Nova CNH muda tudo: fim da obrigatoriedade das autoescolas, aulas práticas mínimas, instrutor autônomo e uso de carro próprio. Veja regras e impactos.

O Brasil muda a forma de tirar a CNH: extinção do monopólio das autoescolas e novas regras para 2026

O modelo de formação de condutores, praticamente intocado por décadas, acaba de passar pela maior transformação da sua história. O Contran aprovou uma resolução inédita que desobriga o brasileiro de se matricular em autoescolas e libera o uso de carro próprio, além de permitir a contratação de instrutores autônomos. Trata-se de uma ruptura profunda que mexe com preços, burocracia e acesso à Carteira Nacional de Habilitação.

Por que o governo decidiu mudar tudo agora

Antes de mais nada, é importante entender o contexto. O Ministério dos Transportes estima que 20 milhões de brasileiros dirigem sem habilitação, um problema histórico alimentado por dois fatores: custo elevado e um modelo burocrático que afastava grande parte da população.

Com a adoção de um novo sistema, a lógica passa a ser outra:
o Estado deixa de impor onde você aprende e passa a se concentrar em verificar se você realmente aprendeu.

Ou seja, o foco saiu da carga horária obrigatória e voltou-se para a competência final do candidato — justamente o que mais importa para a segurança viária.

Fim da obrigatoriedade das autoescolas

A medida mais impactante é o término da obrigatoriedade de matrícula em um CFC (Centro de Formação de Condutores). A partir da publicação da resolução no Diário Oficial da União, o candidato poderá escolher entre três caminhos:

  • estudar sozinho pela plataforma oficial integrada ao Senatran;

  • contratar cursos EaD de entidades credenciadas;

  • optar pelo modelo tradicional de autoescola, se assim preferir.

Esse novo desenho devolve ao cidadão o controle total do processo. A marcação biométrica, antes usada para travar presença mínima de 45 horas teóricas, deixa de ser necessária.

Como ficam as aulas teóricas com a nova CNH

Em primeiro lugar, vale destacar: não existe mais carga horária mínima. Isso significa que o candidato estuda no seu ritmo, usando o método que achar mais confortável.

Como era

  • 45 horas-aula obrigatórias;

  • presença monitorada por biometria;

  • altos custos com matrícula e deslocamento.

Como fica

  • liberdade total para estudar por conta própria;

  • material acessível em plataformas oficiais e cursos credenciados;

  • possibilidade de continuar usando a autoescola, se preferir.

A prova teórica, no entanto, permanece obrigatória. O conteúdo segue as diretrizes do Contran, e o aluno precisa atingir 70% de acertos.

A mudança mais esperada: aulas práticas caem de 20 horas para apenas 2

A prática sempre foi o ponto mais caro do processo. Agora, o Contran reduz drasticamente a carga obrigatória: de 20 horas para apenas 2 horas.

Isso não significa pouca preparação, e sim liberdade. O aluno treina quanto achar necessário — sem ser forçado a comprar pacotes fechados com valores altos.

Como era

  • 20 horas-aula obrigatórias em carro com duplo comando;

  • restrições de horários e alto custo;

  • obrigatoriedade de usar veículo da autoescola.

Como fica

  • apenas 2 horas obrigatórias;

  • liberdade para treinar no próprio veículo ou no do instrutor;

  • custo reduzido e autonomia total na agenda de aulas.

Carro próprio liberado nas aulas e no exame

Esse é um dos pontos que mais chamam atenção: o candidato poderá treinar e realizar o exame no seu próprio carro, desde que o veículo cumpra os requisitos básicos do Código de Trânsito Brasileiro.

Acaba, portanto, a exclusividade dos carros com duplo comando das autoescolas.

Requisitos mínimos do veículo:

  • estar com documentação em dia;

  • atender critérios de segurança exigidos pelo CTB;

  • possuir itens obrigatórios de manutenção e segurança;

  • estar identificado no aplicativo oficial no momento do exame.

Para muitos brasileiros, isso representa economia direta. Quem tem veículo próprio não precisará mais pagar para usar o da autoescola.

Chegada do instrutor autônomo: o novo profissional da formação de condutores

O governo cria oficialmente a figura do Instrutor Autônomo, que passa a atuar sem vínculo com autoescolas. Ele poderá oferecer aulas práticas diretamente ao aluno, agendadas por um aplicativo oficial.

Requisitos do instrutor autônomo

  • idade mínima de 21 anos;

  • ensino médio completo;

  • CNH válida há pelo menos 2 anos na categoria que pretende ensinar;

  • “ficha limpa” no trânsito (sem infrações gravíssimas nos últimos 12 meses);

  • curso oficial de capacitação oferecido pelo Ministério dos Transportes.

Instrutores de autoescola poderão migrar para o modelo autônomo, facilitando a transição sem prejudicar profissionais experientes.

Processo sem prazo de validade: o fim de uma dor de cabeça histórica

Antes, o candidato tinha 12 meses para terminar todo o processo. Se não conseguisse, perdia dinheiro, aulas e precisava recomeçar.

Agora, essa regra cai.

A partir da nova resolução, o processo de habilitação passa a ter validade indeterminada.

Isso permite que o cidadão avance conforme seu orçamento permitir — algo fundamental para as camadas mais pobres, que hoje representam a maioria dos não habilitados.

Como ficam os motoristas profissionais (Categorias C, D e E)

A resolução também flexibiliza a obtenção de habilitação profissional. Agora, além das autoescolas, outras entidades credenciadas poderão oferecer o processo completo.

O exame toxicológico, porém, continua obrigatório, sem alterações.

O exame teórico e prático: foco na avaliação rigorosa

Se a formação ficou mais livre, a avaliação permanece rígida.

Prova teórica

  • múltipla escolha;

  • duração mínima de 1 hora;

  • 20 acertos necessários (aprovação com 70%).

Prova prática

  • formato de banca, com três avaliadores;

  • trajeto pré-definido;

  • possibilidade de usar o próprio carro;

  • sem limite de tentativas;

  • reteste gratuito, sem cobrança de taxa extra.

O objetivo do governo é simples: mais liberdade para aprender, rigor total para aprovar.

Impactos no mercado e na sociedade

As mudanças devem provocar efeitos em várias frentes da economia e do dia a dia dos brasileiros.

1. Redução drástica dos custos da CNH

Pesquisas do Ministério dos Transportes mostram que o preço é o principal obstáculo para um terço dos brasileiros. Com o novo modelo, o custo total tende a cair significativamente.

2. Regularização de milhões de motoristas

Estima-se que 20 milhões de pessoas dirigem sem habilitação. A flexibilização pode reduzir acidentes e aumentar a segurança nas ruas.

3. Impacto direto no mercado automotivo

Com mais brasileiros habilitados, a expectativa é de crescimento nas vendas de:

  • carros compactos;

  • seminovos;

  • motocicletas.

4. Reinvenção das autoescolas

As autoescolas deixarão de ser obrigatórias e precisarão se reposicionar como centros de excelência, oferecendo cursos premium, treinamento avançado e simuladores.

Resumo das principais mudanças

1. Aulas teóricas

  • deixam de ter carga horária mínima;

  • estudo pode ser feito sozinho ou por meio de cursos EaD;

  • autoescolas tornam-se opcionais.

2. Aulas práticas

  • carga mínima reduzida de 20h para 2h;

  • aluno pode treinar no próprio carro;

  • instrutor autônomo autorizado.

3. Veículo particular

  • liberado para aulas e exame prático.

4. Instrutor autônomo

  • profissional credenciado pelo Detran;

  • atuação sem vínculo com CFC.

5. Validade do processo

  • validade indeterminada.

6. Avaliação

  • rigor permanece;

  • reteste gratuito;

  • prova prática com banca de três avaliadores.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.