Antes de mais nada, o Governo Federal já deixou clara a intenção de reajustar o salário mínimo a partir de janeiro de 2026. Atualmente fixado em R$ 1.518, o piso nacional pode subir para R$ 1.631, conforme previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) enviado ao Congresso. A saber, o aumento representa R$ 113 a mais no bolso de trabalhadores formais, aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais.
O novo valor segue a política de valorização aprovada no final de 2024, que retomou a regra de reajuste com ganho real acima da inflação. Em primeiro lugar, essa mudança busca preservar o poder de compra e evitar perdas acumuladas ao longo dos anos.
A princípio, ainda não se trata de um valor definitivo. O número pode ser ajustado de acordo com a inflação consolidada em dezembro. No entanto, o governo trabalha com a projeção de R$ 1.631, número que deve se aproximar da versão final.
Como funciona o cálculo do salário mínimo para 2026
Para entender como o governo chega ao valor anunciado, é essencial observar os critérios definidos pela nova política de valorização. A fórmula combina dois fatores principais:
Inflação acumulada medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor);
Crescimento real do PIB dos dois anos anteriores.
Ou seja, o salário mínimo não apenas repõe as perdas inflacionárias, mas também acompanha a evolução da economia. A nova regra, porém, estabelece um limite: o ganho real não pode ultrapassar 2,5% acima da inflação.
Antes de mais nada, isso busca evitar um impacto muito grande nas contas públicas, já que mais de 25 milhões de benefícios do INSS são calculados com base no piso nacional.
A seguir, veja o que compõe o reajuste projetado:
Reposição da inflação estimada para 2025;
Crescimento real do PIB de dois anos antes;
Aplicação do teto de 2,5% para o ganho real.
Se for mantida a proporção atual, o reajuste ficará próximo dos 7,44%, conforme estimado pelo governo.
Quem será diretamente impactado pela mudança
O aumento do salário mínimo beneficia diversos grupos. Em primeiro lugar, trabalhadores com carteira assinada, que terão seus salários, adicionais e benefícios recalculados com base no novo valor.
Além disso, os aposentados e pensionistas do INSS que recebem um salário mínimo também são impactados. Com isso, quem hoje ganha R$ 1.518 pode passar a receber R$ 1.631 já no pagamento de janeiro.
Outros grupos que dependem do piso nacional também sentirão o impacto, a saber:
Beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC);
Famílias atendidas pelo Bolsa Família, que usam o mínimo como referência da linha de pobreza extrema;
Trabalhadores informais que têm contratos baseados no valor do mínimo;
Servidores estaduais e municipais que utilizam o piso para cálculos internos.
Por fim, programas federais e estaduais também sofrem reajuste indireto, já que muitos utilizam o mínimo como parâmetro para concessões, limites e repasses.
Impactos esperados no orçamento das famílias e do governo
O aumento de R$ 113 pode parecer pouco à primeira vista, mas representa uma diferença significativa ao longo dos meses. A princípio, o trabalhador ou aposentado que recebe o mínimo terá um ganho anual superior a R$ 1.300 apenas com a diferença do novo piso.
Para as famílias, isso reforça o poder de compra, especialmente em um cenário de alta no custo de vida. O reajuste melhora a capacidade de manter contas em dia, consumir itens essenciais e enfrentar oscilações de preços.
Já para o governo, o impacto financeiro é grande. A saber, cada aumento de R$ 1 no salário mínimo eleva em milhões os gastos com benefícios sociais. Por isso, a política de valorização busca equilibrar o ganho real sem comprometer o orçamento público.
O “salário mínimo ideal” segundo o DIEESE
Antes de mais nada, o valor de R$ 1.631 está longe do considerado ideal pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).
O instituto calcula mensalmente quanto deveria ser o salário mínimo para garantir o sustento digno de uma família de quatro pessoas, conforme previsto na Constituição.
Em outubro de 2025, o salário mínimo ideal ficou em R$ 7.116,83. Esse valor considera gastos essenciais como:
Alimentação
Moradia
Vestuário
Transporte
Saúde
Higiene
Lazer
Ou seja, o piso nacional atual — e também o projetado para 2026 — está muito abaixo do necessário para assegurar uma vida confortável. A seguir, veja o comparativo recente divulgado pelo DIEESE para 2025:
Outubro: R$ 7.116,83
Setembro: R$ 7.075,83
Agosto: R$ 7.147,91
Julho: R$ 7.274,43
Enquanto isso, o salário mínimo nominal em todos esses meses permaneceu em R$ 1.518.
Essa diferença evidencia a dificuldade de compatibilizar custo de vida, orçamento público e políticas de valorização salarial.
O que esperar para janeiro de 2026
A princípio, o valor final será confirmado somente após o fechamento oficial da inflação de dezembro. No entanto, todos os sinais apontam para a adoção do piso de R$ 1.631.
O novo piso começa a valer logo no primeiro dia útil do ano e já deve aparecer no contracheque de milhões de brasileiros. Para as famílias de baixa renda, o reajuste representa uma expectativa positiva, sobretudo diante das pressões inflacionárias registradas nos últimos anos.
Ou seja, o salário mínimo de 2026 chega como um reforço importante na renda mensal dos brasileiros e como uma política que busca devolver gradualmente o poder de compra perdido ao longo do tempo.
