Antes de mais nada, a recente atualização das regras do Pix marca uma das maiores mudanças desde a criação do sistema de pagamentos instantâneos. O Banco Central colocou em vigor uma nova etapa do Mecanismo Especial de Devolução (MED), ampliando o rastreamento de fraudes e facilitando a devolução de valores enviados de forma indevida.
Na prática, o objetivo é claro: encurtar o caminho entre a reclamação do usuário e a devolução do dinheiro, ao mesmo tempo em que dificulta a vida de golpistas que tentam esconder a origem dos valores desviados.
A seguir, você entende em detalhes o que mudou, como funciona o novo MED, o que já está valendo e o que passa a ser obrigatório somente em 2026.
Como funcionava antes e o que mudou de fato agora
A princípio, o MED já existia desde 2021, mas funcionava com limitações importantes. A devolução só podia ser feita a partir da conta que recebeu o Pix fraudulento. Ou seja, quando o golpista transferia rapidamente o dinheiro para outras contas, o processo ficava praticamente inviável.
Agora, o cenário muda. Com a nova regra:
O banco consegue rastrear o dinheiro para outras contas que receberam o valor, mesmo após várias transferências sucessivas.
A devolução pode ser feita a partir dessas contas secundárias, e não apenas da conta usada na fraude.
O prazo de devolução passa a ser de até 11 dias, após análise da contestação.
Ou seja, a partir deste novo modelo, o BC amplia significativamente a eficiência na recuperação dos valores, já que o golpista não consegue mais se esconder ao dispersar o dinheiro em várias transações.
Quando as novas regras serão obrigatórias
Embora a ferramenta aprimorada já esteja disponível, ainda não é exigida para todos. A saber:
Opcional para os bancos em 2025.
Obrigatória a partir de 2 de fevereiro de 2026, para todas as instituições que operam Pix.
Essa transição foi planejada justamente para que as instituições financeiras adaptem seus sistemas ao novo formato de rastreamento.
Como funciona o MED na prática
Em primeiro lugar, o MED só pode ser acionado em situações específicas:
Golpes, fraudes ou crimes envolvendo Pix;
Erros operacionais da própria instituição financeira.
Por outro lado, o mecanismo não pode ser usado quando o problema ocorre por responsabilidade do usuário pagador. São exemplos:
Erro de digitação e envio para a pessoa errada;
Envio por engano sem fraude envolvida;
Desacordos comerciais;
Conflitos entre pessoas de boa-fé.
Assim, mesmo com a ampliação das regras, o MED continua restrito a casos em que exista má-fé ou falha operacional da instituição.
Passo a passo para contestar uma transferência via Pix
A partir das novas regras, contestar uma transação ficou mais simples. Agora, todo o processo pode ser iniciado diretamente no app do banco:
Acesse sua conta e procure a área do Pix.
Clique em “Contestar transação” ou opção equivalente.
Informe os detalhes da movimentação suspeita.
Anexe evidências, se necessário (prints, conversas, comprovantes).
Aguarde a análise. O prazo máximo é de 11 dias.
Durante esse período, o banco pode bloquear preventivamente o valor nas contas suspeitas — algo essencial para evitar o esvaziamento das contas utilizadas no golpe.
Regras de fiscalização da Receita Federal para 2025
Além das mudanças no MED, novas regras de fiscalização financeira também entram em vigor. A Receita Federal ampliou o controle sobre as movimentações bancárias por meio do sistema e-Financeira.
É importante destacar que não existe taxa sobre o uso do Pix. O que muda é apenas o nível de fiscalização.
As instituições devem comunicar à Receita movimentações mensais acima de:
R$ 5.000 para pessoas físicas;
R$ 15.000 para pessoas jurídicas.
O objetivo é combater fraudes fiscais e lavagem de dinheiro, garantindo que as movimentações sejam compatíveis com a renda declarada. Ainda assim, o Pix segue totalmente gratuito para pessoas físicas.
Segurança reforçada e validação de chaves Pix
Outro ponto que entra em vigor é a verificação cadastral obrigatória. A partir das novas diretrizes:
Bancos devem consultar a situação cadastral do CPF ou CNPJ na Receita Federal antes de permitir o registro de uma chave Pix.
Usuários com documentos irregulares poderão ter chaves rejeitadas ou até bloqueadas.
Essa medida reduz o risco de contas fraudulentas e combate o uso de documentos falsos, que são muito comuns em golpes envolvendo Pix.
Limites e restrições para transações com instituições não autorizadas
Após uma série de golpes envolvendo instituições sem autorização do Banco Central, entra em vigor um limite específico:
Teto de R$ 15 mil para transferências via Pix, TED ou DOC destinadas a instituições não autorizadas a operar pelo BC ou que utilizam intermediários (PSTIs).
A medida protege usuários que, muitas vezes, transferem altos valores sem saber que a instituição na outra ponta não possui a segurança necessária.
O que não muda nas regras do Pix
Apesar das mudanças significativas, alguns pontos permanecem inalterados:
O Pix continua gratuito para pessoas físicas, sem qualquer previsão de cobrança.
Os limites noturnos seguem valendo, geralmente R$ 1.000 entre 20h e 6h, para reduzir o risco de sequestros-relâmpago.
O tempo de carência de 24 horas para aumento de limites continua obrigatório.
Pix Saque e Pix Troco seguem gratuitos para até 8 operações no mês.
Esses pontos permanecem como medidas de segurança e preservam o caráter acessível do Pix.
Por que essas mudanças aumentam a segurança para 2025 e 2026
Em conclusão, as novas medidas fortalecem todos os pilares do sistema: rastreamento, bloqueio emergencial, fiscalização e validação cadastral. O objetivo do Banco Central é criar um ambiente mais seguro e eficiente, no qual o Pix continue sendo rápido, gratuito e confiável — mas agora com maior blindagem contra fraudes e golpes.
