Nada de R$1.631 ou R$1.627: Globo confirma novo valor do salário mínimo para 2026 e pega brasileiros 100% de surpresa

O valor do salário mínimo para 2026 voltou ao centro do debate econômico e social no Brasil. Depois de circular projeções de R$ 1.627 e R$ 1.631, um novo cálculo divulgado pelo g1, da Globo, indica que o piso nacional pode ser R$ 1.621, surpreendendo trabalhadores, aposentados e beneficiários de programas sociais.

A saber, o número não é oficial, mas foi calculado com base nas regras atualmente em vigor para a política de valorização do salário mínimo. Ainda assim, ele já provoca impacto direto nas expectativas de quase 60 milhões de brasileiros, que têm algum tipo de rendimento atrelado ao piso nacional.

Em primeiro lugar, é importante entender como esse valor foi obtido e por que ele ficou abaixo de outras projeções divulgadas anteriormente.

Como é feito o cálculo do salário mínimo em 2026

O cálculo do salário mínimo segue uma regra que combina dois fatores principais. Antes de mais nada, o reajuste considera:

  • A inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulada em 12 meses até novembro;

  • O crescimento real do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos anteriores.

Para o salário mínimo de 2026, o PIB considerado é o de 2024, que apresentou crescimento de 3,4%. Já a inflação medida pelo INPC, conforme divulgado pelo IBGE, acumulou 4,18% em 12 meses até novembro.

Entretanto, no fim do ano passado, o governo federal aprovou uma lei que limitou o ganho real do salário mínimo a 2,5%, mesmo que o PIB cresça mais do que isso. Esse limite faz parte do novo arcabouço fiscal, criado para controlar despesas e evitar o aumento acelerado da dívida pública.

Ou seja, embora o PIB de 2024 tenha crescido 3,4%, apenas 2,5% podem ser incorporados ao salário mínimo como aumento real.

Na prática, o cálculo considerado pelo g1 foi o seguinte:

  • 4,18% de inflação (INPC)

  • + 2,5% de ganho real (PIB limitado pelo teto fiscal)

O resultado leva o salário mínimo atual, de R$ 1.518, para aproximadamente R$ 1.621 em 2026, um aumento nominal de R$ 103.

Por que não é R$ 1.627 ou R$ 1.631?

A princípio, projeções maiores circularam porque muitos cálculos iniciais consideravam o crescimento total do PIB de 2024, sem aplicar o limite de 2,5%. Com isso, os valores chegavam a R$ 1.627 ou até R$ 1.631.

Contudo, com a lei do arcabouço fiscal já em vigor, o ganho real precisa respeitar o teto. Por isso, o valor de R$ 1.621passou a ser visto como o cenário mais provável neste momento.

O próprio g1 entrou em contato com o Ministério do Planejamento para confirmar qual será o valor oficial do salário mínimo em 2026, mas não obteve resposta até a última atualização da reportagem.

Assim, o número ainda pode sofrer ajustes, principalmente se houver revisão da inflação até novembro ou mudança na política fiscal.

Quando o novo salário mínimo começa a valer

Um ponto que costuma gerar confusão é o mês de aplicação do reajuste. O novo salário mínimo entra em vigor em janeiro de 2026, mas o trabalhador só sente o impacto no bolso no pagamento feito em fevereiro.

Isso vale tanto para salários quanto para aposentadorias, pensões e benefícios assistenciais pagos mensalmente.

Salário mínimo é referência para quase 60 milhões de pessoas

Segundo uma nota técnica do Dieese, divulgada em janeiro, o salário mínimo serve de referência direta para 59,9 milhões de brasileiros.

Esse grupo inclui:

  • Trabalhadores que recebem um salário mínimo ou múltiplos do mínimo;

  • Aposentados e pensionistas do INSS que ganham o piso previdenciário;

  • Beneficiários do BPC (Benefício de Prestação Continuada), pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda;

  • Pessoas que dependem de valores atrelados ao mínimo, como abono salarial e seguro-desemprego.

Além disso, o salário mínimo influencia o mercado de trabalho como um todo, ajudando a puxar o salário médio nacional e afetando o poder de compra das famílias.

Impacto direto nas contas públicas

O reajuste do salário mínimo não afeta apenas o bolso do trabalhador. Ele também tem peso relevante nas contas públicas.

De acordo com cálculos do próprio governo federal, cada aumento de R$ 1 no salário mínimo gera uma despesa adicional de cerca de R$ 420 milhões por ano.

Assim, um aumento de R$ 103, como o projetado para 2026, pode representar um crescimento de aproximadamente R$ 43,2 bilhões nas despesas obrigatórias.

Esse impacto ocorre porque nenhum benefício previdenciário pode ser inferior ao salário mínimo. O mesmo vale para:

  • Abono salarial;

  • Seguro-desemprego;

  • Benefícios assistenciais vinculados ao piso nacional.

Como resultado, sobra menos espaço no orçamento para os chamados gastos discricionários, que são aqueles usados em políticas públicas, investimentos e programas governamentais.

Debate sobre a desvinculação do salário mínimo

Diante desse cenário, alguns economistas defendem que o piso dos benefícios previdenciários deixe de ser vinculado ao salário mínimo, passando a ser corrigido apenas pela inflação.

Esse modelo já foi adotado em anos anteriores e, segundo seus defensores, ajudaria a conter o crescimento da dívida pública e a pressão sobre os juros da economia.

Por outro lado, sindicatos e especialistas em políticas sociais alertam que essa desvinculação pode reduzir o poder de compra de aposentados e beneficiários mais vulneráveis.

O salário mínimo ideal, segundo o Dieese

Enquanto o valor oficial gira em torno de R$ 1.518 em 2025 e pode chegar a R$ 1.621 em 2026, o Dieese apresenta um contraste expressivo.

De acordo com o departamento, o chamado salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.067,18 em novembro.

Esse cálculo segue o artigo 7º da Constituição Federal, que determina que o salário mínimo deve ser suficiente para cobrir despesas com:

  • Alimentação

  • Moradia

  • Saúde

  • Educação

  • Transporte

  • Vestuário

  • Higiene

  • Lazer

  • Previdência social

Para outubro de 2025, dado mais recente disponível, o Dieese estimou que esse valor ideal estaria em torno de R$ 6.500, o que representa mais de quatro vezes o salário mínimo oficial atual.

A diferença evidencia o desafio histórico do Brasil em garantir que o piso nacional acompanhe o custo real de vida da população.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.