Reajuste da aposentadoria do INSS em 2026 decepciona e reduz expectativa de ganho real
A princípio, a nova estimativa do governo para o salário mínimo de 2026 acendeu um alerta entre aposentados e pensionistas que dependem exclusivamente do INSS para manter o orçamento familiar. Isso porque o valor previsto passou de R$ 1.631 para R$ 1.627, após a atualização das projeções de inflação. A mudança parece pequena, mas tem impacto direto no bolso de milhões de brasileiros.
Antes de mais nada, vale destacar que a regra atual de reajuste do salário mínimo considera a inflação medida pelo INPC, somada ao crescimento do PIB de dois anos anteriores. Entretanto, como a prévia inflacionária veio menor que o esperado, o cálculo precisou ser reduzido. Dessa forma, o aumento real diminuiu e o valor final ficou abaixo do que vinha sendo projetado ao longo do ano.
Por que o salário mínimo caiu de R$ 1.631 para R$ 1.627?
O governo revisou as estimativas econômicas e identificou que a inflação deve fechar 2025 um pouco abaixo das previsões iniciais. Ou seja, o índice que corrige o salário mínimo perdeu força e puxou o reajuste para baixo. Esse movimento, apesar de técnico, mexe automaticamente com os pagamentos do INSS.
Em primeiro lugar, todo segurado que recebe benefícios no piso previdenciário será reajustado exatamente pelo mesmo valor do salário mínimo. Isso inclui aposentadorias básicas, pensões por morte, auxílio-doença, auxílio-reclusão e BPC/LOAS. Portanto, o piso de R$ 1.627 deve ser o valor mínimo a ser pago em janeiro de 2026.
Além disso, os benefícios acima do salário mínimo também sofrem impacto indireto, já que a previsão do governo aponta para um reajuste de 4,66% nessas faixas. Em conclusão, o aumento será modesto, insuficiente para garantir ganho real expressivo.
Impacto do reajuste para aposentados de 60, 61, 62, 63 anos ou mais
A saber, grande parte dos beneficiários do INSS está acima dos 60 anos e utiliza a renda mensal para despesas essenciais, como remédios, alimentação e contas domésticas. Por isso, a redução na projeção do piso previdenciário provocou frustração em quem esperava um aumento maior.
Em primeiro lugar, os beneficiários vão perceber que o reajuste não acompanha a alta de preços de serviços essenciais, como energia, aluguel e alimentação — itens que costumam pressionar o orçamento dos idosos com mais intensidade. Portanto, o ganho real fica limitado.
Por outro lado, apesar de tímido, o reajuste impede uma perda ainda maior do poder de compra, especialmente considerando o cenário econômico de inflação mais controlada. Esse fator contribuiu para que o piso não fosse reduzido ainda mais.
Como o novo salário mínimo afeta pensões e auxílios do INSS?
O valor de R$ 1.627 também reajusta automaticamente outras faixas de pagamento. Veja as principais:
Pensão por morte: nenhuma pensão pode ser inferior ao valor do salário mínimo;
Auxílio-doença: segue o mesmo piso;
Auxílio-reclusão: pago com base no salário mínimo;
Abono anual (13º do INSS): calculado sobre o valor do benefício atualizado;
BPC/LOAS: pago integralmente no piso previdenciário.
Desse modo, mesmo que o ganho seja pequeno, todas essas modalidades de benefício serão atualizadas.
Reajuste acima do mínimo: quem recebe mais vai ganhar quanto?
No caso dos segurados que recebem acima de R$ 1.627, o governo prevê reajuste baseado na inflação acumulada: 4,66%. Apesar de preservar o poder de compra, o percentual não representa vantagem real. Para quem ganha, por exemplo, R$ 2.000, o novo valor seria algo em torno de R$ 2.093.
Ou seja, na prática, o aposentado recebe mais, mas continua lidando com um orçamento apertado.
Margem consignável aumenta: crédito pode subir, mas riscos também
O novo piso previdenciário mexe automaticamente com a margem consignável, que é a porcentagem da renda destinada ao pagamento de empréstimos descontados direto na folha.
Hoje, aposentados e pensionistas podem comprometer:
35% da renda com crédito consignado
5% com cartão consignado
5% com cartão benefício
Com o salário mínimo maior, ainda que pouco, a parcela máxima autorizada também sobe. Em outras palavras, isso aumenta a capacidade de contratação de empréstimos.
No entanto, especialistas alertam que esse ponto exige cautela. Em primeiro lugar, porque muitos idosos já utilizam boa parte da renda para pagar dívidas. Além disso, parcelas longas podem comprometer o orçamento por anos, especialmente em um cenário de juros ainda elevados no consignado.
Por que o governo prefere manter reajustes mais contidos?
O impacto fiscal é a chave dessa discussão. Antes de mais nada, a Previdência Social responde por uma das maiores fatias do orçamento público. Cada real adicional no salário mínimo gera bilhões em despesas ao ano. Em um momento de contenção fiscal, o governo opta por ajustes mais moderados.
A princípio, isso ajuda a manter as contas públicas sob controle. Por fim, garante previsibilidade para o orçamento federal e evita desequilíbrios que poderiam gerar cortes em outras áreas ou aumento de tributos.
Aposentados ganham, mas sem grande avanço no poder de compra
Embora o reajuste preserve o mínimo essencial, ele não representa um salto significativo no padrão de consumo da população idosa. A saber, aposentados e pensionistas ainda enfrentam alta expressiva no custo de vida, especialmente em itens como:
medicamentos;
plano de saúde;
alimentação;
transporte;
energia elétrica.
Ou seja, o novo salário mínimo de R$ 1.627 chega como alívio moderado, mas ainda longe de oferecer a recuperação financeira esperada por milhões de brasileiros que dependem exclusivamente do INSS.
