Janeiro de 2026 marca o início do ano com valores atualizados, regras mais rígidas de controle e mudanças que afetam diretamente milhões de brasileiros. O Governo Federal manteve o cronograma de pagamentos dos principais programas sociais, mas o primeiro mês do ano já chega com cruzamentos mais rigorosos de dados, revisão de cadastros e impacto direto do novo salário mínimo.
Os três benefícios centrais pagos neste mês são Bolsa Família, Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) e Seguro-Desemprego. Cada um segue regras próprias, calendários distintos e exige atenção redobrada dos beneficiários para evitar bloqueios ou suspensão dos valores.
Bolsa Família inicia pagamentos em 19 de janeiro com foco em fiscalização cadastral
O Bolsa Família segue como o principal programa de transferência de renda do país e inicia os pagamentos de janeiro no dia 19, seguindo até 30 de janeiro, conforme o número final do NIS.
O valor base permanece em R$ 600 por família, com adicionais que variam de acordo com a composição familiar:
R$ 150 por criança de até 6 anos
R$ 50 para jovens de 7 a 18 anos
R$ 50 para gestantes
Famílias que vivem em municípios com decreto de calamidade pública recebem o pagamento antecipado no primeiro dia do calendário, independentemente do final do NIS.
Janeiro é decisivo para cadastros unipessoais no Bolsa Família
Um dos pontos mais sensíveis do Bolsa Família em janeiro de 2026 é a averiguação cadastral das famílias unipessoais — aquelas compostas por apenas uma pessoa.
Janeiro funciona como mês-limite para muitos beneficiários que foram convocados a atualizar os dados no CRASainda em 2025. Quem não fez a atualização até dezembro do ano passado pode ter o benefício bloqueado já neste pagamento.
O governo intensificou o cruzamento de dados em tempo real, incluindo:
CPF
Vínculos empregatícios
Endereço
Composição familiar
Benefícios acumulados
Regra de Proteção pode reduzir o valor do Bolsa Família pela metade
Beneficiários que conseguiram emprego formal ou aumentaram a renda em 2025 podem perceber queda no valor recebido em janeiro de 2026. Em muitos casos, o benefício vem 50% menor, o que costuma gerar confusão.
Essa redução não é erro. Trata-se da Regra de Proteção (ou Regra de Emancipação).
Ela garante:
50% do valor do benefício
Pelo período de até 24 meses
Para famílias que ultrapassaram a renda de R$ 218 por pessoa, mas ainda se mantêm dentro do limite estabelecido pelo programa
A consulta do benefício pode ser feita pelo Aplicativo Bolsa Família ou pelo Portal Cidadão da Caixa.
BPC/LOAS começa a ser pago com novo valor de R$ 1.621,00
Diferente do Bolsa Família, o Benefício de Prestação Continuada (BPC/LOAS) é vinculado diretamente ao salário mínimo. Com o reajuste nacional, o valor do benefício passa a ser de R$ 1.621,00 a partir de janeiro de 2026.
Os pagamentos começam em 26 de janeiro, seguindo o mesmo calendário do INSS para quem recebe um salário mínimo, de acordo com o número final do benefício.
O BPC é destinado a:
Idosos com 65 anos ou mais
Pessoas com deficiência
Famílias que comprovem baixa renda
Empréstimo consignado pode reduzir o valor líquido do BPC
Em 2026, seguem valendo as regras restritivas para empréstimo consignado no BPC. O limite máximo de comprometimento da renda é de 35% do valor do benefício.
Isso significa que, mesmo com o reajuste para R$ 1.621,00, o valor efetivamente recebido pode ser menor caso o beneficiário tenha parcelas de consignado descontadas diretamente na folha.
Pente-fino do BPC segue ativo em janeiro
Outro ponto de atenção para quem recebe o BPC é a revisão cadastral, conhecida como pente-fino.
Beneficiários que:
Não atualizam o Cadastro Único há mais de dois anos
Apresentam inconsistências de renda ou composição familiar
Podem ter o pagamento de janeiro suspenso. A situação do benefício deve ser consultada pelo Meu INSS, onde também é possível verificar pendências e convocações.
Seguro-Desemprego começa 2026 com novas faixas de cálculo
Quem solicita ou recebe parcelas do Seguro-Desemprego em janeiro de 2026 já sente os efeitos do reajuste pelo INPC de 2025, que fechou em 3,9%.
As regras garantem que:
Nenhuma parcela seja inferior a R$ 1.621,00, o novo salário mínimo
O teto do benefício seja corrigido, chegando a aproximadamente R$ 2.400,00 (valor estimado)
O cálculo considera a média dos últimos três salários antes da demissão.
Como funciona o cálculo do Seguro-Desemprego
Para trabalhadores cuja média salarial supera R$ 2.100, aplica-se uma fórmula progressiva sobre o valor excedente. O objetivo é evitar que o benefício ultrapasse o teto definido pelo governo.
O pagamento:
É liberado 30 dias após a solicitação
Deve ser solicitado pela Carteira de Trabalho Digital
Pode ser acompanhado pelo aplicativo ou portal Gov.br
Auxílio Gás não será pago em janeiro de 2026
Diferente dos demais benefícios, o Auxílio Gás não faz parte da folha de janeiro.
O motivo é simples: o benefício é bimestral. O último pagamento ocorreu em dezembro de 2025, e o próximo depósito está previsto apenas para fevereiro de 2026.
Janeiro inaugura novo ciclo fiscal e de monitoramento
Para especialistas, janeiro de 2026 é um mês-chave porque inaugura:
O primeiro pagamento com valores reajustados
Novas regras de monitoramento fiscal
Cruzamento ampliado de bases de dados sociais, trabalhistas e previdenciárias
O objetivo do governo é reduzir pagamentos indevidos, mas o efeito prático é o aumento de bloqueios, revisões e necessidade de acompanhamento constante por parte dos beneficiários.
Datas mais importantes de janeiro de 2026
Até 15/01: prazo para contestar bloqueios do Bolsa Família na folha de fevereiro
19/01: início do pagamento do Bolsa Família (NIS 1) e antecipações para cidades em emergência
26/01: início do pagamento do BPC e aposentadorias de um salário mínimo
30/01: último dia de depósitos da folha de janeiro
PIS/Pasep não entra na folha de janeiro
O Abono Salarial PIS/Pasep não será pago em janeiro de 2026. O calendário referente ao ano-base 2024 começa oficialmente apenas em 15 de fevereiro, conforme cronograma do governo federal.
