INSS retoma cobrança milionária do consignado após 2 anos de suspensão: acordo com Febraban e ABBC regulariza R$ 148,4 milhões, devolve previsibilidade ao sistema bancário e promete reforçar segurança sem impacto ao aposentado

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) confirmou a retomada da cobrança de custos operacionais relacionados às operações de crédito consignado. O valor total anunciado é de R$ 148,4 milhões e será pago por bancos e instituições financeiras que oferecem empréstimos com desconto em folha para beneficiários da Previdência Social.

A cobrança estava suspensa desde 2022 e volta agora como resultado de um acordo firmado com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Associação Brasileira de Bancos (ABBC). Segundo o INSS, o objetivo central é reforçar a governança, melhorar o controle e garantir segurança no processamento do consignado dentro da folha de pagamento dos aposentados e pensionistas.

Diferentemente do que pode parecer, não se trata de repasse ao segurado, mas de uma cobrança aplicada exclusivamente às instituições que aderiram ao modelo de consignação via sistema previdenciário.

O que exatamente o INSS está cobrando

O INSS informou que está retomando a cobrança de custos operacionais referentes às operações de consignado. Esses custos dizem respeito ao funcionamento interno necessário para que a operação ocorra dentro da estrutura de processamento da folha de benefício, o que inclui:

  • Administração das operações

  • Controle e rastreamento

  • Segurança de dados e sistemas

  • Governança e conformidade

Trata-se, segundo a autarquia, de um conjunto de mecanismos que garantem que o desconto ocorra de forma automatizada, auditável e segura.

Esse tipo de custo já existia e era previsto em normativos. Porém, a cobrança havia sido suspensa em 2022, durante um período de ajustes regulatórios e negociações com o setor financeiro.

Por que o valor anunciado é de R$ 148,4 milhões

O montante informado pelo INSS representa a soma das taxas acumuladas durante o período em que a cobrança ficou suspensa. Em outras palavras, não é um valor projetado apenas para os próximos meses, mas sim um cálculo que inclui:

  • Valores retroativos ainda não pagos pelas instituições financeiras

  • Regularização do período entre 2022 e 2024

  • Valores associados à retomada da cobrança daqui em diante

Embora ainda não tenha sido detalhado banco a banco, o INSS explica que esse total corresponde às taxas referentes aos serviços prestados pela autarquia ao permitir que o consignado seja operado diretamente na folha de pagamento do benefício.

Quem paga a conta e quais bancos entram na regra

A cobrança é direcionada exclusivamente às instituições que possuem Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com o INSS. São esses mecanismos de cooperação que autorizam os bancos a operar consignado dentro da infraestrutura previdenciária.

Na prática, isso inclui:

  • Bancos tradicionais

  • Bancos digitais

  • Financeiras credenciadas

  • Cooperativas autorizadas

Essas instituições utilizam o sistema do INSS para registrar contratos e efetuar os descontos diretamente no benefício pago ao cidadão.

Por esse motivo, de acordo com o posicionamento da autarquia, é coerente que tais instituições arquem com os custos operacionais, já que se beneficiam do canal para ofertar crédito com risco reduzido de inadimplência.

O acordo com Febraban e ABBC e o que muda para o setor financeiro

A formalização da retomada ocorreu após um acordo firmado com a Febraban e com a ABBC. Esse ponto é considerado central por dois motivos:

  1. Reduz atritos regulatórios: o INSS reforça que a taxa não é uma novidade, mas sim um direito previsto em lei que estava suspenso.

  2. Cria previsibilidade: ao ser pactuado com entidades representativas, o setor passa a ter mais clareza sobre a forma de cobrança e seus impactos.

Com isso, além da regularização de valores retroativos, o acordo recoloca a taxa como requisito vigente para todos os bancos que operam consignado no sistema do INSS.

Por que o INSS afirma que a cobrança fortalece controle e segurança

O discurso oficial do INSS aponta que o custo operacional está diretamente relacionado ao equilíbrio técnico do fluxo do consignado. Segundo a autarquia, esse fluxo envolve etapas delicadas, como:

  • Registro de contratos

  • Autorização de margens

  • Processamento de descontos

  • Auditoria e rastreabilidade

  • Segurança dos dados dos beneficiários

Na visão institucional, se o sistema previdenciário oferece uma plataforma segura e com governança, as instituições financeiras precisam participar financeiramente do custeio dessa infraestrutura, e não transferir esse ônus ao orçamento público.

Suspensão desde 2022 e retomada com regularização de valores

A retomada da cobrança também regulariza um passivo acumulado. Entre os principais pontos, destacam-se:

  • A cobrança estava interrompida desde 2022

  • O valor acumulado já somou R$ 148,4 milhões

  • A retomada fecha um ciclo e restabelece o fluxo normal da cobrança

  • A regra passa a valer novamente de forma plena para instituições credenciadas

O INSS fez questão de enfatizar que não se trata apenas de voltar a cobrar, mas de regularizar o que ficou pendente, garantindo que o sistema volte a operar conforme previsto em normativas prévias.

Impacto prometido: equilíbrio sem afetar beneficiários

O ponto mais sensível do anúncio é a possibilidade de impacto financeiro ao beneficiário. Sobre isso, o INSS afirma que:

  • Nenhum valor será descontado do aposentado ou pensionista

  • Não haverá repasse da taxa aos segurados

  • A medida mira exclusivamente as instituições financeiras

Em síntese, o INSS reitera que o aposentado não pagará nada a mais e que o objetivo é preservar o equilíbrio do sistema, evitando que custos internos do consignado recaiam sobre o orçamento público.

O que muda na prática para o consignado

Para as instituições financeiras, a retomada da cobrança significa:

  • Maior rigor operacional

  • Mais exigência de conformidade

  • Custo administrativo adicional

  • Reforço de governança

Para o beneficiário do INSS, a informação principal é que não haverá mudança no funcionamento do consignado do ponto de vista do usuário final.

O que o sistema financeiro precisa monitorar daqui em diante

Com o retorno da cobrança, os bancos passam a lidar com um custo retroativo e permanente, o que pode influenciar:

  • Estratégias de oferta

  • Análise de risco

  • Margens de lucro

  • Negociações com órgãos reguladores

A Febraban já indicou que acompanhará os desdobramentos para garantir que o acordo funcione dentro dos termos pactuados.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.