BPC: Projeto que pode beneficiar 5,3 milhões de idosos avança no Congresso e prevê adaptações em casas a partir de 2026 para reduzir quedas e garantir autonomia

O debate sobre políticas públicas para idosos voltou ao centro da pauta legislativa em Brasília com a tramitação de um projeto considerado inédito pelo impacto social e pelo enfoque não restrito a benefícios financeiros. A proposta cria o Programa de Habitação Adaptada à Pessoa Idosa, com início previsto para 2026, e amplia a proteção social para além do Benefício de Prestação Continuada (BPC).

A medida reconhece que renda não resolve sozinha os riscos enfrentados dentro do domicílio, especialmente entre idosos de baixa renda. Nesse cenário, o foco do programa recai sobre a prevenção de acidentes domésticos e a promoção de autonomia física, duas demandas que crescem diante do avanço do envelhecimento populacional no país.

O texto foi aprovado na Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados, e prioriza idosos em situação de vulnerabilidade, incluindo beneficiários do BPC. A proposta autoriza o poder público a financiar intervenções diretas em moradias, com o objetivo de eliminar barreiras arquitetônicas e aumentar a segurança no deslocamento interno.

Parlamentares que defenderam o texto destacaram que, ao contrário de outras iniciativas, a nova política olha para o ambiente doméstico como fator determinante da saúde e da autonomia. A estratégia também busca reduzir internações e gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com traumas decorrentes de quedas, afastamentos prolongados e complicações associadas.

O que pode ser adaptado nas casas

A proposta prevê reformas consideradas simples e de baixo custo, mas capazes de alterar significativamente as condições de mobilidade e segurança. Entre as intervenções listadas no projeto estão:

  • Instalação de barras de apoio em áreas de circulação e banheiros;

  • Construção de rampas de acesso e eliminação de degraus;

  • Colocação de corrimãos em escadas e desníveis;

  • Adequações em banheiros e cozinhas, com ajustes de altura e iluminação;

  • Correções pontuais de piso e iluminação, para evitar escorregões e quedas.

As adaptações só serão realizadas após avaliação técnica do imóvel, feita por profissionais especializados indicados pelo poder público. A ideia é evitar reformas complexas ou alterações estruturais de grande porte, priorizando soluções funcionais e rápidas, ajustadas à realidade arquitetônica local.

Por que o tema ganhou força no Congresso

O avanço da proposta responde a dados preocupantes sobre acidentes domésticos envolvendo idosos. Pesquisas nacionais e internacionais indicam que quedas dentro de casa estão entre as principais causas de internação de pessoas com 60 anos ou mais. No Brasil, o problema se agrava devido à baixa acessibilidade nas moradias e ao envelhecimento acelerado da população.

Além disso, o aumento do número de idosos vivendo sozinhos acende um alerta adicional. Segundo dados demográficos utilizados durante o debate na Câmara, o grupo de idosos que moram sem qualquer acompanhante cresce ano após ano, e enfrenta maior risco em situações de queda ou imobilidade.

Diante desse cenário, parlamentares defenderam que o Estado não pode atuar apenas com transferências de renda ou ações hospitalares. A visão de fundo da proposta é aproximar as políticas sociais de um modelo preventivo, multidisciplinar e territorial, no qual a casa é vista como espaço de cuidado.

O projeto já é lei? Em que etapa está?

Apesar da aprovação na comissão temática, o projeto ainda precisa passar por outras etapas antes de virar lei. O caminho legislativo prevê:

  1. Análise em outras comissões da Câmara;

  2. Votação no plenário da Câmara dos Deputados;

  3. Envio ao Senado Federal para nova análise;

  4. Sanção presidencial ou veto parcial/completo.

A expectativa de parlamentares que acompanham a tramitação é de que a regulamentação ocorra ao longo de 2025, caso o texto avance nas comissões. Nesse cenário, a execução poderia começar em 2026, alinhada ao planejamento intersetorial entre assistência social, saúde e infraestrutura urbana.

O calendário, porém, ainda depende de fatores políticos e administrativos, incluindo eventuais adequações fiscais ou definição de fonte de custeio.

Mudança de paradigma na política para idosos

A proposta tem sido tratada como um ponto de inflexão no debate sobre envelhecimento no Brasil. Isso porque desloca o eixo da assistência social para um modelo que incorpora moradia, segurança e dignidade como componentes do envelhecer.

Se aprovado, o programa pode alcançar milhares de famílias em situação de vulnerabilidade, com impacto direto na qualidade de vida e indireto no sistema de saúde. Além disso, abre espaço para articulação entre municípios, estados e União, criando um ambiente federativo mais robusto para lidar com a transição demográfica.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.