Após devolver R$ 12,9 bilhões, Banco Central confirma que ainda existem R$ 10 bilhões esquecidos esperando resgate em 2026 — entenda o que fazer

Entra ano e sai ano e milhões de brasileiros continuam com dinheiro parado em bancos e instituições financeiras sem sequer saber. Dados atualizados do Banco Central mostram que o volume de recursos esquecidos em 2026 permanece expressivo e segue chamando a atenção de pessoas físicas e empresas.

Segundo consolidação feita até novembro do ano passado, R$ 10,02 bilhões ainda estão disponíveis para resgate no Sistema de Valores a Receber (SVR), plataforma oficial do BC criada para localizar e devolver valores esquecidos.

54,2 milhões de CPFs e CNPJs têm valores para sacar

A maior parte do montante pertence a cidadãos comuns. Conforme o Banco Central:

  • R$ 7,8 bilhões estão vinculados a 49,31 milhões de pessoas físicas

  • R$ 2,22 bilhões dizem respeito a 4,96 milhões de empresas

Mesmo com campanhas de orientação e ampliação dos canais de acesso, uma parte considerável dos valores permanece sem solicitação.

Banco Central já devolveu R$ 12,92 bilhões desde a criação do sistema

Desde que o SVR foi lançado, o Banco Central já devolveu R$ 12,92 bilhões a clientes que tinham dinheiro parado em instituições financeiras.

Esses valores podem ter origem em:

  • Saldos residuais de contas correntes ou poupança encerradas

  • Tarifas cobradas indevidamente

  • Parcelas de consórcios não resgatadas

  • Recursos de cooperativas de crédito

  • Valores de corretoras e distribuidoras

  • Recursos de pessoas falecidas

No caso das empresas, os valores normalmente envolvem contas antigas, sobras de consórcio e serviços financeiros não resgatados.

Para pessoas físicas, o cenário é diferente: a maioria possui quantias pequenas, mas o volume agregado se aproxima dos R$ 8 bilhões.

Como consultar se você tem dinheiro esquecido

A consulta é gratuita e deve ser feita exclusivamente no portal oficial do Banco Central:

O BC reforça que não existem links enviados por e-mail, SMS ou redes sociais. Qualquer mensagem oferecendo consulta fora desse canal é golpe.

Para consultar, o cidadão deve:

  1. Acessar o site

  2. Informar CPF ou CNPJ

  3. Confirmar a consulta

Se houver valores, o sistema mostra os próximos passos e, em alguns casos, permite o pedido de devolução imediata.

Como funciona a devolução e por que o Pix é o meio principal

A devolução dos valores ocorre, preferencialmente, via Pix, por ser um meio rápido, rastreável e sem custo.

Para isso, o solicitante deve ter:

  • Chave Pix válida

  • Conta bancária ativa

Quem não possui chave Pix pode escolher o contato direto com o banco responsável para definir outra forma de recebimento.

Consulta para pessoas falecidas e regras para herdeiros

Quando o titular já faleceu, somente pessoas legalmente autorizadas podem consultar e solicitar os recursos:

  • Herdeiros

  • Inventariantes

  • Testamentários

  • Representantes legais

Nesses casos, o Banco Central exige o preenchimento de um termo de responsabilidade e pode solicitar documentos adicionais conforme o banco custodiante.

Pedido automático facilita quem não quer consultar sempre

Em maio de 2025, o Banco Central lançou o sistema de solicitação automática, que permite resgatar futuros valores sem nova consulta manual.

Para ativar, é preciso:

  • Conta gov.br nível prata ou ouro

  • Verificação em duas etapas habilitada

  • Chave Pix CPF

  • Ser pessoa física (empresas não têm acesso)

Quando ativado, qualquer valor encontrado posteriormente será devolvido automaticamente para o Pix informado.

Essa função não vale para contas conjuntas ou para bancos que não aderiram ao termo de devolução via Pix.

Novas camadas de segurança foram implementadas em 2026

Em fevereiro de 2026, o BC reforçou a segurança digital do SVR. Agora, além do login com CPF e senha do gov.br, é exigida:

  • Validação facial no aplicativo gov.br

  • Código de verificação em duas etapas

  • Autorização explícita para devolução automática (caso habilitada)

Segundo o BC, o objetivo é reduzir tentativas de fraude e evitar que terceiros acessem dados financeiros sensíveis.

Banco Central alerta para tentativas de golpe

O Banco Central enfatiza que:

  • Não liga

  • Não manda e-mail

  • Não envia link por WhatsApp

  • Não solicita dados bancários

  • Não pede senha ou código de segurança

Qualquer contato desse tipo é fraude.

Saulo Moreira

Saulo Moreira

Saulo Moreira dos Santos é um profissional comprometido com a comunicação e a disseminação de informações relevantes. Formado em Ciências Contábeis pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB). Com mais de 15 anos de experiência como redator web, Saulo se especializou na produção de artigos e notícias sobre temas de grande interesse social, incluindo concursos públicos, benefícios sociais, direitos trabalhistas e futebol.