O salário mínimo sempre chama atenção porque não é apenas um número perdido nas páginas da economia. Ele está ligado diretamente ao dinheiro que milhões de trabalhadores recebem todos os meses, ao que aposentados levam para casa e até aos benefícios sociais pagos pelo governo.
Atualmente, em 2025, o valor está em R$ 1.518. Mas o governo já enviou para o Congresso as projeções para os próximos anos e, olha, vem aumento por aí — mesmo que pequeno, para alguns padrões.
De acordo com o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026, o valor deve subir para R$ 1.631 já no próximo ano. Isso representa um aumento de 7,45% em relação ao piso atual.
E não para por aí. A proposta prevê um crescimento gradual, ano após ano:
R$ 1.631 em 2026
R$ 1.725 em 2027
R$ 1.823 em 2028
R$ 1.908 em 2029
Esses números podem mudar, claro. Eles dependem da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), e também do crescimento do PIB, limitado a 2,5% para cálculo dos reajustes.
Por que o governo treme quando o salário mínimo sobe
Parece contraditório, mas um aumento no salário mínimo traz uma dor de cabeça gigantesca para as contas públicas. E sabe por quê? Porque cada real a mais que entra no bolso do trabalhador significa milhões a mais saindo do caixa do governo.
Em 2026, por exemplo, a equipe econômica já calcula um impacto de R$ 429,3 milhões a mais por ano só por causa do reajuste. Enquanto isso, a arrecadação previdenciária deve crescer apenas R$ 7,4 milhões.
O problema é simples de entender: o salário mínimo é a base para calcular aposentadorias, pensões do INSS e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Ou seja, quando o piso sobe, todas essas despesas também aumentam.
Quanto realmente sobra para quem ganha um salário mínimo
Agora, vamos falar da parte que interessa para quem vive com o mínimo: o salário líquido.
Muita gente acha que, ao ganhar R$ 1.518, vai receber esse valor integralmente. Mas não é bem assim. Com o desconto da contribuição ao INSS, que para essa faixa é de 7,5%, o valor cai para R$ 1.404,15.
E ainda podem entrar outros descontos, dependendo do tipo de contrato e dos benefícios da empresa:
Vale-transporte: até 6% do salário
Vale-refeição ou alimentação: quando previsto em acordo coletivo
Planos de saúde ou odontológicos
Seguro de vida ou pensão alimentícia
No fim das contas, o que cai na conta do trabalhador pode ser bem menor que o valor anunciado pelo governo.
Como funciona a tabela de contribuição do INSS
Em 2025, a contribuição para o INSS é progressiva. Isso quer dizer que, conforme o salário aumenta, a alíquota também sobe. Veja como fica:
Até R$ 1.518,00: 7,5%
De R$ 1.518,01 até R$ 2.793,88: 9%
De R$ 2.793,89 até R$ 4.190,83: 12%
De R$ 4.190,84 até R$ 8.157,41: 14%
Acima do teto (R$ 8.157,41), não há desconto adicional.
E os salários mínimos regionais?
Além do piso nacional, alguns estados têm o chamado salário mínimo regional, que funciona como um valor de referência maior do que o estabelecido pelo governo federal.
Em São Paulo, por exemplo, desde julho de 2025, o piso é de R$ 1.804, cerca de 10% acima do nacional. Essa diferença ajuda a ajustar os salários ao custo de vida mais elevado em algumas regiões.
Qual seria o salário mínimo ideal para viver bem?
Segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), o valor necessário para uma família de quatro pessoas viver dignamente deveria ser de R$ 7.147,91 em agosto de 2025.
Esse cálculo considera o preço da cesta básica mais cara do país e gastos essenciais com alimentação, moradia, transporte, saúde e educação.
Quando comparamos esse valor com os R$ 1.518 atuais (ou mesmo com os R$ 1.908 previstos para 2029), a diferença é gigantesca.
Por que o salário mínimo ideal parece tão distante
A grande questão é que o governo não consegue acompanhar o aumento do custo de vida com o mesmo ritmo dos reajustes.
Se o salário subisse para R$ 7 mil, o impacto nas contas públicas seria bilionário, algo simplesmente inviável para o orçamento federal.
Por isso, os aumentos anuais acabam sendo mais modestos, tentando equilibrar o poder de compra da população com a capacidade do governo de pagar a conta.
O que esperar dos próximos anos
Com a inflação sob controle e o crescimento econômico dentro das metas, o governo deve manter os reajustes na casa dos 4% a 6% ao ano.
Ainda assim, para milhões de trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas sociais, o salário mínimo continuará sendo um desafio diante do custo de vida cada vez mais alto.
Enquanto isso, a distância entre o piso oficial e o valor considerado ideal pelo Dieese mostra que o brasileiro médio ainda tem um longo caminho até alcançar uma vida realmente confortável apenas com um salário mínimo.
