PIX ‘imita’ cartão de crédito e agora também terá parcelamento: entenda tudo sobre como vai funcionar, quem pode usar e como isso pode mudar a forma de pagar no Brasil

Imagine pagar suas compras em parcelas, direto pelo PIX, sem depender de cartão de crédito. Parece ficção científica? Pois bem, isso está prestes a virar realidade no Brasil, e mais rápido do que você imagina.

O Banco Central, responsável por transformar o sistema financeiro brasileiro nos últimos anos, anunciou que o Pix Parcelado já entra em fase de regulamentação a partir deste mês. A proposta promete unir a velocidade e simplicidade do PIX, que já conquistou os brasileiros, com a flexibilidade do parcelamento, algo tão enraizado na cultura do consumo do país.

E não é pouca coisa: de acordo com pesquisas recentes, 73% dos brasileiros já utilizam o PIX como principal forma de pagamento, superando cartão de débito, crédito e até mesmo o velho e conhecido dinheiro vivo.

Agora, com a possibilidade de parcelar diretamente pelo PIX, o cenário dos meios de pagamento pode mudar drasticamente.

Por que o Pix Parcelado é uma virada de chave para consumidores e lojistas

Se tem uma coisa que o brasileiro ama, além de um bom café e um jogo de futebol no domingo, é parcelar as compras. Celular novo? Em 12 vezes sem juros. Passagem aérea? Parceladinha no cartão. Eletrodomésticos? Nem se fala.

Com o Pix Parcelado, será possível fazer isso sem precisar de um cartão de crédito. A compra será paga pelo consumidor em parcelas, mas o lojista receberá o valor integral na hora, garantindo segurança e previsibilidade para quem vende.

Ou seja, todo mundo sai ganhando:

  • Consumidor: paga aos poucos, sem precisar de cartão.

  • Lojista: recebe à vista, sem se preocupar com inadimplência.

  • Instituição financeira: pode oferecer crédito de forma mais rápida e simples.

Murilo Rabusky, diretor de negócios da Lina Open X, explica:

“É uma oportunidade única de democratizar o acesso ao crédito, levando a mais de 60 milhões de consumidores que não possuem cartão de crédito, mas usam o Pix diariamente.”

O desafio aos cartões de crédito: hegemonia ameaçada?

O mercado de cartões no Brasil movimenta cifras gigantescas. Em 2024, foram mais de R$ 4 trilhões em transações, segundo a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços).

Mas com o Pix Parcelado, a coisa pode mudar de figura. Afinal, quem precisa de cartão se pode parcelar direto pela conta bancária, com taxas claras, sem intermediários complexos e com aprovação instantânea?

O consumidor poderá escolher:

  1. O número de parcelas;

  2. A instituição financeira responsável pelo crédito;

  3. E autorizar tudo na hora, direto no app.

Sem letras miúdas, sem surpresas e sem demora.

Como vai funcionar o Pix Parcelado: passo a passo

Para quem está se perguntando como vai ser esse processo, aqui está a explicação simples e direta:

  1. O consumidor escolhe a opção de parcelamento no momento da compra.

  2. A instituição financeira faz a análise de crédito instantaneamente.

  3. Se aprovado, o lojista recebe o valor total na hora.

  4. O consumidor paga as parcelas normalmente, conforme o prazo escolhido.

Tudo isso com total transparência: taxas, juros e condições aparecerão antes da confirmação da compra.

Além disso, o Banco Central deve impor limites de parcelas, regras de proteção ao consumidor e taxas máximas, para evitar abusos.

Quem vai oferecer o Pix Parcelado?

É importante entender que o Banco Central cria as regras e a infraestrutura, mas quem vai oferecer o Pix Parcelado serão os bancos, fintechs e instituições financeiras.

Isso significa que cada instituição poderá:

  • Definir taxas de juros (dentro dos limites legais);

  • Oferecer diferentes prazos de parcelamento;

  • Criar promoções, como parcelamento sem juros em determinados períodos.

Para o consumidor, isso pode representar mais competição e melhores condições.

Setores que podem ser mais impactados pela novidade

Especialistas acreditam que diversos setores vão se beneficiar muito dessa modalidade. Entre eles:

  • E-commerce: parcelamento sem cartão pode reduzir o abandono de carrinhos virtuais.

  • Educação: escolas de idiomas, cursos online e faculdades poderão oferecer mais flexibilidade.

  • Saúde: clínicas odontológicas e médicas podem facilitar tratamentos caros.

  • Serviços recorrentes: academias, clubes e plataformas de assinatura terão novas opções de cobrança.

No fim das contas, qualquer negócio que já trabalha com parcelamento deve sair ganhando.

Segurança e análise de crédito em tempo real: um desafio enorme

Se por um lado a novidade é empolgante, por outro a tecnologia por trás do Pix Parcelado precisa ser extremamente robusta.

As instituições terão que:

  • Avaliar o risco de crédito em segundos;

  • Evitar fraudes e golpes digitais;

  • Garantir que lojistas recebam sem atrasos.

Para isso, sistemas de inteligência artificial e big data serão fundamentais, permitindo decisões instantâneas e seguras.

Impacto para quem não tem cartão de crédito

No Brasil, mais de 60 milhões de pessoas não possuem cartão de crédito, segundo dados do Banco Central.

Para esse público, o Pix Parcelado pode ser a primeira porta de entrada para o consumo parcelado, sem precisar enfrentar burocracias de bancos tradicionais.

Isso tem um impacto direto na inclusão financeira, ampliando o acesso a bens e serviços que antes eram inacessíveis para quem só pagava à vista.

E os juros? Vai ser mais barato que cartão de crédito?

Uma das grandes perguntas é: será que o Pix Parcelado vai ter juros menores que os cartões?

Tudo vai depender da política de cada instituição. Mas, como o sistema é digital, com menos intermediários e mais competição, a expectativa é que as taxas sejam mais baixas do que as cobradas no crédito rotativo, por exemplo.

Além disso, o Banco Central deve impor regras para evitar juros abusivos, o que pode proteger o consumidor e aumentar a atratividade do sistema.

Pix Automático, Pix Garantia e agora o Pix Parcelado: a revolução está só começando

O Banco Central não para. Depois do Pix Automático, lançado em junho, e com o Pix Garantia já em desenvolvimento, o Pix Parcelado é mais um passo para consolidar um ecossistema financeiro completo.

  • Pix Automático: para pagamentos recorrentes, como contas e assinaturas.

  • Pix Garantia: para usar parcelas futuras como garantia em operações de crédito.

  • Pix Parcelado: para compras com pagamento dividido, mas com liquidação instantânea para o vendedor.

Tudo isso transforma o Brasil em referência mundial em inovação financeira.

Por que o Pix Parcelado pode mudar a relação dos brasileiros com o dinheiro

O Brasil já é o país que mais usa Pix no mundo. Com o parcelamento, podemos ver uma mudança cultural profunda:

  • Menos dependência de cartões;

  • Mais opções de crédito para quem não tem acesso ao sistema bancário tradicional;

  • Compras online mais acessíveis e rápidas.

Além disso, lojistas podem pagar menos taxas do que no sistema tradicional de cartões, o que pode significar produtos mais baratos para o consumidor final.

Possíveis riscos e desafios pela frente

Apesar de todo o entusiasmo, especialistas alertam para alguns pontos de atenção:

  • Endividamento: com mais acesso ao parcelamento, consumidores precisam cuidar para não comprometer a renda.

  • Fraudes digitais: o sistema deve ter camadas extras de segurança para evitar golpes.

  • Educação financeira: será essencial orientar a população sobre uso consciente do crédito.

Quando o Pix Parcelado começa a funcionar?

O Banco Central já sinalizou que a regulamentação começa ainda este ano, mas a adoção em larga escala depende das instituições financeiras.

Ou seja, bancos e fintechs precisarão adaptar seus sistemas e lançar a novidade para os clientes. A expectativa é que 2025 seja o ano em que o Pix Parcelado ganhe força em todo o país.

O futuro dos pagamentos no Brasil

Com tudo isso, o Brasil caminha para ter um sistema financeiro cada vez mais integrado, rápido e acessível.

O Pix, que começou como uma alternativa ao TED e DOC, hoje já substitui cartões, boletos e até mesmo o dinheiro em espécie.

Com o parcelamento, o próximo passo pode ser reduzir o domínio das grandes bandeiras de cartões e ampliar o acesso ao crédito como nunca antes.

E o mais impressionante: tudo isso em menos de cinco anos desde o lançamento do Pix, em novembro de 2020.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.