Clientes que utilizam o PIX da Caixa Econômica Federal, assim como correntistas do Banco do Brasil, Nubank, Itaú e outras instituições financeiras, precisam ficar atentos a um aviso importante nesta terça-feira, 30 de dezembro. O fim do ano costuma registrar um aumento expressivo nos golpes envolvendo o meio de pagamento instantâneo mais usado do país.
Antes de mais nada, é importante lembrar que o PIX revolucionou a forma de transferir dinheiro no Brasil. O sistema permite pagamentos e transferências em poucos segundos, funcionando 24 horas por dia, inclusive em finais de semana e feriados. Essa praticidade, no entanto, também abriu espaço para a atuação de criminosos que se aproveitam da pressa, da distração e da falta de informação dos usuários.
Na prática, golpistas se passam por bancos, empresas conhecidas, lojas virtuais, órgãos públicos e até mesmo por amigos ou familiares. Eles criam situações de urgência, solicitam ações imediatas e utilizam estratégias emocionais para convencer a vítima a fazer transferências via PIX sem perceber que se trata de uma fraude.
Por que os golpes do PIX aumentam no fim do ano
Em primeiro lugar, o período de festas e virada do ano concentra um grande volume de transações financeiras. Pagamentos de compras, viagens, presentes, confraternizações e até contas atrasadas acabam sendo feitos de forma rápida, muitas vezes sem a devida conferência dos dados.
Além disso, muitas pessoas recebem 13º salário, férias ou benefícios sociais, o que aumenta o saldo disponível em conta. Esse cenário é monitorado por criminosos, que intensificam as tentativas de golpe justamente quando há mais dinheiro circulando.
Outro fator relevante é o aumento do uso de celulares e aplicativos bancários por públicos com menor familiaridade digital, como idosos. Esse grupo costuma ser um dos principais alvos, já que tende a confiar mais em ligações e mensagens que aparentam ser oficiais.
Golpes mais comuns envolvendo o PIX
As fraudes costumam seguir padrões bem definidos. A seguir, veja os golpes mais frequentes registrados por bancos e pelo Banco Central:
Phishing: envio de e-mails, SMS ou mensagens no WhatsApp que imitam comunicações oficiais de bancos, empresas ou órgãos públicos. Normalmente, a mensagem informa um suposto problema na conta e direciona a vítima para um link falso.
Golpe por telefone: ligações em que o criminoso se apresenta como funcionário da Caixa, do banco ou da central de segurança. O golpista afirma que houve uma movimentação suspeita e tenta obter dados pessoais, senhas ou códigos de verificação.
Falsas lojas virtuais: sites, perfis em redes sociais ou anúncios patrocinados com preços muito abaixo do mercado. O pagamento é exigido exclusivamente via PIX, e o produto nunca é entregue.
Pedidos falsos de estorno: solicitações de transferência via PIX para “confirmar cadastro”, “liberar conta”, “corrigir erro” ou “regularizar benefício”. Bancos nunca fazem esse tipo de pedido.
Falso amigo ou familiar: criminosos usam um número desconhecido com a foto de alguém próximo da vítima. Em seguida, pedem ajuda para pagar uma conta ou resolver uma emergência, solicitando um PIX imediato.
Sinais de alerta que indicam possível fraude
Apesar da sofisticação dos golpes, alguns sinais se repetem e podem ajudar a identificar tentativas de fraude. Desse modo, desconfie sempre de:
Mensagens alarmistas, com aviso de bloqueio de conta, cancelamento de benefício ou necessidade de regularização imediata.
Ligações em que o atendente pede senha, token, código de verificação ou confirmação por PIX.
Sites que copiam logotipos, cores e linguagem de bancos reais, mas possuem endereços estranhos ou erros de digitação.
Pedidos de transferência para estorno, teste ou validação de dados.
Promoções com preços muito abaixo do mercado, principalmente quando o pagamento é exigido apenas via PIX.
Em geral, os criminosos tentam apressar a vítima, afirmando que a solução precisa ser feita “naquele momento” para evitar prejuízos maiores.
Hábitos simples que ajudam a evitar golpes
Além de identificar os sinais de alerta, algumas atitudes simples reduzem significativamente o risco de cair em golpes envolvendo o PIX.
Nunca clique em links recebidos por SMS, WhatsApp ou e-mail sem verificar a origem.
Confira sempre o endereço do site e o remetente da mensagem.
Desconfie de ligações inesperadas que pedem qualquer tipo de confirmação de dados.
Antes de transferir dinheiro para um amigo ou familiar, faça uma ligação ou chamada de vídeo para confirmar o pedido.
Nunca informe senhas, códigos de verificação, tokens ou chaves de segurança. Bancos não solicitam esse tipo de dado.
No caso da Caixa, o cliente deve sempre priorizar os canais oficiais, como o aplicativo Caixa Tem, o app Caixa ou as agências físicas.
O que fazer se cair em um golpe do PIX
Em caso de golpe, agir rapidamente faz toda a diferença. Assim que perceber a fraude, o cliente deve entrar em contato com o banco ou instituição de pagamento imediatamente, utilizando os canais oficiais de atendimento.
É fundamental registrar a ocorrência, informar os dados da transação e seguir todas as orientações fornecidas pela instituição. Quanto mais rápido o aviso, maiores são as chances de bloqueio do valor transferido.
Desde 2021, o Banco Central disponibiliza o Mecanismo Especial de Devolução (MED). Esse sistema permite o bloqueio de valores em contas suspeitas e, em alguns casos, a recuperação do dinheiro transferido via PIX de forma fraudulenta.
Atualmente, o MED consegue analisar apenas a primeira conta que recebeu o valor. Ou seja, se o dinheiro for rapidamente transferido para outras contas, as chances de recuperação diminuem.
No entanto, há uma mudança importante prevista. A partir de 2026, o sistema passará a rastrear todas as contas envolvidas na movimentação, ampliando a segurança e aumentando as chances de devolução para o cliente vítima de golpe.
Enquanto isso, a principal forma de proteção continua sendo a informação. Ler avisos como este, desconfiar de situações urgentes e utilizar o PIX com atenção são medidas essenciais para evitar prejuízos financeiros, especialmente neste período de fim de ano.
