A Alphabet, controladora do Google, começou a semana fazendo barulho em Wall Street. Nesta segunda-feira (15), pela primeira vez, a empresa atingiu um valor de mercado impressionante de US$ 3 trilhões — algo em torno de R$ 15 trilhões na cotação atual.
Esse feito histórico foi impulsionado por uma combinação poderosa: otimismo com os avanços em inteligência artificial e uma decisão judicial favorável nos Estados Unidos envolvendo questões antitruste.
As ações da Alphabet subiram mais de 3% em um único dia, atingindo níveis recordes, e o desempenho no ano já supera 32%, deixando para trás gigantes como Apple, Microsoft e Tesla.
O papel da inteligência artificial nessa disparada
Se existe um combustível turbinado para o crescimento da Alphabet, esse combustível atende por inteligência artificial (IA).
O mercado está cada vez mais confiante que o Google vai transformar seus investimentos em IA em produtos e serviços altamente lucrativos. De ferramentas como o Gemini, sistema de IA generativa, até os avanços no Google Cloud, tudo parece apontar para uma expansão agressiva no setor de tecnologia.
E não para por aí: a Nvidia, fabricante de chips e uma das parceiras essenciais nesse ecossistema de IA, já é avaliada em US$ 4,25 trilhões. Ou seja, a corrida tecnológica está apenas começando.
Vitória na Justiça: um alívio para investidores
Outro fator determinante para essa alta foi uma decisão judicial nos EUA que encerrou uma batalha de cinco anos entre o Google e o Departamento de Justiça americano.
O tribunal determinou que a empresa não precisará vender o Chrome nem o Android, como havia sido cogitado em propostas anteriores. Isso trouxe um enorme alívio ao mercado, já que esses dois produtos são peças-chave no ecossistema da companhia.
No entanto, o Google terá de compartilhar dados de buscas com concorrentes e não poderá firmar acordos de exclusividade que impeçam fabricantes de incluir aplicativos rivais em dispositivos móveis.
Na prática, o Google mantém o coração do seu negócio, mas perde um pouco de controle sobre certas práticas comerciais.
As “Magnificent 7” e a ascensão da Alphabet
Para quem não acompanha de perto o mercado financeiro, talvez o termo “Magnificent 7” soe estranho. Mas ele se refere às sete gigantes da tecnologia que concentram grande parte da valorização da bolsa americana:
Apple
Microsoft
Alphabet (Google)
Amazon
Nvidia
Meta (Facebook/Instagram)
Tesla
Com o feito desta segunda-feira, a Alphabet se junta a Apple e Microsoft no seleto clube das empresas que ultrapassaram a marca de US$ 3 trilhões. E, pelo andar da carruagem, pode não parar por aí.
O impacto do Google Cloud no faturamento
Outro dado que empolgou os investidores foi o desempenho do Google Cloud, braço de computação em nuvem da Alphabet.
No último trimestre, a divisão registrou crescimento de quase 32% na receita, superando as expectativas do mercado e mostrando que a empresa não depende apenas do seu tradicional negócio de publicidade e buscas para crescer.
Esse resultado reforça a visão de que a Alphabet está diversificando sua atuação, com projetos promissores em áreas como:
YouTube (streaming e publicidade digital)
Waymo (carros autônomos)
IA generativa e Google Cloud
Dispositivos inteligentes
Por que o mercado reagiu tão bem?
A decisão judicial poderia ter sido um balde de água fria, já que impõe algumas restrições ao Google. Mas, para os investidores, o ponto central foi outro: o núcleo do império do Google continua intacto.
Chrome e Android permanecem sob o guarda-chuva da empresa, e isso garante a continuidade de plataformas que dão acesso a bilhões de usuários.
Além disso, a perspectiva de crescimento da IA e da computação em nuvem deixou os analistas otimistas com o futuro da Alphabet.
O crescimento em números
Vamos dar uma olhada rápida em alguns números que ajudam a entender a dimensão dessa valorização:
Ações da classe A: +3,6%, chegando a US$ 249,10
Ações da classe C: +3,4%, atingindo US$ 249,50
Valorização no ano: mais de 32%
S&P 500 no mesmo período: +12,5%
Ou seja, o Google não só cresceu, como cresceu muito mais rápido que o mercado em geral.
Alphabet além das buscas: diversificação é a chave
Durante anos, o Google foi visto como uma empresa totalmente dependente das receitas com publicidade.
Mas, agora, investidores começam a enxergar a Alphabet como um grupo com potencial para disputar mercados muito além da busca online.
Projetos como carros autônomos, computação em nuvem e inteligência artificial mostram que a empresa está plantando sementes para o futuro.
Como disse o estrategista-chefe da Stock Trader Network, Dennis Dick:
“Eles ainda dependem bastante das buscas, mas com o YouTube, a Waymo e outros projetos em desenvolvimento, os investidores começam a enxergar a Alphabet não apenas como uma empresa de busca, mas como um grupo que avança em várias frentes.”
O que esperar para os próximos meses
Com a IA avançando, a nuvem crescendo e a empresa livre da obrigação de vender o Android ou o Chrome, analistas acreditam que a Alphabet deve continuar apresentando resultados fortes nos próximos trimestres.
Claro que existem riscos — a concorrência em IA está cada vez mais acirrada, com empresas como Microsoft e OpenAI correndo por fora. Mas, por enquanto, o Google parece estar em uma posição confortável para liderar essa transformação tecnológica.
