Se você tem uma conta no Itaú e isso acontecer hoje, você deve ligar para o banco imediatamente

Nos últimos meses, o golpe da falsa central de atendimento voltou a ganhar força e, segundo o Itaú Unibanco, tem se tornado uma das fraudes mais sofisticadas do momento.

A saber, criminosos estão usando informações verdadeiras sobre os clientes para dar credibilidade à história e induzir as vítimas a fornecer dados confidenciais.

O caso preocupa porque o contato parece legítimo: a ligação vem com o número do próprio Itaú, a voz é profissional e o discurso soa convincente. Mas tudo não passa de um truque elaborado que mistura engenharia social, spoofing (falsificação de número de telefone) e pressão psicológica.

Como o golpe da falsa central começa

A fraude geralmente começa de forma simples: uma ligação, SMS ou mensagem de WhatsApp que parece vir do Itaú. O golpista se apresenta como funcionário do banco e informa que detectou uma movimentação suspeita na conta ou no cartão de crédito da vítima.

Para dar urgência ao caso, ele inventa uma compra de alto valor — “uma TV de R$ 4.500 em São Paulo”, por exemplo — e diz que é necessário agir imediatamente para evitar o prejuízo.

A partir daí, a vítima é envolvida num roteiro cuidadosamente planejado.

O roteiro do golpe passo a passo

1. O contato inicial

O criminoso usa técnicas de spoofing para que o número exibido na tela seja idêntico ao do Itaú oficial. Isso faz o cliente acreditar que está falando com a central verdadeira.

2. O gatilho da urgência

O golpista fala com autoridade e usa um tom de voz firme. Ele afirma que há uma compra suspeita em andamento e que, para cancelá-la, o cliente precisa seguir algumas instruções “de segurança”.

3. A coleta de dados sigilosos

Nesse momento, o criminoso pede dados que o banco jamais solicita por telefone, como:

  • número e código de segurança (CVV) do cartão;

  • senha da conta;

  • token (iToken);

  • ou autorização via aplicativo.

Muitas vezes, o golpista orienta a vítima a realizar operações no app, convencendo-a de que está “bloqueando” uma fraude — quando, na verdade, está transferindo o próprio dinheiro para a conta dos criminosos.

4. A versão mais sofisticada: a “fraude interna”

Em casos mais elaborados, o criminoso afirma que o golpe está sendo cometido por um funcionário do próprio banco. Ele orienta o cliente a “seguir o passo a passo com sigilo”, alegando que o banco precisa “identificar o responsável interno”.

Esse discurso, que mistura drama e realismo, costuma ser o suficiente para manter o cliente na linha por horas, até concluir a transação fraudulenta.

Por que o golpe é tão convincente

Há alguns motivos que tornam esse tipo de fraude extremamente perigosa:

  • Os criminosos têm acesso a dados reais, como nome completo, CPF, número da conta e até últimas transações — muitas vezes obtidos em vazamentos de dados.

  • A ligação parece vir do banco, graças ao uso de tecnologia que falsifica o número (spoofing).

  • O discurso é técnico e coerente, simulando o padrão de atendimento do Itaú.

  • A vítima é levada a agir sob pressão, acreditando que precisa resolver o problema imediatamente.

Essa combinação de fatores faz até clientes experientes e atentos caírem na armadilha.

O que o Itaú tem feito para combater o golpe

O Itaú reconhece que os criminosos estão cada vez mais sofisticados e, por isso, tem reforçado suas medidas de segurança. Entre as ações, destacam-se:

Campanhas de conscientização

O banco vem promovendo alertas nas redes sociais, no YouTube e até dentro do aplicativo, explicando como reconhecer o golpe e o que nunca fazer durante um contato telefônico.

Tecnologia “Protect Call”

Uma das inovações implementadas pelo Itaú é o sistema Protect Call, que detecta e bloqueia automaticamente ligações fraudulentas que tentam se passar pela central oficial.

Monitoramento de transações suspeitas

O banco também aprimorou seus sistemas de detecção de movimentações atípicas, com uso de inteligência artificial e análise de comportamento.

Se uma operação destoar do padrão de gastos do cliente, o sistema gera alertas imediatos.

Como se proteger de golpes como esse

Mesmo com as medidas de segurança do Itaú, a melhor defesa ainda é o cuidado pessoal. Veja as principais orientações para não cair no golpe da falsa central:

1. Nunca compartilhe dados por telefone

Nenhum banco sério, incluindo o Itaú, pede senha, token, CVV ou qualquer outro dado confidencial por ligação, mensagem ou e-mail.

2. Desconfie de contatos urgentes

Golpistas adoram o senso de urgência. Se alguém disser “precisamos resolver agora ou você vai perder dinheiro”, desligue imediatamente.

3. Ligue para o número oficial

Em caso de dúvida, encerre a chamada e ligue você mesmo para os canais oficiais do Itaú:

  • Capitais e regiões metropolitanas: 4004 4828

  • Demais localidades: 0800 970 4828

4. Cuidado com SMS e WhatsApp

O Itaú nunca envia SMS com números 0800 pedindo retorno e o WhatsApp oficial do banco possui selo de verificação. Mesmo assim, nunca envie dados sigilosos.

5. Desconfie de quem pede instalação de aplicativos

Golpistas às vezes orientam o cliente a instalar apps de acesso remoto, como AnyDesk ou TeamViewer, com a desculpa de “ajudar a resolver o problema”.

O banco jamais solicita esse tipo de instalação.

6. Denuncie ligações suspeitas

Se receber uma ligação duvidosa, informe o número ao Itaú. O banco repassa essas informações à Anatel, ajudando a rastrear as fraudes.

O que fazer se você já caiu no golpe

Mesmo que o pior aconteça, ainda há medidas urgentes que podem minimizar o prejuízo:

1. Contate o Itaú imediatamente

Ligue para a central do banco e explique que foi vítima de um golpe. Peça o bloqueio do cartão e das movimentações suspeitas.

2. Registre um Boletim de Ocorrência (BO)

O BO é essencial para as investigações e para futuras tentativas de reaver o dinheiro. Pode ser feito online, no site da Polícia Civil.

3. Monitore suas contas

Fique atento a qualquer movimentação estranha no extrato e ative alertas por SMS ou app.

4. Procure o Procon

Se o banco se recusar a devolver o valor, o Procon pode intermediar o caso, já que o Código de Defesa do Consumidor protege clientes em situações de falha de segurança.

O que diz a Justiça: o STJ e a responsabilidade dos bancos

Nos últimos anos, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem analisado uma série de casos envolvendo o golpe da falsa central. E o entendimento predominante é claro: os bancos podem ser responsabilizados pelos prejuízos sofridos pelos clientes.

A base legal: a Súmula 479 do STJ

“As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias.”

Na prática, isso significa que o risco de fraudes faz parte da atividade bancária. Assim, se o golpe ocorre dentro do contexto de uma operação financeira, o banco deve responder pelos danos, mesmo que o cliente tenha sido enganado.

Por que o banco pode ser responsabilizado

Os ministros do STJ têm sustentado que os bancos possuem o dever de segurança. Isso inclui:

  • manter sistemas capazes de detectar transações atípicas;

  • adotar medidas para proteger os dados dos clientes;

  • e educar o consumidor sobre práticas seguras.

Se o sistema do banco falhar ao impedir uma transação evidentemente suspeita — como uma transferência de alto valor fora do padrão do cliente —, ele pode ser condenado a ressarcir o prejuízo.

Casos práticos que reforçam o entendimento

Em várias decisões recentes, o STJ reconheceu que o cliente é a parte mais vulnerável na relação bancária.

Mesmo quando a vítima “autorizou” a transação, os tribunais entenderam que ela o fez sob erro induzido, fruto da manipulação dos golpistas.

Exemplo:

Um cliente foi induzido a realizar transferências de R$ 50 mil após receber ligação “do banco”. O número era idêntico ao oficial, e o atendente sabia detalhes da conta. O STJ decidiu que o banco deveria arcar com o prejuízo, já que falhou em detectar o comportamento atípico e proteger o consumidor.

O equilíbrio de responsabilidades: cliente e banco

Embora o STJ reconheça a responsabilidade dos bancos, isso não exime o cliente de agir com cautela.

Ou seja, há uma divisão de responsabilidades:

  • O cliente deve seguir as orientações de segurança e não compartilhar dados sigilosos.

  • O banco deve garantir que suas medidas de proteção sejam eficazes e que falhas internas ou vazamentos não exponham os clientes a riscos.

O que o Itaú recomenda aos seus clientes

O Itaú tem reforçado algumas práticas simples que podem impedir grandes prejuízos:

  • Desconfiar sempre: se o contato parece suspeito, é porque provavelmente é.

  • Desligar e retornar a ligação: mesmo que o número pareça legítimo.

  • Verificar o app antes de agir: o aplicativo mostra alertas e notificações oficiais.

  • Não clicar em links externos: acesse sempre o site oficial digitando o endereço manualmente.

O papel da educação digital

Os golpes bancários evoluem junto com a tecnologia. Por isso, a educação digital é hoje uma ferramenta essencial.

O Itaú, assim como outros bancos, promove campanhas educativas que ensinam o cliente a identificar táticas de engenharia social, a reconhecer sites falsos e a se proteger no ambiente online.

A meta é clara: transformar o cliente em parte ativa da segurança, não apenas em vítima potencial.

O futuro dos golpes e da segurança bancária

Com a popularização do Pix e dos aplicativos de banco, os criminosos têm adaptado suas estratégias.

Hoje, as fraudes envolvem voz artificial (deepfake), acesso remoto, mensagens personalizadas e até falsos atendimentos via vídeo.

O desafio é que a tecnologia usada para proteger também é usada para enganar.

Por isso, o Itaú e outras instituições apostam cada vez mais em inteligência artificial, biometria facial e detecção comportamental — tecnologias capazes de identificar, em segundos, se a transação parte de um comportamento legítimo ou não.

Em resumo

O golpe da falsa central de atendimento é uma das fraudes mais perigosas da atualidade, porque mistura tecnologia, manipulação psicológica e informações reais.

Mesmo com os avanços do Itaú em segurança, a atenção do cliente continua sendo o melhor escudo.

E se o pior acontecer, o STJ tem reforçado que os bancos não podem se eximir da responsabilidade, já que o risco de fraude faz parte do negócio que eles operam diariamente.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.