A partir de janeiro de 2026, os trabalhadores com carteira assinada, empregadores domésticos e contribuintes avulsos passaram a ter uma nova tabela de contribuições ao INSS. O reajuste segue a inflação oficial de 2025, medida pelo INPC, que fechou em 3,90%, e altera o valor descontado do salário de quem contribui para o Instituto Nacional do Seguro Social.
A mudança é parte da atualização anual da Previdência Social e impacta tanto o cálculo da contribuição quanto o valor líquido recebido pelos trabalhadores, já que o desconto ocorre diretamente no contracheque. Além disso, o INPC também serviu de referência para o reajuste dos benefícios previdenciários acima do salário mínimo e para o novo teto do INSS.
A seguir, saiba como a nova tabela funciona, quando o desconto passa a aparecer no holerite, quem é afetado pelas mudanças e quanto cada faixa de salário paga à Previdência.
Nova tabela do INSS válida para 2026 já está em vigor
A tabela atualizada do INSS entrou em vigor oficialmente em 1º de janeiro de 2026, conforme divulgado pelo Ministério da Previdência. Ela se aplica aos seguintes grupos:
trabalhadores com carteira assinada (CLT)
empregados domésticos
trabalhadores avulsos
As faixas salariais foram reajustadas com base no INPC, garantindo que os limites acompanhem a inflação e preservem a lógica das alíquotas progressivas implementadas após a Reforma da Previdência, em 2019.
Com isso, o modelo segue com alíquotas de 7,5%, 9%, 12% e 14%, aplicadas por faixa de renda, e não sobre o salário total, o que diferencia o sistema atual do modelo antigo.
Como funciona o desconto: alíquotas progressivas
Desde a Reforma da Previdência, a cobrança funciona como no Imposto de Renda: o percentual não incide sobre todo o salário, mas apenas sobre a parte correspondente a cada faixa.
A tabela de 2026 ficou da seguinte forma:
Tabela de contribuição ao INSS — 2026
| Faixa salarial | Alíquota |
|---|---|
| Até R$ 1.621,00 | 7,5% |
| De R$ 1.621,01 até R$ 2.902,84 | 9% |
| De R$ 2.902,85 até R$ 4.354,27 | 12% |
| De R$ 4.354,28 até R$ 8.475,55 | 14% |
Esse sistema torna o desconto proporcional à capacidade contributiva, ampliando a progressividade entre os diferentes níveis de renda.
Exemplos práticos: quanto será descontado na folha?
Para entender como a progressividade funciona, veja dois exemplos:
Exemplo 1 — salário de R$ 1.621,00
Como o salário está exatamente no limite da primeira faixa, aplica-se apenas a alíquota de 7,5%:
R$ 1.621,00 x 7,5% = R$ 121,58 de desconto
Exemplo 2 — salário de R$ 4.000,00
A contribuição é segmentada por faixas:
7,5% sobre R$ 1.621,00
9% sobre R$ 1.281,84 (diferença entre R$ 2.902,84 e R$ 1.621,00)
12% sobre R$ 1.097,15 (diferença entre R$ 4.000 e R$ 2.902,85)
O valor total somado resulta em: R$ 368,60 de desconto
Esse modelo distribui melhor o esforço contributivo e impede que o contribuinte pague o percentual máximo sobre todo o salário bruto.
Quando a nova tabela começa a aparecer no contracheque
Embora a tabela tenha passado a valer em 1º de janeiro de 2026, os descontos só aparecem no contracheque pago em fevereiro. Isso ocorre porque as contribuições incidem sobre o salário do mês anterior.
Na prática funciona assim:
salários pagos em janeiro de 2026 seguem a tabela antiga (referentes a dezembro/2025)
salários pagos em fevereiro de 2026 já usam a nova tabela (referentes a janeiro/2026)
Essa dinâmica se repete todos os anos e costuma gerar dúvidas entre trabalhadores, pois o reajuste não aparece imediatamente no pagamento de janeiro.
Quem é afetado pela tabela do INSS em 2026
A atualização impacta diferentes perfis de contribuintes. Veja como fica para cada grupo:
1. Trabalhadores CLT
Têm o desconto feito direto na folha e pago pela empresa.
2. Empregadores domésticos
Devem recolher a contribuição dos empregados conforme as alíquotas atualizadas.
3. Trabalhadores avulsos
Contribuem pela mesma tabela dos trabalhadores formais.
4. Autônomos e facultativos
Podem escolher entre:
11% sobre o salário mínimo (para aposentadoria no piso)
20% entre o mínimo e o teto (para acesso a todos os benefícios)
5. Microempreendedores Individuais (MEI)
Contribuem com 5% do salário mínimo, que subiu para R$ 1.621,00 em 2026. Isso representa uma guia mensal de R$ 81,05.
Para todos esses grupos, manter o recolhimento correto é essencial para garantir acesso a benefícios como:
aposentadoria
auxílio-doença
pensão por morte
salário-maternidade
BPC (em alguns casos, via CadÚnico e renda)
Reajuste também afeta benefícios, mínimo e teto do INSS
O mesmo INPC utilizado para corrigir as faixas também ajustou:
benefícios acima do salário mínimo (reajuste de 3,90%)
teto previdenciário, que passou para R$ 8.475,55
salário mínimo, que subiu para R$ 1.621,00
Com isso, a tabela de contribuição é sempre compatível com os novos limites da Previdência.
Por que o reajuste anual é necessário
A atualização da tabela ocorre por três motivos principais:
impedir que a inflação “corra por dentro” das faixas e aumente a tributação real;
preservar o poder de compra do trabalhador;
manter o equilíbrio financeiro e atuarial da Previdência.
Sem correção, trabalhadores teriam desconto maior sem aumento real de salário, fenômeno conhecido como “defasagem tributária”.

