O governo federal iniciou, em 2026, uma mudança estrutural no sistema de identificação dos beneficiários da Seguridade Social. A medida afeta diretamente o Bolsa Família, hoje com cerca de 48 milhões de integrantes, e tem como principal objetivo impedir fraudes, garantir que os pagamentos cheguem ao destinatário correto e unificar informações em bases oficiais.
O Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) confirmou que a biometria passará a ser obrigatória para concessão, manutenção e renovação de benefícios sociais. Em paralelo, o Ministério da Justiça, o Ministério da Previdência e os governos estaduais já ajustam sistemas para integração nacional.
No total, o país possui aproximadamente 68 milhões de pessoas vinculadas a programas federais, porém 11 milhões ainda não possuem biometria cadastrada em nenhum sistema oficial. Apesar disso, o governo afirma que ninguém deve se preocupar com cortes imediatos ou deslocamento urgente aos postos.
Segundo o MDS, a implantação será gradual, com fases e regras de transição que vão até abril de 2026.
Como funcionará a nova biometria do Bolsa Família
O modelo adotado pelo governo utiliza a nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) como principal base biométrica. O documento é emitido em todo o país, integrado ao CPF e com padrões internacionais de segurança.
Durante o período de transição, outros documentos também serão aceitos para validar a biometria, como:
CNH (Carteira Nacional de Habilitação)
Título de eleitor
Registros de refugiados emitidos pelo Ministério da Justiça
A biometria será exigida nas seguintes etapas:
Inscrição no CadÚnico
Renovação cadastral
Revisão periódica
Concessão e manutenção de benefícios
Além do Bolsa Família, os programas incluídos na regra são:
Benefícios previdenciários do INSS
Benefícios assistenciais (BPC/LOAS)
Seguro-desemprego
Abono salarial PIS/Pasep
Impacto a partir de maio
O marco regulatório publicado em 2026 indica que, a partir de maio, a biometria passa a ser critério válido para auditoria dos pagamentos. Isso significa que:
A biometria poderá ser usada para verificar identidade
Sistemas começarão a cruzar informações diretamente
Não haverá suspensão automática por ausência de biometria
Portanto, quem não possui biometria cadastrada não terá o benefício cortado de imediato. O governo esclarece que antes de qualquer suspensão haverá convocação e prazo para regularização.
Quem está dispensado da biometria no momento
Algumas categorias ficam temporariamente isentas do procedimento, devido a limitações físicas, territoriais ou jurídicas. Entre elas estão:
Pessoas com mais de 80 anos
Refugiados, apátridas e migrantes em processo de regularização
Brasileiros residentes no exterior
Pessoas com dificuldade de locomoção comprovada por laudo
Moradores de áreas de difícil acesso, incluindo comunidades ribeirinhas, aldeias e localidades atendidas por PrevBarco
Beneficiários do Bolsa Família cadastrados até 30 de abril de 2026
Requerentes de salário-maternidade, pensão por morte e benefício por incapacidade até 30 de abril de 2026
Beneficiários de seguro-desemprego e do abono salarial
Essas exceções estão garantidas em portaria e valem durante todo o período de implantação.
Integração com a Carteira de Identidade Nacional (CIN)
A CIN se torna peça-chave dessa transformação. Emitida com QR Code e padrão internacional (MRZ), ela substitui gradualmente os antigos RGs estaduais até 2032.
Para o governo, a CIN:
Evita duplicidade de identidades
Bloqueia fraudes comuns no CadÚnico
Reduz custos operacionais
Facilita o cruzamento entre ministérios
Além disso, a partir de 2026, a CIN pode ser utilizada como documento de prova de vida no INSS, reduzindo atendimentos presenciais.
Não haverá bloqueio automático
O MDS reforça que nenhum benefício será cortado unicamente por ausência de biometria. Antes da suspensão, o beneficiário será devidamente notificado por:
Aplicativo Bolsa Família
Aplicativo Cadastro Único
Mensagem no extrato da conta
Comunicação via CRAS
Na prática, o processo seguirá três etapas:
Aviso de regularização
Prazo para atendimento
Possível suspensão, apenas após confirmação
Como o beneficiário deve proceder em 2026
Para evitar problemas futuros, os especialistas recomendam três ações simples:
1. Consultar o aplicativo Bolsa Família
Para verificar avisos, pendências e mensagens de atualização.
2. Consultar o aplicativo Cadastro Único
Para checar data da última atualização. Se foi feita em 2023 ou antes, é recomendado visitar o CRAS.
3. Conferir regularidade do CPF
Irregularidades no CPF são atualmente a maior causa de bloqueios no Bolsa Família.
Por que o governo adotou a biometria
O MDS aponta três principais razões:
Fraudes e duplicidade cadastral: houve crescimento de registros unipessoais irregulares.
Eficiência no gasto público: evita pagamentos indevidos.
Segurança para o beneficiário: impede uso de dados por terceiros.
Em 2025, mais de 2,9 milhões de irregularidades foram identificadas no CadÚnico durante processos de averiguação.
