Enquanto muita gente ainda tenta entender se a inteligência artificial vai eliminar empregos ou criar novas oportunidades, um novo levantamento do LinkedIn ajuda a responder essa pergunta com dados concretos. Divulgado nesta quarta-feira (7), o ranking anual “Empregos em Alta” mostra quais são as 25 profissões com crescimento mais acelerado no Brasil em 2026 — e a tecnologia aparece como grande protagonista.
O estudo revela que a transformação digital deixou de ser uma tendência restrita a programadores e passou a influenciar praticamente todo o mercado de trabalho. Funções técnicas, estratégicas e operacionais dividem espaço no ranking, refletindo um cenário profissional mais conectado, analítico e exigente. Além da tecnologia, áreas como saúde, finanças, logística, energia e gestão continuam ganhando relevância.
Em comum, esses cargos exigem qualificação técnica, capacidade de lidar com dados, adaptação a novas ferramentas e visão estratégica. O levantamento também reforça que o avanço da inteligência artificial não elimina profissões, mas redefine competências e cria novas demandas.
Tecnologia lidera a lista de profissões em alta
Mais da metade das profissões listadas tem relação direta com tecnologia, engenharia, dados ou uso intensivo de ferramentas digitais. No topo do ranking está o cargo de engenheiro(a) de inteligência artificial, função que ganhou espaço com a popularização de grandes modelos de linguagem, automação de processos e soluções baseadas em IA generativa.
Esse profissional atua no desenvolvimento de sistemas capazes de analisar grandes volumes de dados, reconhecer padrões e apoiar decisões estratégicas. Empresas de tecnologia, consultorias e prestadoras de serviços de TI lideram as contratações, especialmente em polos como São Paulo, Florianópolis e Recife. O trabalho remoto é comum: mais de 60% das vagas permitem atuação à distância.
Além da IA, o ranking aponta crescimento expressivo em cargos ligados à análise de dados, segurança de processos, confiabilidade industrial e eficiência energética. Esses profissionais ajudam empresas a reduzir riscos, otimizar operações e responder a um ambiente econômico cada vez mais complexo.
Saúde segue em expansão no Brasil
Outro destaque do levantamento é a área da saúde, que mantém crescimento consistente nos últimos anos. Funções como auxiliar de enfermagem, técnico em microbiologia e coordenador de pesquisa clínica aparecem entre as profissões que mais crescem em 2026.
Segundo o LinkedIn, esse movimento está diretamente ligado ao envelhecimento da população, à ampliação dos serviços de diagnóstico e ao avanço das pesquisas clínicas e farmacêuticas no país. Diferente da área de tecnologia, a maioria dessas funções segue sendo presencial, devido à natureza prática e laboratorial do trabalho.
O cargo de auxiliar de enfermagem, por exemplo, apresenta alta demanda em cidades como Ribeirão Preto, Brasília e Recife, com predominância feminina e exigência de formação técnica específica.
Planejamento, finanças e gestão ganham espaço
O ranking também mostra que as empresas estão valorizando profissionais capazes de analisar cenários, organizar recursos e apoiar decisões de longo prazo. Cargos como planejador financeiro, analista de investimentos, auditor interno e gerente de planejamento estratégico aparecem entre os que mais crescem.
Essas funções ganham força especialmente em momentos de instabilidade econômica, quando organizações precisam de maior controle financeiro, previsibilidade e gestão de riscos. Em muitos desses cargos, o modelo híbrido já é predominante, combinando trabalho remoto e presencial.
Logística, energia e indústria continuam relevantes
Apesar do avanço do trabalho digital, o estudo mostra que áreas tradicionais seguem estratégicas. Profissões ligadas à logística, produção, energia e infraestrutura continuam em alta, impulsionadas pelo crescimento do comércio eletrônico, da indústria e dos projetos de transição energética.
Cargos como gerente de logística, analista de operações logísticas, engenheiro de confiabilidade e analista de eficiência energética são exemplos de funções que exigem conhecimento técnico aprofundado e atuação próxima das operações. Nesses casos, o trabalho remoto ainda é limitado.
Trabalho remoto avança, mas não é regra
O levantamento do LinkedIn indica que o trabalho remoto ou híbrido se consolidou principalmente em cargos ligados à tecnologia, dados, marketing e planejamento. Já funções industriais, laboratoriais e operacionais seguem majoritariamente presenciais.
Essa diferença está diretamente relacionada à natureza das atividades e ao grau de digitalização possível em cada profissão. Mesmo assim, o estudo aponta que a flexibilidade tende a crescer gradualmente, à medida que processos são automatizados e ferramentas digitais se tornam mais acessíveis.
Ranking completo das profissões que mais crescem em 2026
O levantamento lista, entre outros cargos:
Engenheiro(a) de Inteligência Artificial
Auxiliar de Enfermagem
Planejador(a) Financeiro(a)
Consultor(a) Regulatório(a)
Geofísico(a)
Engenheiro(a) de Segurança de Processo
Gerente de Sucesso do Cliente
Cientista Agrícola
Analista de Investimentos
Engenheiro(a) de Confiabilidade
Especialista em Dados
Técnico(a) em Microbiologia
Coordenador(a) de Pesquisa Clínica
Gerente de Relações
Gerente de Desenvolvimento de Negócios
Líder de Produção
Auditor(a) Interno(a)
Gerente de Logística
Recrutador(a)
Gerente de Instalações (Facilities)
Gerente de Planejamento Estratégico
Analista de Eficiência Energética
Gerente de Projetos de Marketing
Analista de Operações Logísticas
Analista de Orçamento
Como o ranking foi elaborado
A lista “Empregos em Alta” foi criada a partir de dados do Gráfico Econômico do LinkedIn, que analisou milhões de vagas ocupadas por usuários da plataforma entre 1º de janeiro de 2023 e 31 de julho de 2025.
Para entrar no ranking, os cargos precisaram apresentar crescimento consistente, número relevante de anúncios de vagas no último ano e aumento significativo até 2025. Foram excluídos estágios, trabalhos voluntários, funções temporárias e cargos concentrados em poucas empresas. Funções semelhantes, com diferentes níveis de senioridade, foram agrupadas.
O estudo foi desenvolvido pelas cientistas de dados do LinkedIn Alejandra Budar e Marcela Leviz, em colaboração com os editores Ana Prado e Fabio Manzano, da equipe do LinkedIn Notícias.
