A Havan está prestes a completar 40 anos de história enquanto vive um dos maiores ciclos de expansão desde sua fundação. Em entrevista ao podcast Os Sócios, o empresário Luciano Hang contou como transformou uma pequena loja de tecidos de apenas 45 metros quadrados, inaugurada em Brusque (SC) em 1986, em uma das maiores redes varejistas do país.
Hoje, segundo o empresário, a companhia projeta faturamento de R$ 22 bilhões em 2026, prepara investimentos de aproximadamente R$ 1,5 bilhão e pretende alcançar a marca de 200 lojas ainda neste ano.
Ao longo da conversa, Hang relembrou os desafios enfrentados durante a hiperinflação brasileira, explicou por que decidiu cancelar o plano de abrir o capital da empresa na Bolsa de Valores e detalhou a estratégia que, segundo ele, continuará impulsionando o crescimento da varejista nos próximos anos.
Expansão da Havan acelera com investimentos bilionários
O plano de crescimento da empresa continua em ritmo acelerado. Segundo Luciano Hang, cada nova unidade exige investimentos entre R$ 80 milhões e R$ 100 milhões, valor que contempla aquisição do terreno, construção, equipamentos, tecnologia e formação das equipes.
A meta divulgada pelo empresário é inaugurar 15 novas lojas em 2026, encerrando o ano com aproximadamente 200 unidades distribuídas por quase todos os estados brasileiros.
Além das novas inaugurações, a Havan afirma manter investimentos em modernização logística, ampliação da estrutura operacional e tecnologia para abastecer todas as unidades da rede.
Empresa nasceu durante um dos períodos econômicos mais turbulentos do Brasil
Durante a entrevista, Luciano Hang lembrou que a Havan foi criada justamente em um dos momentos mais delicados da economia brasileira.
A empresa nasceu em junho de 1986, poucos meses após o lançamento do Plano Cruzado, dentro do conjunto de medidas econômicas popularmente associado ao Plano Sarney, que buscava controlar a inflação por meio do congelamento de preços.
Segundo registros históricos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Banco Central, a economia brasileira enfrentou sucessivos planos de estabilização durante a década de 1980 até a implantação do Plano Real, em 1994.
Hang recordou que, naquele período, muitos produtos simplesmente desapareceram das prateleiras.
“Eu comecei justamente nessa época… foi o famoso ‘caçado aos bois nos pastos’. Chegou a faltar tudo, até carne”, relembrou.
O empresário contou que a falta de mercadorias obrigou a empresa a buscar tecidos diretamente em fábricas do Rio de Janeiro para conseguir abastecer a pequena loja instalada em Brusque.

Como surgiu o nome Havan
Um dos episódios curiosos revelados durante o podcast envolve a criação da marca.
Segundo Luciano Hang, a intenção inicial era registrar a empresa como União Têxtil, mas o nome não foi aprovado.
A solução surgiu por sugestão do contador da empresa, que uniu parte do sobrenome Hang ao primeiro nome do então sócio, Vanderlei, formando a marca Havan, registrada ainda em 1986.
Hiperinflação exigia remarcação diária dos preços
Ao comentar o cenário econômico vivido antes do Plano Real, Hang descreveu uma rotina praticamente inimaginável para quem iniciou a vida empresarial após os anos 1990.
Segundo ele, os preços aumentavam diariamente.
“Eu fazia cerca de 300 listas de preços todo sábado. A gente dolarizava o produto para conseguir ter uma unidade de conta.”
Os relatos refletem um período marcado por inflação extremamente elevada. Dados históricos do IBGE mostram que o Brasil atravessou anos de inflação acumulada em níveis extraordinários antes da estabilização monetária promovida pelo Plano Real em julho de 1994.
Na prática, empresas precisavam remarcar produtos constantemente para evitar perdas provocadas pela rápida desvalorização da moeda.
Viagem ao exterior mudou completamente o modelo de negócios
A grande transformação da Havan ocorreu poucos anos depois da estabilização econômica.
Luciano Hang contou que uma viagem à África do Sul fez o empresário enxergar oportunidades para transformar uma loja especializada em tecidos em uma rede de departamentos.
Segundo ele, a empresa passou a ampliar rapidamente seu portfólio, incorporando utilidades domésticas, eletroportáteis, decoração, brinquedos, cama, mesa, banho e centenas de outras categorias.
Hoje, a Havan comercializa milhares de produtos distribuídos em dezenas de departamentos.
Maioria dos produtos vendidos é comprada da indústria brasileira
Embora a empresa tenha iniciado sua diversificação por meio da importação de produtos asiáticos, Hang afirmou que o cenário mudou significativamente.
Segundo o empresário, atualmente entre 92% e 95% dos produtos vendidos pela Havan são adquiridos de fornecedores instalados no Brasil.
Ele afirmou que a companhia prefere comprar da indústria nacional mesmo quando o custo é superior ao de produtos importados.
“Preferimos comprar aqui porque isso gera emprego e fortalece a indústria brasileira.”
Centro de distribuição abastece todo o país
Outro tema abordado durante o podcast foi a logística necessária para abastecer quase 200 lojas espalhadas pelo território nacional.
Segundo Luciano Hang, toda a operação é coordenada a partir do centro de distribuição localizado em Barra Velha (SC).
O empresário destacou que algumas entregas para cidades da Região Norte podem levar várias semanas devido às características da infraestrutura brasileira.
Como exemplo, citou os desafios para abastecer lojas em Manaus, onde parte da operação depende do transporte hidroviário.
Especialistas em logística apontam que as longas distâncias, a concentração da malha rodoviária e as dificuldades de acesso em determinadas regiões continuam entre os principais desafios para empresas que atuam nacionalmente.
Projeto para combater furtos gerou debates jurídicos
Luciano Hang também comentou o projeto conhecido como “Amostradinho”, criado para divulgar imagens de pessoas flagradas furtando mercadorias nas lojas da rede.
Segundo ele, a iniciativa reduziu significativamente os casos de furto enquanto os rostos apareciam nas publicações.
Posteriormente, decisões judiciais e discussões relacionadas à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) levaram a empresa a passar a ocultar a identidade das pessoas filmadas.
A LGPD estabelece regras para o tratamento de dados pessoais no Brasil e influencia diretamente a divulgação de imagens capazes de identificar indivíduos.
Por que Luciano Hang desistiu de abrir o capital da Havan
Um dos trechos mais aguardados da entrevista tratou do mercado financeiro.
Hang revelou que a empresa chegou a estruturar um processo para realizar uma Oferta Pública Inicial de Ações (IPO)entre 2020 e 2021.
Segundo ele, bancos chegaram a avaliar a Havan em aproximadamente R$ 150 bilhões durante aquele período.
Apesar disso, o empresário afirmou que preferiu interromper o projeto.
“Graças a Deus não abri capital. Hoje eu estaria com um monte de gente dando opinião. Eu sou o único dono, erro, acerto e tenho liberdade para fazer mudanças.”
Empresas que realizam IPO passam a negociar ações na Bolsa de Valores e precisam seguir regras mais rígidas de governança corporativa, prestação de contas ao mercado e relacionamento com acionistas.
Cultura empresarial baseada no reinvestimento
Durante a conversa, Luciano Hang afirmou que praticamente todo o lucro obtido pela empresa ao longo das últimas quatro décadas foi reinvestido na própria operação.
“A Havan é uma empresa rica de um dono pobre. Durante 40 anos, todo o dinheiro que ganhei foi investido, investido e investido.”
Segundo ele, essa estratégia permitiu ampliar o número de lojas, modernizar centros de distribuição, investir em tecnologia e sustentar o crescimento da companhia sem recorrer à abertura de capital.
Havan completa quatro décadas mirando novos investimentos
Ao completar 40 anos de existência, a Havan chega a um momento de forte expansão. A empresa projeta faturamento de R$ 22 bilhões em 2026, prevê investimentos de aproximadamente R$ 1,5 bilhão ao longo do ano e pretende alcançar a marca de 200 lojas em operação.
Em entrevista ao podcast Os Sócios, Luciano Hang afirmou que continua motivado a expandir o negócio e descartou planos de aposentadoria. Segundo ele, a prioridade permanece sendo abrir novas unidades, gerar empregos e ampliar a presença da rede em diferentes regiões do país.
Entrevista detalha bastidores da trajetória da empresa
No episódio 282 do podcast Os Sócios, Luciano Hang apresenta detalhes sobre a criação da Havan, relembra os impactos da hiperinflação sobre o varejo brasileiro, comenta os desafios logísticos de operar em um país de dimensões continentais e explica por que optou por manter a empresa sob controle familiar, sem realizar um IPO. A entrevista também aborda a cultura de gestão da companhia, os investimentos previstos para os próximos anos e a estratégia de expansão da rede.
