Presidente da Caixa faz alerta grave: FGTS perde força, lucro cai 41% e inflação já corrói depósitos do trabalhador

Imagine acordar, abrir o aplicativo do seu banco e descobrir que aquele dinheiro que deveria ser a sua rede de segurança contra o desemprego simplesmente não cumpre mais o papel de proteção. Essa é a cena que começa a preocupar milhões de brasileiros depois que o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, admitiu publicamente que o FGTS pode entrar em colapso.

Não se trata de um exagero ou de uma previsão distante. O próprio dirigente falou em alto e bom som: “Vamos ter uma crise muito grande no FGTS”.

De lá para cá, a fala virou combustível para discussões acaloradas. Afinal, se o fundo que deveria garantir tranquilidade ao trabalhador está cambaleando, o que esperar do futuro?

Como o FGTS se tornou um paciente em UTI?

Segundo especialistas como Josué Aragão (veja abaixo), o FGTS deixou de ser um fundo sólido e previsível. Hoje, ele mais parece um paciente internado em UTI, sobrevivendo com aparelhos.

Os motivos para isso são vários:

  • Menos trabalhadores formais contribuindo para o fundo;

  • Saques recorrentes drenando liquidez;

  • Inflação corroendo depósitos;

  • Rentabilidade que não acompanha o custo de vida.

A equação é simples: entra menos dinheiro, sai mais e o que sobra rende pouco. Resultado? O saldo encolhe em termos reais.

A matemática cruel que o trabalhador enfrenta

O FGTS rende TR + 3% ao ano. Parece razoável? Na prática, não é. Essa remuneração fica abaixo da inflação, o que significa que o dinheiro perde poder de compra mês após mês.

Um exemplo prático deixa claro o tamanho do problema: em dez anos, um trabalhador que contribui todos os meses com 8% do salário teria saldo 7,4% menor do que o necessário apenas para repor a inflação.

Ou seja, mesmo guardando religiosamente, o dinheiro não acompanha a alta dos preços. É como correr numa esteira: por mais esforço que você faça, continua no mesmo lugar.

Saque-aniversário e antecipações do FGTS

Outro ponto que acendeu a luz vermelha é a popularização do saque-aniversário e das antecipações.

Esses mecanismos, criados para dar mais liberdade ao trabalhador, acabaram gerando um efeito colateral: drenagem contínua de recursos.

Pense assim: é como se a caixa d’água de uma casa tivesse uma torneira sempre aberta. Mais cedo ou mais tarde, o reservatório seca.

Quando o trabalhador perde e o país também

O impacto não fica restrito ao bolso individual. O FGTS é a base de programas sociais e habitacionais. Mais de 90% dos financiamentos populares dependem dele.

Isso significa que qualquer desequilíbrio no fundo atinge diretamente:

  • O Minha Casa, Minha Vida, responsável por tirar milhões do aluguel;

  • Obras de saneamento básico;

  • Projetos de infraestrutura urbana.

Se o dinheiro acabar, a roda da economia para junto. Em 2024, por exemplo, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção estimou que 2 milhões de moradias e 6 milhões de empregos poderiam ter sido criados se os recursos estivessem preservados.

Fraudes internas

Como se não bastasse a corrosão financeira, fraudes internas ampliam a desconfiança. Investigações recentes apontaram que servidores da própria Caixa manipulavam sistemas como o Caixa Tem para liberar saques indevidos.

Esses episódios jogam contra a credibilidade do FGTS. Afinal, como confiar em um fundo que, além de render pouco, ainda sofre com desvios e má gestão?

O peso da política no cofre do trabalhador

Outro problema histórico é o uso político do fundo. Ao longo dos anos, governos de diferentes partidos enxergaram no FGTS uma espécie de cofre com finalidades múltiplas.

Em vez de proteger exclusivamente o trabalhador e financiar habitação popular, o fundo passou a ser usado como ferramenta de fomento político. Muitas vezes, obras de grande apelo eleitoral receberam prioridade, mesmo sem garantia de retorno sustentável.

FGTS.

O que sustenta o FGTS está se desfazendo

Quando o presidente da Caixa admite que a engrenagem pode parar, é porque os pilares que sustentavam o fundo estão se esfarelando.

  • Menos empregos formais significam menos contribuições.

  • Mais saques recorrentes drenam a liquidez.

  • Inflação persistente corrói o saldo dos trabalhadores.

  • Gestão politizada enfraquece o propósito original.

O cenário é preocupante porque o FGTS nasceu para ser uma rede de proteção, mas hoje se parece com uma corda bamba: depende de poucos, rende pouco e sustenta muito.

Projetos de lei querem dividir ainda mais o bolo

Se a situação já é delicada, no Congresso Nacional tramitam dezenas de projetos que pretendem usar o FGTS para finalidades novas.

Entre eles:

  • Educação: custear mensalidades, materiais didáticos ou intercâmbios (PL 3371/2020).

  • Saúde: liberar saques para tratamentos médicos, cirurgias específicas e doenças raras (PL 510/2022, PL 1709/2023 e PL 272/2023).

  • Acessibilidade: financiar equipamentos e tecnologias assistivas para pessoas com deficiência (PL 1713/2023).

Embora todos tenham mérito social, cada real retirado do FGTS é um real a menos para financiar habitação e saneamento. A conta não fecha.

A fala que escancarou a crise

Carlos Vieira, presidente da Caixa, não deixou espaço para interpretações otimistas:

“Recentemente, tivemos um projeto de lei que trazia a possibilidade de usar o recurso do FGTS para indenização em casos de assédio ou violência doméstica. Reconhecemos a importância. Mas, se aprovado, tiraria R$ 70 bilhões do fundo. Isso significa menos recursos para o propósito principal.”

O tom da fala é claro: não se trata de falta de empatia, mas de realismo financeiro. O FGTS não tem capacidade infinita.

Carlos Vieira acredita que o FGTS pode sofrer um risco profundo, caso os recursos do fundo continuem sendo divididos com novos projetos. Foto: Plínio Almeida

Um fundo cercado por dilemas

O FGTS vive um dilema existencial. Ao mesmo tempo em que precisa proteger o trabalhador, também sustenta políticas públicas de habitação e saneamento.

Agora, com propostas de expansão para áreas como saúde e educação, o fundo corre o risco de virar um cobertor curto demais. Quando cobre a cabeça, descobre os pés.

O que pode acontecer daqui para frente

Se nenhuma medida for tomada, especialistas alertam que o FGTS pode entrar em colapso em poucos anos. Isso significaria:

  • Trabalhadores com saldos insuficientes para enfrentar o desemprego;

  • Programas habitacionais sem recursos para novas moradias;

  • Obras de saneamento e infraestrutura paradas;

  • Redução drástica da confiança na Caixa e no sistema de proteção social.

O fundo que nasceu em 1966 como poupança compulsória e instrumento de financiamento pode, ironicamente, deixar de cumprir ambos os papéis.

O trabalhador no meio do furacão

No fim das contas, o maior prejudicado é o trabalhador. Ele deposita mensalmente, vê o dinheiro render menos que a inflação e ainda corre o risco de perder a proteção em caso de crise maior.

É como pagar um seguro de carro que não cobre acidentes graves. Você continua desembolsando, mas não tem garantias reais.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.