O Banco Central anunciou mudanças importantes nas regras do Pix que começam a valer a partir de fevereiro de 2026. O objetivo é reforçar a segurança do sistema de pagamentos instantâneos e proteger os usuários diante do aumento de golpes envolvendo transferências digitais.
Desde a criação do Pix, em 2020, o método se tornou o principal meio de pagamento no país, superando TED, DOC, boleto e cartão de débito. A popularização, no entanto, também atraiu quadrilhas especializadas em fraudes financeiras, levando o Banco Central a atualizar protocolos e ampliar mecanismos de bloqueio e rastreamento.
Segundo o BC, as novas medidas não alteram a experiência básica do usuário, mas criam obrigações adicionais para bancos e instituições de pagamento, que terão ferramentas mais robustas para prevenir e investigar transações suspeitas.
Crescimento dos golpes com PIX motivou mudanças
Nos últimos anos, o Brasil registrou um aumento relevante no número de golpes envolvendo Pix, especialmente aqueles que exploram engenharia social — quando criminosos convencem a vítima a realizar a transferência voluntariamente.
Entre as modalidades mais frequentes estão:
falsos anúncios de compra e venda
sequestro ou extorsão virtual
golpes do “falso parente”
pagamentos antecipados por serviços inexistentes
intermediação fraudulenta em marketplace
perfis falsos em redes sociais
O principal desafio está na velocidade da liquidação: o dinheiro é transferido em segundos e, muitas vezes, imediatamente redistribuído para outras contas — um processo conhecido como rastro em cadeia —, dificultando o bloqueio e a recuperação dos valores.
Além disso, parte dos recursos é desviada para contas de “laranjas”, o que amplia o anonimato e reduz a rastreabilidade.
O que muda com as novas regras do Pix
Para combater esse cenário, o Banco Central determinou três atualizações principais nos protocolos de segurança:
1. Bloqueio preventivo de contas denunciadas por até 72 horas
Com a nova regra, uma conta poderá ser bloqueada temporariamente assim que houver denúncia de golpe, mesmo que a reclamação parta de uma instituição diferente daquela onde a conta está aberta.
O bloqueio preventivo pode durar até 72 horas e será utilizado para permitir análise interna, comunicação entre instituições e eventual recuperação do dinheiro desviado.
2. Rastreamento em cadeia das transferências posteriores
A segunda mudança amplia a capacidade de seguir o fluxo financeiro após o golpe. Se o dinheiro for distribuído para outras contas, o novo protocolo permitirá o rastreamento e o bloqueio em todas as etapas posteriores, algo que atualmente é limitado.
O objetivo é quebrar o ciclo de pulverização, modelo estratégico usado por grupos criminosos para dificultar a localização dos valores.
3. Denúncia direta pelo aplicativo do banco
A partir de fevereiro, todo usuário poderá denunciar um golpe pelo aplicativo do seu banco, sem necessidade de contato telefônico ou presencial. Isso reduz o tempo entre a ação criminosa e o alerta, aumentando a chance de bloqueio preventivo.
Para o usuário, o Pix continua funcionando normalmente
As mudanças não interferem no envio e recebimento de Pix para o usuário comum, que seguirá podendo transferir a qualquer dia e horário.
O Banco Central destaca que o conjunto de medidas não reduz a velocidade do sistema, mas cria uma camada adicional de proteção, acionada apenas em situações suspeitas.
Como os criminosos agem — e por que o dinheiro some rápido
Os golpes por Pix geralmente combinam urgência emocional e rapidez operacional. Criminosos utilizam narrativas falsas para induzir a vítima ao erro, como:
“estou precisando agora”
“o desconto é só hoje”
“preciso pagar o frete”
“é o último item disponível”
“é emergencial”
Assim que o valor chega na primeira conta fraudulenta, ele é redistribuído para múltiplos destinos — muitas vezes em segundos —, dificultando a recuperação.
Essa pulverização é facilitada pelo uso de:
contas de laranjas
contas recém-abertas
contas empresariais irregularmente criadas
plataformas intermediárias
Por isso o BC ampliou o rastreamento e o bloqueio interinstitucional.
Como o usuário pode se proteger no dia a dia
Mesmo com novos mecanismos, a segurança do Pix também depende de comportamento preventivo. Especialistas recomendam:
Desconfiar de ofertas urgentes, descontos exagerados ou preços muito abaixo do mercado.
Confirmar sempre o nome do destinatário antes da transferência.
Evitar realizar transações sob pressão emocional.
Verificar anúncios e perfis antes de comprar pela internet.
Acionar o banco imediatamente se suspeitar de golpe.
Ativar autenticação em dois fatores nos aplicativos.
Proteger o celular com biometria ou senha.
Além disso, orienta-se que jamais se enviem documentos pessoais para desconhecidos, para evitar abertura de contas laranja em nome da própria vítima.
Sistema ficará mais robusto, mas atenção continua essencial
Com as mudanças, o Pix passa a contar com:
bloqueio preventivo ampliado
rastreamento em cadeia
denúncia simplificada nos apps
interação mais rápida entre instituições
Os ajustes tornam mais difícil a atuação de golpistas e aumentam a capacidade de resposta das instituições financeiras. Entretanto, o Banco Central reforça que fraudes baseadas em engenharia social continuam sendo um desafio, e o usuário permanece como peça-chave para reduzir riscos.
