lucros.
O resultado prático? Uma sensação de 14º salário extra, principalmente para quem ganha até R$ 5 mil.
