O homem mais rico do mundo não é Musk nem Bezos — e você talvez nunca ouviu falar dele

Quando pensamos nos homens mais ricos do mundo, é quase automático lembrar de Elon Musk e Jeff Bezos. O primeiro, dono da Tesla e da SpaceX, já estampou manchetes ao ultrapassar a marca dos US$ 200 bilhões em patrimônio. O segundo, fundador da Amazon, figura constantemente no topo da lista da Forbes.

Mas o universo da riqueza global vai além do Vale do Silício. Longe da frenética disputa entre CEOs de empresas de tecnologia, existe um seleto grupo de pessoas cuja fortuna é quase impossível de medir com exatidão: os monarcas. E, nesse cenário, o título de “mais rico do mundo” pode não pertencer a nenhum magnata americano, mas a um soberano asiático que muitos sequer conhecem.

O enigmático sultão de Brunei

Entre os nomes que desafiam Musk e Bezos está Hassanal Bolkiah, o sultão de Brunei. Governante de um dos menores, mas mais ricos países do mundo, sua fortuna é frequentemente estimada entre US$ 20 bilhões e US$ 50 bilhões.

Brunei, um pequeno reino localizado no sudeste asiático, tem uma das economias mais dependentes do petróleo. Com uma população de pouco mais de 400 mil pessoas, o país concentra uma riqueza energética que sustenta o poder absoluto do monarca.

O sultão é dono de símbolos de opulência que parecem saídos de contos das Mil e Uma Noites:

  • O Istana Nurul Iman, maior palácio residencial do planeta, com mais de 1.700 quartos;

  • Uma frota lendária de centenas de Rolls-Royces e outros carros de luxo;

  • Jatos particulares e coleções de objetos raríssimos.

Ao contrário de Musk ou Bezos, cuja fortuna pode ser acompanhada em tempo real pelo sobe e desce da bolsa, o patrimônio de Bolkiah é nebuloso. Isso porque, em regimes absolutistas, é difícil separar o que é do Estado e o que é do soberano.

Quem realmente lidera a riqueza entre monarcas

Embora o sultão de Brunei seja um ícone quando se fala em luxo e poder, há quem o supere em números oficiais: Rama X, o rei da Tailândia.

Desde 2018, o monarca tailandês assumiu pessoalmente os ativos do Crown Property Bureau, instituição que administra os bens da realeza. Com isso, acumulou uma fortuna estimada em US$ 43 bilhões, tudo legalmente em seu nome.

A lista de bens impressiona:

  • Mais de 17 mil propriedades apenas em Bangkok;

  • Uma frota com 38 jatos particulares;

  • Cerca de 300 carros de luxo;

  • 52 embarcações reais, entre iates e barcos tradicionais.

O caso do rei Rama X é emblemático porque a mudança legal que transferiu os bens da coroa para o seu nome pessoal transformou a percepção de sua fortuna. Antes, os ativos eram considerados “do Estado”. Agora, constam oficialmente como dele.

Riqueza real: um território nebuloso

A principal diferença entre bilionários privados e monarcas é a transparência. Enquanto executivos como Musk e Bezos têm patrimônios auditados e divulgados em relatórios trimestrais, reis e sultões não prestam contas públicas.

Na prática, isso gera três grandes dificuldades:

  1. Falta de transparência: não existem balanços financeiros oficiais que mostrem o tamanho real do patrimônio.

  2. Definições ambíguas: palácios, frotas e empresas estatais são pessoais ou pertencem ao país?

  3. Mudanças legais: como no caso da Tailândia, a forma de registrar os bens pode aumentar ou reduzir drasticamente o valor estimado.

Assim, enquanto o patrimônio de Musk pode cair ou subir bilhões em um único dia conforme o mercado reage às ações da Tesla, o de um monarca depende de decisões políticas e do preço do petróleo.

Por que você talvez nunca ouviu falar deles

A razão pela qual Musk e Bezos dominam os noticiários e rankings é simples: eles estão inseridos em mercados financeiros abertos, com dados públicos e uma visibilidade global. Já os monarcas, embora mais ricos em alguns critérios, vivem em esferas de poder fechadas.

Além disso, seus países são pequenos no cenário internacional e não exercem a mesma influência geopolítica e midiática que os Estados Unidos. O resultado é que, para o grande público, esses nomes parecem quase invisíveis.

Afinal, quem é o mais rico do mundo?

A resposta depende do critério usado.

  • Se o critério for patrimônio líquido em nome pessoal: o rei Rama X, da Tailândia, lidera com cerca de US$ 43 bilhões.

  • Se o critério for controle efetivo sobre recursos nacionais: Hassanal Bolkiah, do Brunei, pode ser considerado o verdadeiro campeão, já que concentra poder político, econômico e militar em um único trono.

  • Se a régua for riqueza auditada e pública: Elon Musk e Jeff Bezos continuam liderando, com patrimônios que ultrapassam os US$ 150 bilhões cada.

O fascínio pela riqueza invisível

Em tempos de big data, inteligência artificial e informações em tempo real, a ideia de que existem fortunas incalculáveis é quase um paradoxo. Mas os monarcas do petróleo e da tradição mantêm viva uma forma de riqueza que escapa aos algoritmos.

Palácios dourados, coleções de carros que nunca rodam e aeronaves exclusivas não aparecem em bolsas de valores, mas seguem alimentando a curiosidade global.

E, enquanto Musk disputa cada dólar em um mercado competitivo, reis e sultões seguem reinando em silêncio, em um mundo onde o poder e a riqueza se confundem de maneira quase inseparável.

Considerações finais

O homem mais rico do mundo não precisa estar no Twitter, nem lançar foguetes ao espaço. Em países como Brunei e Tailândia, o poder real se traduz em fortunas que desafiam qualquer cálculo.

Seja o rei Rama X, com bilhões registrados em seu nome, ou Hassanal Bolkiah, cujo controle sobre o petróleo garante um império, o fato é que a disputa pelo título de “mais rico do mundo” está longe de ser restrita a Musk e Bezos.

Na prática, o fascínio não está apenas nos números, mas na misteriosa mistura entre poder, tradição e dinheiro que define a riqueza das monarquias modernas.


Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.