O Bolsa Família, maior programa de transferência de renda do país, está passando por uma mudança significativa. Em setembro, os pagamentos somam R$ 12,96 bilhões para 19,07 milhões de famílias, mas esse número é menor que o registrado em junho, quando 20,5 milhões de lares receberam o benefício.
Isso significa que quase 1,5 milhão de famílias saíram do Bolsa Família em apenas três meses. O dado desperta curiosidade e levanta muitas perguntas: Por que tanta gente foi cortada? Será que o benefício está acabando? O que mudou nas regras? Vamos explicar tudo de maneira clara, sem enrolação, e com exemplos que qualquer pessoa entende.
Por que tanta gente foi cortada do Bolsa Família?
A explicação principal está ligada ao aumento da renda das famílias. O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), responsável pelo programa, informou que só em julho 1 milhão de domicílios deixaram o benefício porque melhoraram de vida.
Mas calma: não é porque essas pessoas ficaram ricas da noite para o dia. Na verdade, muitas conseguiram empregos formais ou passaram a ganhar um pouco mais que o limite estabelecido para permanecer no programa.
O governo explicou que 536 mil famílias cumpriram o tempo da Regra de Proteção, que é quando a renda sobe, mas a família ainda pode receber metade do benefício por um período de até dois anos. Quando esse prazo acaba, o pagamento é encerrado.
Em outras palavras:
Se a família continua precisando, mas a renda subiu um pouco, ela ainda recebe 50% do valor por um tempo.
Se a renda se mantém acima do limite, ela sai definitivamente do programa.
Bolsa Família é um organismo vivo, diz o governo
O MDS gosta de dizer que o Bolsa Família é um organismo vivo, porque ele acompanha a vida das famílias de perto. Isso significa que os pagamentos não são eternos e podem mudar conforme a realidade de cada lar.
Por exemplo:
Se alguém consegue emprego, a renda sobe e a família pode sair do programa.
Se alguém perde o emprego, pode voltar a receber.
Se nasce um bebê, a renda per capita cai e a família pode ganhar benefícios extras.
Se alguém morre, a composição familiar muda e o valor pode ser recalculado.
Tudo é automático, com base no Cadastro Único (CadÚnico) e nas informações que as famílias atualizam nos CRAS.
Emprego em alta ajuda a explicar os cortes
Outro motivo importante é que o desemprego está no nível mais baixo da história recente. Quanto mais gente consegue trabalho, menos famílias precisam depender do Bolsa Família.
E os números impressionam:
Desde 2023, 14 milhões de pessoas saíram da pobreza no CadÚnico porque tiveram aumento de renda.
Em 2024, o Brasil criou 1,69 milhão de empregos formais.
Quase 99% dessas vagas foram ocupadas por pessoas do CadÚnico.
E 75,5% eram beneficiários do Bolsa Família.
Ou seja, o próprio programa ajudou essas famílias a entrar no mercado de trabalho, já que o governo tem uma parceria com empresas chamada Acredita no Primeiro Passo, que dá prioridade na contratação e até oferece crédito para pequenos negócios.
Qual é o valor do Bolsa Família hoje?
Mesmo com os cortes, o valor do benefício não mudou para quem continua no programa. Nenhuma família recebe menos que R$ 600, mas existem adicionais que podem aumentar o valor:
Benefício Primeira Infância: R$ 150 para cada criança de até 6 anos.
Benefício Variável Familiar: R$ 50 para gestantes e jovens de 7 a 18 anos.
Benefício Variável Nutriz: R$ 50 por mês, durante seis meses, para mães de bebês até 6 meses.
Na prática, uma família com três filhos pequenos pode receber bem mais que os R$ 600 básicos.
Quem tem direito ao Bolsa Família em 2025?
As regras continuam as mesmas:
Estar inscrito no CadÚnico com dados atualizados.
Ter renda familiar por pessoa de até R$ 218 por mês.
Passar pela seleção mensal automática feita pelo governo.
E atenção: estar no CadÚnico não garante entrada imediata no Bolsa Família. O governo prioriza as famílias mais pobres, de acordo com as informações cadastradas.
Calendário de setembro: quando cai o pagamento?
Os depósitos começaram em 17 de setembro e seguem até o dia 30, sempre de forma escalonada, conforme o final do NIS. Veja as datas:
NIS final 1: 17/09
NIS final 2: 18/09
NIS final 3: 19/09
NIS final 4: 20/09 (antecipado do dia 22)
NIS final 5: 24/09
NIS final 6: 27/09
NIS final 7: 28/09
NIS final 8: 27/09 (antecipado do dia 29)
NIS final 9: 30/09
NIS final 0: 30/09
Moradores de 505 cidades, incluindo todas as do Rio Grande do Sul, receberam já no primeiro dia porque houve antecipação devido a situações emergenciais.

Por que os pagamentos às vezes são antecipados?
A Caixa tem feito antecipações para evitar filas enormes nas agências. Quando o pagamento cai na segunda-feira, muitas vezes ele é adiantado para o sábado anterior.
Isso ajuda as famílias a acessarem o dinheiro sem confusão e diminui o risco de aglomerações.
Como consultar o valor do Bolsa Família
Existem três formas fáceis de verificar se o dinheiro já está disponível:
Aplicativo Bolsa Família – mostra valores, datas e composição do benefício.
Aplicativo Caixa Tem – permite pagar contas, transferir e sacar o dinheiro.
Aplicativo CadÚnico – informa a situação cadastral da família.
Basta entrar com CPF e senha para ter acesso às informações.
Por que os cortes não significam o fim do programa
Muita gente acha que quando o número de beneficiários cai, o programa está acabando. Mas é o contrário: o Bolsa Família está cumprindo seu papel.
Ele é feito para ajudar as famílias enquanto elas precisam. Quando a renda melhora, a ajuda é retirada para que outras famílias mais pobres possam entrar.
Esse movimento garante que o programa continue existindo e ajudando quem realmente está em situação de vulnerabilidade.
